Alguns filmes são atemporais. Não importa se lançados há décadas ou na semana passada, sempre despertarão interesse, mesmo depois de anos. Um Corpo Que Cai e Os Infiltrados são filmes assim.
Já tem filmes que, olhando friamente, não são tão bons assim. O roteiro não é excepcional, a direção peca em alguns momentos, os atores não são perfeitos. Mas alguns destes filmes te pegam de jeito. Por exemplo, eu adoro Os Aventureiros do Bairro Proibido, filme de ação oitentista com o Kurt Russel no papel principal, mas tenho consciência que que não é um grande filme.
Um Beijo a Mais (The Last Kiss) é a melhor comédia romântica que assisti em 2007. De fato, é o melhor filme de amor que assisti em 2007. É fácil explicar porque: minha vida foi retratada nele.
Em geral, filme de amor tratam de pessoas “adultas”. Um Beijo a Mais trata de adultos também, mas daquele tipo de adulto como eu, que ainda não é bem… adulto. Ou que pelo menos ainda não se sente assim.
Como explicar isto? Bem, digamos que Michael, 29 anos, vivido por Zach Braff, tem tudo o que poderia desejar da vida. Um bom emprego, é amigo dos mesmos caras que cresceram com ele e é apaixonado (e correspondido) por uma garota linda. Até que ela engravida. Ele pira com isto, mas não no sentido de não desejar um filho. Ele pira porque parece que as coisas estão indo rápido demais, pois ele sente que ele ainda não está preparado para crescer.
Se crescer durante a adolescência é difícil, crescer e assumir as responsabilidades da vida adulta é ainda mais. Parece que algo está ficando para trás. Mesmo que tenhamos certeza das coisas que escolhemos, sempre pinta um dúvida, sempre parece que falta algo para completar nossa felicidade. Às vezes, estas dúvidas aparecem na forma de um outra garota.

Olha a Summer Roberts ali na esquerda!
No filme, esta garota é vivida por Rachel Bilson, a eterna Summer de O.C. Ela dá em cima de Michael e ele acaba cedendo, mesmo apaixonado pela namorada, com quem já mora junto. Cede por impulso, por burrice. Por medo de estar perdendo a vida, não aproveitando-a em sua plenitude. O que de fato não é verdade: com a atual namorada, ele tem tudo o que poderia desejar para seu futuro.
É a conversa entre o pai da namorada grávida e Michael meu diálogo favorito deste ano que passou:
- Que merda você estava pensando? Você ficou entediado?
- Não, sou apenas um idiota.
- Nisso nós concordamos e muito.
- Eu a amo, Stephen. Eu sei agora que a amo mais do que jamais amei alguém.
- Pare de falar de amor. Todo idiota no mundo diz que ama alguém. Isso não significa nada.
- Mas é a verdade.
- Continua não significando nada. O que você sente é apenas problema seu. É o que você faz para as pessoas que você diz amar que realmente importa. É a única coisa que conta.
Elvis já dizia, 40 anos atrás: a little less conversation, a little more action please.
E no fim, mais ação e menos palavras é o que realmente conta.

Anderson
Eu não vi esse filme pq as leis do bom cinema não me permitem estar próximo de coisas que tenham o nome ‘Paul Haggis’ nos créditos.
No entanto, vi o original italiano L’ULTIMO BACIO que é simplesmente divino. E realmente me bateu fundo essa coisa ‘generation Y’.
Comentado em 31.Jan.2008
Vica
Eu não classificaria esse filme de comédia. No final, eu chorei, chorei, chorei, porque me vi na pele da namorada traída, já passei por isso. Acho que é um drama, com momentos comédia. Gostei do filme, mas não veria de novo, porque foi muito dolorido.
Comentado em 31.Jan.2008
dagwood
Eu gostei mais daquele outro filme, em q ele contracena com a Natalie Portman. Fabuloso!
Comentado em 31.Jan.2008
Vanessa
adorei a frase do pai da namorada. resume exatamente o que penso sobre amor.
Comentado em 31.Jan.2008
marcus
Anderson, não conheço L’Ultimo Bacio. Vou procurar.
Comentado em 31.Jan.2008
marcus
Sério Vica? Eu não reagi assim, talvez porque tenha me visto no papel do Zach Braff…
Comentado em 31.Jan.2008
marcus
Puta merda, dagwood. Tô pra assistir Garden State há tempos mas sempre me esqueço… Vou ter que anotar isto em algum lugar.
Comentado em 31.Jan.2008
marcus
E não é, Vanessa? Fazer é muito mais importante do que dizer. Falar é fácil: difícil é todo o dia provar o amor ou fazer concessões por quem se ama.
Comentado em 31.Jan.2008
dagwood
Já vi 2x nos telecines da vida. E pretendo comprar o DVD assim q encontrar baratinho nas Lojas Americanas, rs. Abraços!
Comentado em 31.Jan.2008
Vica
Sim, era mais fácil que tu te colocasse no papel dele. Mas quando ela diz que estava tão triste como quando a avó dela tinha morrido, foi exatamente assim que eu me senti quando algo parecido aconteceu comigo: de luto. Eu achei muito triste mesmo.
Comentado em 1.Fev.2008