Desculpem o post longo, mas ele é necessário para explicar completamente meu método e as motivações que me levaram a fazer este trabalho. Os mais apressados podem ler apenas as seções Motivação, Análise e Conclusão, deixando a seção Estatística de lado.
Motivação
Mês passado, a Ana publicou o post Astrologia: se você não acredita, é porque ainda não sabe o suficiente. Nele, ela conta que pessoas que a desconhecem completamente fizeram seu mapa astral e acertaram diversas de suas características. Nas palavras dela,
Eu li 30 páginas sobre mim, escritas por pessoas que nunca tinham me visto antes. E as páginas me descreviam com precisão medonha. Era assustador. E antes que alguém fale em leitura fria, eu adianto – que tal um mapa astral que me dá detalhes da minha relação com meus pais durante a infância e de como isso possivelmente afetou minha vida adulta nos campos A, B e C, e que falou isso como se fosse a psicóloga da minha família?
Cético em relação às suas declarações, comentei:
Estatístico que sou, gostaria de fazer dois testes com mapas astrais.
O primeiro tu já fez, que foi uma descrente receber o próprio mapa astral, analisá-lo e ver se as coisas batem ou não.
O segundo, que não tenho conhecimento se foi ou não realizado por alguém, seria um crente receber o mapa astral de outra pessoa, e ver se as coisas também batem.
Na verdade, os dois testes deveriam ser feitos com um tamanho amostral maior (pelo menos umas 30 pessoas de cada grupo), para termos propriedades estatísticas melhores.
No meio da conversa apareceu Marcelo Del Debbio, um famoso estudioso do ocultismo, que possui uma extensa lista de participações em sociedades de pessoas ligadas a estes temas que não-iluminados como eu não compreendem. Disse ele:
Marcus
Estamos fazendo isso. Comecei com meu sócio, que é um ateu-descrente total, mas fã de Formula-1, que eu odeio.
Ele reuniu para mim a lista de datas de nascimento/local dos 100 pilotos que já venceram uma corrida (ou seja, não basta ser piloto, tem de ser Bom no que faz) e estamos fazendo o levantamento dos planetas/signos de cada um…
temos gente com intervalo de nascimento de 50 anos, de tudo que é país imaginável, ou seja, uma variação enorme de pessoas cuja caracteristica unica é ter vencido uma corrida de F-1Em seguida, fazemos o levantamento estatistico de todos os planetas/signos… se a Astrologia não influencia nada, teremos 1/12 para cada planeta/signo (lembrando que são 1.000 planetas/signos: 10 planetas x 100 pilotos)
Se influenciar, teremos desvios ai… e eu já adianto que espero achar muito Áries, Escorpião e Capricórnio… e pouco Touro, câncer e Peixes.
Vamos ver o que acontece.
Grifo meu.
Isso foi em 14 de abril. Até hoje não havia uma resposta para o questionamento por ele levantado, talvez por sua falta de tempoa para lidar com assuntos mais exatos.
Bem, até hoje.
Estatística
Aqueles que não desejam saber a ciência usada para que eu chegasse à minha conclusão podem pular para a seção Análise.
Em Estatística há o que chamamos de testes de hipóteses. A grosso modo, estes testes servem para nos ajudar a decidir se o(s) parâmetro(s) de interesse de alguma variável aleatória são de fato o que suspeitamos.
Trocando em miúdos: pensem numa moeda. Se eu jogar ela para cima uma vez e cair cara, posso concluir que toda vez que a jogar o resultado será cara?
Claro que não. Preciso de um tamanho amostral maior para concluir algo.
Digamos então que eu jogue esta moeda 10 vezes. Destas 10 vezes, obtive 7 caras e 3 coroas. Posso afirmar que esta moeda é desonesta, isto é, que a probabilidade de dar cara é maior que a de dar coroa?
Eu não afirmaria isto, pois ao lançar uma moeda honesta, a chance de termos exatamente 5 caras em 10 lançamentos é de apenas 24,6%.
O ideal, tanto de acordo com nossa intuição como com a Lei Fraca dos Grandes Números, seria lançar a moeda infinitas vezes, pois quanto mais a lançarmos, mais próximos estaremos do valor exato da probabilidade de cada face.
Mas isso nem sempre é possível, seja pelo custo envolvido ou pela falta de dados.
Mas então, como proceder?
É aí que entram os testes de hipótese. Eu posso afirmar que a probabilidade de dar cara é igual a probabilidade de dar coroa – em notação matemática, P(cara) = P(coroa) – e fazer um teste pra verificar a veracidade desta afirmação.
Assim, é possível tirar conclusões sobre as propriedades de amostras finitas de maneira bastante acurada.
Para este tipo de problema, verificar se as probabilidades (ou proporções) de uma amostra são todas iguais, o ideal é utilizar o Teste Χ2 (lê-se qui-quadrado).
Análise
Tendo a base científica, vamos à análise.
Como base de dados, utilizei a Lista de Vencedores de Corridas da Fórmula 1 disponível na Wikipedia. As datas de nascimento dos pilotos foram todas obtidas no mesmo website, versão em português, sempre que disponível. No total, são 101 pilotos, distribuídos por 12 signos diferentes. Pode parecer uma maneira simplória de separar os pilotos, sem levar em conta ascendentes, luas e afins, mas eu precisava de um critério que mantivesse, pelo menos, cinco pilotos em cada categoria, para que o Teste Χ2 pudesse ser utilizado. Meu tamanho amostral era de apenas 101; por isso, o não tão grande número de categorias.
Assim, o resultado do número de pilotos por signo ficou sendo
Aquário: 7
Áries: 12
Câncer: 14
Capricórnio: 10
Escorpião: 7
Gêmeos: 6
Leão: 6
Libra: 9
Peixes: 8
Sagitário: 6
Touro: 7
Virgem: 9
Para esta análise, a ordem dos signos não importa. Optei pela alfabética porque ficou mais fácil para eu contar os resultados de cada signo desta forma. A planilha utilizada para tal está aqui.
Sabendo que 101/12 = 8.42, os resultados para Áries e Capricórnio, com 12 e 10 pilotos respectivamente, estão mais altos que o esperado, como o Marcelo previu. Já Escorpião, que, segundo ele, também deveria ser alto, decepcionou, ficando em 7 e bem distante de seus já citados pares.
Por outro lado, Touro, Câncer e Peixes não são tão baixos como esperado. Aliás, nenhum dos três signos possui o valor mínimo de ocorrências (6, atingido por Gêmeos, Leão e Sagitário, signos sequer citados por ele). Inclusive Câncer, que segundo o próprio Marcelo, teria energias mais voltadas para o aconchego (nurturing) do que para a disputa, significando que teria um dos piores resultados, foi o signo com o maior número de pilotos vencedores! 14 no total.
Mas estes números sozinhos não dizem nada. Precisei fazer o já citado Teste Χ2 para tirar alguma conclusão. As hipóteses que testei foram
H0: os signos têm a mesma proporção de pilotos vencedores (é o que eu acho)
HA: pelo menos um signo tem proporção de pilotos vencedores diferente dos demais (é mais ou menos o que o Marcelo defende)
Vejam bem: eu não estou testando que todas as proporções de pilotos vencedores em cada signo são diferentes entre si. Note que se apenas uma delas for diferente das demais, não importando qual, a minha hipótese de proporções iguais entre os signos cai por terra.
Como o método científico exige, eu devo relatar todos meus passos paque que meu experimento seja replicado por quem quiser. Para realizar o teste, utilizei o R, software estatístico gratuito disponível para Windows, Linux e Mac OS. Com ele instalado, foi só rodar os comandos
> signos=c(7,12,14,10,7,6,6,9,8,6,7,9)
> chisq.test(signos)
e receber o resultado
Chi-squared test for given probabilities
data: signos
X-squared = 8.4257, df = 11, p-value = 0.6747
Com p-valor=0.6747, não podemos rejeitar H0. Ou seja, a 5% de significância (ou seja, com 95% de certeza), as proporções de pilotos vencedores em cada signo do zodiáco são iguais.
Conclusão
Para reforçar o que foi dito na seção anterior, não há indícios estatísticos que o signo dos pilotos de Fórmula 1 influencie na sua habilidade em dirigir.
Isso quer dizer que eu provei que a Astrologia não funciona? Claro que não. Eu sou um cientista e não faço este tipo de afirmação leviana. O que encontrei foi um caso no qual, através de um ferrramenta estatística bem conhecida, fiz uma experiência bem definida que concluiu o oposto daquilo que foi alegado pelo astrólogo. Ou seja, pelo menos com o exemplo proposto pelo Marcelo, não há indícios de que Astrologia funcione.
Como complemento, recomendo que leiam Pensamentos sobre Astrologia: fato ou desejo de acreditar?. É outro texto longo, mas o Newton esmiúça, sob um olhar cético, um mapa astral feito especialmente para ele.
42 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Ah, mas vc não considerou os ascendentes dos pilotos!
Astrologia só dá certo e funciona para quem quer acreditar mesmo.
Eu sei que o artigo é sobre a estatística de um determinado campo, mas os astrônomos tem várias teorias bem interessantes sobre astrologia, valeria a pena conferir.
Bah, com um valor-p desse tamanho, falar em 5% de significância é sacanagem! :D
Baita post.
Estas de parabens pelo post! Gostei muito da parte em que tu explicas testes de hipotese, e como salientas que todos os passos devem ser mostrados para que o experimento possa ser replicado.
[]s
Joana
P.S.: Acredito bastante em Astrologia, talvez porque nao domino estatistica. Fui enganada por isso aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=kLmzxmRcUTo
Existe algo chamado Efeito Forer, que, a grosso modo, diz que as pessoas tendem a aceitar descrições generalizadas como específicas para si com um mínimo de evidência favorável, desconsiderando toda a evidência contrária.
Por exemplo, diz-se que signo X gosta de café e acordar cedo. Fulano gosta de café e acorda cedo. Fulano, por acreditar em astrologia, passa a acreditar que não só acorda cedo, como gosta de fazê-lo, dando assim mais uma confirmação para sua crença na astrologia.
Outro exemplo é o dos horóscopos diários (que, por si só, são uma afronta à matemática. Dizer que meio bilhão de pessoas por dia terá um dia igual entre si é ridículo). O horóscopo de um signo X diz, e.g. “Tenha cuidado com seus inimigos”. Fulano acredita em horóscopos diários, mas não encontra nenhum inimigo durante seu dia. Conclui que isso foi graças a ter lido seu horóscopo de tomado cuidado com seus inimigos.
Não sou estudioso de astrologia muito menos de estatística, mas o pouco que sei me leva a concluir que sua análise com base apenas nos signos solares dos pilotos acaba sendo insuficiente, já que um mapa astral analisa n possibilidades de posicionamento entre os “astros” e muitas vezes uma conjunção ou um ascendente assume maior influência na personalidade do indivíduo do que o próprio signo solar.
Ronaud,
conforme eu escrevi no texto,
Consiga-me um conjunto de dados maior, que seja uma amostra aleatória, onde haja pelo menos 5 pessoas em cada categoria, e eu posso fazer um outra análise.
análise interessante
somente alguns pontos:
1) só para ser chato, seria melhor “Aqueles *que já sabem ou* não desejam saber a ciência (…)”
2) mesmo que alguma correlação fosse encontrada, não se poderia atribui-la aos signos
in fact, tava lendo hoje mesmo uma reportagem da superinteressante (como sempre, não muita científica) e colo aqui um trecho: http://www.picamatic.com/view/3613818_mes/
Marcus,
Para resolver o problema de menos de 5 valores em cada categoria tu pode fazer o teste exato de Fisher. No R é com o comando fisher.test(). A interpretação (e a maneira de entrar com os dados) é a mesma que a do Qui-Quadrado.
[]‘s
Bom dia!
Não sei se vc conhece, mas esse site reúne pesquisas que comprovam a ineficácia da astrologia: http://www.projetoockham.org/pseudo_astrologia_6.html
Particularmente, acredito que tal pseudociência representa uma cresça que só faz sentido em países subdesenvolvidos ou entre pessoas de baixa escolaridade.
Caramba, estranho que o Marcelo não mencionou que eu venho echendo o saco dele para conduzirmos um experimento sério a esse respeito já há mais de um ano, mas ele não concordou com o protocolo que sugeri, baseado em testes já realizados sobre astrologia.
Parabéns pelo experimento! Muito bom.
Estou seguro, no entanto, que se alegará que “considerar apenas o signo solar é errado” e tudo mais. Penso que é uma indicação clara da pseudociência, com justificativas ad hoc.
Vale um adendo mais sério, contudo. Há alguns anos, o astrólogo francês Gaucquelin conduziu análises com metodologia similar à adotada no experimento aqui, e descobriu resultados estatisticamente significantes. O CSICOP buscou refutar tais resultados, mas para grande surpresa (e após um grande imbróglio), acabou tendo que conceder que havia sim um tênue mas significante desvio estatístico, mesmo com um grande espaço amostral.
Novas anállises deveriam ser feitas, ou por outro lado, a época do ano em que se nasce sim pode influenciar carreiras (existem as estações do ano), o conhecimento sobre astrologia pode levar uma parcela da população a profecias auto-cumpridas, etc., há várias possibilidades prosaicas que poderiam ser estudadas.
Fato é, contudo, que as análises relacionadas a Gaucquelin são uma exceção. Diversas outras abordagens diferentes chegaram aos mesmo resultados que você: astrologia não funciona.
E é justamente o que acontece quando leigos se metem a estudar o que não fazem a menor idéia do que estão fazendo.
mas adorei o seu estudo. Ele vai servir justamente para demonstrar COMO os céticos erram feio sempre que tentam se meter a estudar a Astrologia levando em conta apenas o Signo solar hehehe
O levantamento Astrológico sério leva em conta TODOS os planetas, ou seja, são 101 pilotos vezes 10 planetas, ou uma base de 1010 planetas/signos correlatos. Refaça o seu estudo para estes dados e verá o que já encontramos… por enquanto, seu estudo está errado.
Muito obrigado.
Del Debbio, se vocês já encontraram algo, porque não demonstram?
Afinal, você que está fazendo uma proposição, portanto cabe a você prová-la, e não aos outros desprová-la.
Aliás, tenho uma proposta melhor: Marcus, você não gostaria de fazer VOCÊ a análise estatística dos dados? Está tudo sendo compilado em planilhas de excel; os astrólogos que estão fazendo todos os mapas não fazem idéia de que tipo de mapas eles estão calculando (temos vencedores do premio nobel de fisica, astronautas, corredores de F-1 e generais brasileiros por enquanto). Eles recebem apenas datas e locais.
Ter um “cético ateu descrente” como estatístico será muito bem vindo!
LemOn, estou plenamente ciente de como a ciência ortodoxa funciona. Vários dos colaboradores são Mestres/Doutores (em áreas obviamente não relacionadas com ocultismo) na USP/Unicamp e estão muito bem familiarizados com a formatação acadêmica. Estamos seguindo todos os procedimentos necessários.
Na verdade, só enviei este comentário porque o Marcus acabou “atravessando” a pesquisa com signos solares (a “astrologia de revista capricho”) e o Mori retransmitiu para Deus e o mundo como sendo “mais uma refutação da astrologia”, embora eu já tenha dito umas duzentas vezes para ele que TODOS os papers envolvendo astrologia que estão publicados na net usam APENAS signos solares em suas estatisticas, o que invalidaria todos eles. Não é um argumento ad hoc, é uma PREMISSA da Astrologia Hermetica. Dividir as pessoas em 12 castas é simplesmente ridiculo e absurdo. Eu também já havia comentado isso com ele antes e entendo que os pesquisadores acabam testando o que as pessoas acham que é a Astrologia, não o que ela realmente é.
http://www.deldebbio.com.br/index.php/2009/03/13/analisando-um-mapa-astral/
Del Debbio, de qualquer forma, até que exista um estudo mostrando evidências da astrologia, espero que você concorde comigo que, cientificamente, essa hipótese tem a mesma validade da hipótese da existência de fadas, duendes ou de que existe um bule orbitando Marte.
Você pode não fazer esse tipo de “afirmação leviana” e se deixar ser submisso a contratos sociais arcaicos e um “código da ciência”, mas existe o bom senso. Com TANTA evidência em mãos, não só o teu teste, fica evidente que astrologia NÃO funciona. É efeito Barnum sempre. Sempre.
E esse del debbio adora enrolar, falar de coisas obscuras, mas no final é tudo baboseira. Todos sabem. Está na hora de nos livrarmos dessa “educação tolerante” dos céticos.
Só mais uma questão para o Del Debbio:
Existe uma forma de desrelacionar a data/período de nascimento com as previsões astrológicas? O que quero dizer é que eu não descarto (embora não tenha nenhuma razão para acreditar) que é possível que pessoas que nasçam em Janeiro-Março tenham, por exemplo, mais chances de serem mais inteligentes.
Mas mesmo que isso for verdade, pode ser somente por causa do mês de nascimento (como exemplo cito o link que postei acima da reportagem da superinteressante) e não qualquer relação com astros.
Portanto, é preciso tomar cuidado para identificar os reais motivos das causas.
PS 1: Eu acho que essa sua pesquisa vai mostrar o que qualquer cientista sério já imagina (até porque você não deve ser o primeiro a fazer esse tipo de pesquisa… e, se algo fosse comprovado, você já estaria esfregando isso na nossa cara), mas me diga: e se realmente não for encontrada nenhuma relação? Gostaria de saber como você agiria nesse caso; você conseguiria abandonar suas convicções, como qualquer bom cientista faria?
PS 2: você fala de “ciência ortodóxa”. Tudo bem, pode falar. Você pode até duvidar do que você chama de “ciência ortodóxa” mas, por favor, seja consistente. Ou seja, se você duvida da “ciência ortodóxa”, não tome remédios, não vacine seus filhos, etc. pois a eficácia desses métodos não é provada… na maioria das vezes é “somente” estatísticas, em experimentos bem realizados, que servem como evidência para os resultados.
Só para finalizar:
http://en.wikipedia.org/wiki/Astrology#Astrology_and_science
http://www.astrosociety.org/education/astro/act3/astrology3.html#defense
Hmmm tenho que dizer que sim já discutimos bastante, mas já disse para o Marcelo que há vários estudos sobre astrologia em que os astrólogos puderam se valer das técnicas astrológicas, de complexidade e sofisticação que quisessem… e ainda assim falharam. Isto é, a desculpa de que não há testes da astrologia “de verdade” não é válida.
Também preciso dizer que conversamos sobre um protocolo de experimento, e propus um que levaria em conta diversos problemas comuns a tais testes — como validação subjetiva, vazamento de informações e afins — mas o Marcelo não aceitou! Anexo a proposta ao final. Ficamos de discutir como ajustá-lo de forma que aceitasse… mas ficou nisso mesmo.
Pelo visto o amigo Marcelo está levando à frente o “experimento” de analisar mapas astrais de figuras famosas, o que ainda que seja interessante e simples, é algo repleto de problemas! Qualquer acadêmico, e mais, qualquer pessoa familiarizada com os estudos já feitos sobre astrologia veria as vulnerabilidades da metdologia e como as conclusões podem depender nesses casos muito mais de artefatos e falhas do que de efeitos reais.
Buscar um protocolo em que a interferência tanto dos testados quanto dos condutores do experimento seja mínima ou mesmo impossível, mas ainda assim possa testar exatamente a alegação em questão — a precisão de mapas astrais — é praticamente mais importante que o experimento em si.
Lamento que o experimento esteja sendo conduzido sem tais preocupações. Também lamento que o CeticismoAberto e outros grupos independentes não tenham sido envolvidos em tal. Um experimento sobre astrologia desenhado e promovido por astrólogos não será tão interessante, imagino.
- – -
PROPOSTA
- Com 20 sujeitos;
- Com idade entre 30 e 60 anos;
- Com alguma característica pessoal forte (assassinos, filósofos,
cientistas, artistas, etc..);
- Fornecerão data, hora e local de nascimento. Precauções serão
tomadas para que os dados, incluindo horário, sejam acurados.
- Os sujeitos deverão ainda responder a um questionário de até vinte perguntas:
– Dez perguntas de múltipla escolha definidas pelo astrólogo,
– Cinco perguntas dissertativas definidas pelo astrólogo,
– Até cinco perguntas de múltipla escolha e/ou dissertativas
adicionais definidas por mim.
- O questionário será discutido e definido de antemão sobre sua
propriedade. Não se pode perguntar, por exemplo, qual seria o signo do
sujeito (!). Profissão, estado civil e afins, contudo, seriam questões
válidas, a critério do astrólogo.
- O astrólogo deverá inicialmente fornecer o perfil esperado com base
em cada conjunto de dados de nascimento _antes_ de lhe serem mostrados
os questionários preenchidos pelos sujeitos. Isto é, fará os “mapas
astrais” de cada sujeito baseado unicamente em seus dados de
nascimento, e irá preencher os vinte questionários baseado unicamente
neles. Nas questões dissertativas, irá comentar o que achar
apropriado.
- Depois de enviar os mapas atrais e os questionários preenchidos com
base nos dados de nascimento, o astrólogo receberá finalmente os
questionários preenchidos pelos sujeitos. Deverá então
correlacioná-los com os dados de nascimento, e fornecer justificativas
para tal correlação e a eventual discrepância com os questionários
preenchidos inicialmente por ele.
- Ao final, serão analisados seus acertos e erros e sua significância
estatística.
—
Marcelo,
a tua afirmação de que meu estudo serve para demonstrar COMO os céticos erram feio sempre que tentam se meter a estudar a Astrologia levando em conta apenas o Signo solar é falsa. Eu fiz justamente o que tu propuseste nos comentários do post em questão: analisar se seria verdade ou não que 1/12 dos pilotos que já venceram na Fórmula 1 são do mesmo signo ou não.
Concluí que não. Como justifiquei no texto, seria impossível, com tamanho amostral de 101 pessoas, ter mais categorias do que já tenho. Note que afirmei ter sido simplório na classificação dos pilotos. Se houvessem mais pessoas disponíveis, aí sim seria possível utilizar formas mais precisas de separá-las em categorias mais específicas.
Reitero: da maneira com o teste foi proposto por ti e dentro das limitações das ferramentas estatísticas disponíveis, o teste está perfeito. Não há como ser mais completo. Inclusive, a minha conclusão foi bastante clara: no caso específico dos pilotos de Fórmula 1, não há como determinar influência alguma do signo (solar, que seja) na capacidade dele vencer. E, a não ser que eu tenha entendido errado, pelo menos no caso do número de pilotos por signo, os resultados que encontrei, apenas contando o número de pilotos vencedores por signo (solar), é diferente daquilo que tu afirmaste no post em questão.
Agora, se tu tens uma base de dados maior, que seja realmente uma amostra aleatória, pode me enviar. Eu terei o maior prazer em analisá-la e ver o que é possível ser concluído a partir dela.
Mori:
1) Você está disposto a aceitar a hipótese como verdadeira com qual valor de p? Eu acho 0,90 bem razoável já, embora 0,95 me convenceria mais. :)
De qualquer forma, eu acho improvável que passe de 0,80.
2) Por que não fazer o inverso?
Pegue 20 sujeitos, faça o mapa astral deles e entregue corretamente o de 10. Dos outros 10 misture e entregue errado (esse seria o grupo de controle). E ai compare o resultado.
Se você quiser poder ter algum embasamento científico real, sugiro usar pelo menos 40 indivíduos.
A propósito, se houver um problema de custos, eu estou disposto a fazer uma aposta:
Se for confirmado que astrologia influencia com p=0,90 eu pago R$ 500,00. Caso contrário, quero apenas R$ 100,00.
Alguém topa?
Lemon!
1) Considerar a hipótese como merecedora de mais estudos: p>0,90. Considerar a hipótese como verdadeira? p>0.99999999999999999999999999999999999999 :-D
Tem as críticas do Victor Stenger sobre a relevância estatística na análise de alegações do paranormal, muito boas.
2) A proposta que eu enviei era apenas o início… Bolamos coisas mirabolantes para os sujeitos, incluindo essa idéia perversa que você mencionou, e mecanismos de controle muito chiques, incluindo criptografia, por exemplo, os astrólogos receberiam todos os dados associando as datas e as pessoas, com o detalhe de que estariam criptografados. Eles só seriam abertos ao final do experimento, garantindo para todos que os dados não foram manipulados por malignos céticos responsáveis pelo teste. :-)
Amigo, achei bastante interessante sua narrativa sobre astrologia, eu tb não acredito, mas dizer que os astros não influem em nada na terra é bricadeira, a lua, é que move os mares e a própria terra, estabilizando o eixo de rotação da terra, responsável pelas marés. e tem mais, a lua caro amigo as placas tectonicas que se movem com relativa rapidez, e contribui para que tenhamos continentes e grandes mares, enfim a lua é chega a ser responsável pela nossa existência,isso é o que dizem grandes cientista, e, tinham razão os antigos quando a veneravam, ela é uma grande benfeitora da terra, devemos amor a este astro maravilhoso, e existem milhares de outros fatores pelos quais devemos a lua a nossa existência, um grande abraço sr. que se intitula cientista,
estrelinhacadente-estrelinha.blogspot.com
Cara estrelinha, em nenhum momento eu desqualifiquei a astrologia, muito menos a ASTRONOMIA. Se tu leres minha conclusão com atenção, vai notar que eu disse que os signos solares não interferem na capacidade de um piloto de Fórmula 1 ser um vencedor. Apenas isso.
nossa, estrelhinha ou não leu o texto ou tem sérios problemas de interpretação…
Parabéns Marcus, ótimo texto.
Fico no aguardo dos estudos feitos com o auxílio dos “profissionais” da astrologia :)
Meus caros,
Este ceticismo só pode ser fruto de extrema má-fé. Eu mesmo já me deparei com as forças do oculto, negadas pelo típico Sr. Cidadão Burgues Moderno. Apesar de não se relacionarem com a grande arte da ASTROLOGIA (é ridículo supor que a astrologia só trabalhe com os 12 signos, como já nos disse muitas vezes TODOS os astrólogos que trabalham nesta seção nos jornais), lembro de dois casos específicos:
1- O extremo ceticismo em relação aos médiuns. Como pode ser? Eu mesmo já conheci uma Médium!!!! Esta me acolheu em sua casa ao lado de suas agradáveis irmãs (a Large e a Small).
2- Os supostos modernos também não acreditam (ou ganham para não acreditar) em fenômenos como o Triângulo de Bermudas. Mais uma vez, uma experiência pessoal me fez ver a verdade. Estava eu em casa pulando de canal em canal (fugindo das apelações sexistas que nos perseguem) quando me deparo com um QUADRADO DE CUECAS!!!! Ainda me lembro de seu nome, BOB ESPONJA!!!!!
É claro que este ceticismo mal-intencionado seria desmascarado. Eu me pergunto por quanto tempo ainda viveremos subjulgados por esta elitizinha internacional.
Um grande abraço.
PS: Daqui a pouco, este blog começará a defender que a terra é redonda ou que o homem efetivamente chegou a lua. Mais uma vez, eu pergunto: SERÁ UMA EXTREMA INGENUIDADE OU UMA MÁ-FÉ EFETIVA?????? Os leitores devem decidir.
Conclusão do estudo : uso UNICAMENTE do SIGNO SOLAR em VENCEDORES DE FÓRMULA 1 não aponta características em comum.
Logo, o estudo não desqualifica a astrologia, mas apenas um aspecto desta ( a famosa previsão de jornal que fica ao lado do setor de quadrinhos :-) para um tipo de profissional.
Sobre tua idéia de estudo, Mori, achei bem interessante, mas :
– 20 pessoas não é um N meio baixo (apesar do auto número de perguntas)pelo alto número de combinações zodiacais ?
– o mais adequada não seria, de acordo com a maioria das escolas astrológicas sérias, prever o grau de satisfação em cada área de ação de acordo o mapa?
– e o problema dos voluntários “mentirem” por questionário (não por “maldade”, mas por tendenciamento ou medo de revelar informações ou interpretação incorreta da questão) ?
Esse útimo é um super-problemas em qualquer questionário que se faça pra qualquer pesquisa ( o melhor exemplo é quando queremos saber habilidade de um grupo de profissionais num determinado campo pra poder fazer um treino específico e a maioria mente com medo de ser uma forma de argumentar pra despedir o cara por inconpetência).
@luiz
E o que foi que eu escrevi na conclusão, bonitão? Tu é como a estrelinha, que só leu o título do post? Ou é um papagaio, que tem que repetir o que já está escrito no post e nos comentários?
Oi Luiz,
Respondendo:
“20 pessoas não é um N meio baixo (apesar do auto número de perguntas)pelo alto número de combinações zodiacais?”
É sim um N baixo, embora o “alto número de combinações zodiacais” não seja tão relevante assim (como insisto para o Marcelo, tanto fez tanto faz de que forma ele irá realizar o que ele considera ser “astrologia”, pode tanto considerar apenas o signo solar como levar em consideração um número infinito de combinações de variáveis).
O problema é que pela proposta, o astrólogo deverá analisar o dobro deste número de mapas astrais, a primeira parte derivando os mapas a partir dos dados natais, a segunda parte fazendo o inverso. Ou seja, o Marcelo teria que trabalhar com pelo menos 40 mapas astrais com 20 questões.
Claro que quanto mais sujeitos melhor, depende apenas da disponibilidade do Marcelo e/ou dos astrólogos que acitarem participar da proposta. Eu a fiz no ano passado, mas o Marcelo ainda não a aceitou nem com 20 sujeitos. Ficamos de discutir melhor, mas só agora fiquei sabendo que ele já participa de outro estudo que já vem sendo feito há mais tempo.
“- o mais adequada não seria, de acordo com a maioria das escolas astrológicas sérias, prever o grau de satisfação em cada área de ação de acordo o mapa?”
O problema é que essa metodologia está extremamente vulnerável a todo tipo de vazamento de informações. Idealmente nem o astrólogo nem os sujeitos devem poder saber se as informações com que estão lidando estão realmente relacionadas com a astrologia. Outro enorme problema é a validação subjetiva. Por isso o questionário proposto lida com pelo menos metade de respostas de múltipla escolha, em que o acerto ou erro será avaliado de forma objetiva.
“- e o problema dos voluntários “mentirem” por questionário (não por “maldade”, mas por tendenciamento ou medo de revelar informações ou interpretação incorreta da questão) ?”
Esse problema realmente existe, por isso mesmo permitiremos que o astrólogo formule a maior parte das perguntas. Se a astrologia realmente é uma forma de auto-conhecimento tão eficiente, não deveria ter desenvolvido técnicas fabulosas para lidar com a forma como as pessoas possam responder a perguntas sobre si mesmas?
Mas, sem ser tão pedante, o problema é praticamente insolúvel, e ao permitir que o astrólogo formule as perguntas, e possa se centrar em questões que tenham respostas objetivas, damos mais chances de que tenha sucesso.
Se você analisar bem a astrologia, verá que a de “horóscopo” é facilmente refutável, como foi refutada no bom experimento deste post, bem como em inúmeros outros publicados em diversos periódicos revisados por pares. Ao contrário do que o Marcelo alegou, contudo, mesmo outros tipos de astrologia mais sofisticados também já foram analisados e também foram refutados, incluindo o estudo que utilizamos como base para a proposta que sugerimos.
Essa astrologia mais “sofisticada”, com mapas astrais longos, repletos de nuances permitindo aos astrólogo interpretações das mais diversas, é um prato cheio para a validação subjetiva. Torne o teste cego e os efeitos somem.
Claro, quando escrevi “refutado”, rigorosamente quero dizer “não foi constatado”. Não é possível provar a negativa, “astrologia não funciona”, principalmente quando cada astrólogo tem sua própria definição de astrologia. Mas sim podemos indicar que todas as formas de astrologia testadas com rigor falharam em demonstrar suas alegações.
Mori. Agora fiquei curiosa. Teria como vc citar pelo menos uma referência que refuta o horóscopo? (ou uma que não refuta, se existir alguma?)
“Simbolicamente, cada Planeta reflete um aspecto da Árvore da Vida dentro de cada pessoa. Para compreender a Astrologia, então, é necessário um conhecimento da kabbalah e o que cada sephira representa dentro do Mapa de Estados de Consciência Humana (ou seja, o Astrólogo também precisa estudar a fundo psicologia). E aqui começa o real problema da Astrologia: VOCABULÁRIO.”
Tirado de: http://www.deldebbio.com.br/index.php/2009/03/13/analisando-um-mapa-astral/
Sou estudante de psicologia e digo que se a astrologia funcionasse como esse rapaz mago-escritor diz, usaríamos para facilitar pelo menos 90% do trabalho de um psicólogo. Uma outra coisa a se notar é a incapacidade desse astrólogo mago-escritor escrever algo sem partir pra termos e explicações desconhecidas/complexas, dificultando o entendimento.
Olha, me pareceu bem claro o que o Marcus (doravante denominado estatístico) quis mostra no post dele, apesar do “título sensacionalista”. Ele pegou uma afirmação/suposição (fica dúbio no texto do Marcelo [doravante denominado astrólogo]) feita por um astrólogo e refutou baseado na insólita ciência oculta da estatística.
Mas vejamos isso: “…Meu sócio cético acha que vai ser 1/12 para cada signo!!!”. Logo, segundo o astrólogo, de alguma forma existe uma subdivisão em 12 grupos que não deveria ter uma distribuição uniforme. Independente do número de combinações de planetas e signos fica claro que aqueles signos que a gente coloca nome de bichinhos (mitológicos ou não) têm influencia na capacidade de vencer dos pilotos, pois: “…eu já adianto que espero achar muito Áries, Escorpião e Capricórnio… e pouco Touro, câncer e Peixes.”
O astrólogo afirmou que o estudo do estatístico está errado e deve ser refeito, pois o mesmo não levou em conta: “…TODOS os planetas, ou seja, são 101 pilotos vezes 10 planetas, ou uma base de 1010 planetas/signos correlatos.”. Seja lá o que for isso, em um dado momento do processo “astrologistico” essa informação tem que ser subdividida nas 12 categorias com nomes de bichinhos, já que isso influência na capacidade de vencer como o astrólogo afirmou. Considerando que a astrologia se considera uma ciência (presumo que exata) e a entrada do mapa astral é dada por um número finito de parâmetros (data, hora de nascimento,…) é razoável que exista um algoritmo/função que pode fazer essa subdivisão nas citas 12 categorias.
Podemos concluir que se o astrólogo passar para o estatístico esse algoritmo/função, ele pode recalcular todos os valores encontrados (inclusive de forma automatizada) e faz novamente o teste. Considerando que ainda existem 101 pilotos e 12 categorias o teste estatístico continua viável.
Tipo, falei m*rda ou faz algum sentido?
Tienen este articulo en espanol? me gustario leerlo….
No lo tengo =(
um pouco atrasado…
curupira: eu não tenho
também não tenho nenhuma referência que refuta a existência de fadas, e nunca precisei disso para não acreditar nelas.
A ciência funciona ao contrário. Se quem segue astrologia quer que acreditem nela, eles é que tem que provar.
Sugestão Marcus: não te deixes enganar, embora estejas agora no dept. de estatística, tu és matemático de nascença, então por que na parte estatística tu não enuncia a WLLN (Weak Law of Large Numbers, o CLT (Central Limit Theorem, obrigatório já que o teste exige normalidade) e aproveita também e enuncia o Teorema Ergódico de Birkhoff, daí você já faz uma média com o Artur? (descupem, só quem já fez Processos estocásticos com ele entendeu a última)
Guilherme, meu público não se interessaria por isto.
mmm me ha gustado mucho la informacion, lastima que no se portugues, aunque algunas cosas las he entendido, felicidades y saludos!!!
Não sei se te elogio pelo texto, constato que seu tempo não é tão ocupado quanto eu pensava ou fico feliz porque entendi tudo o que cê fez, hahaha! (:
Aliás, não duvido nada que os astrólogos que não são da turminha dos “charlatães de rua” usem essas probabilidades. Who knows.
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