Três dilemas morais

Continuando com a discussão filosófica iniciada em Vale a pena acreditar em Deus? e A religião é apenas um apanhado de parábolas?, apresento hoje três dilemas morais. Eles ainda não têm solução definitiva e estão abertos às interpretações que quem os lê.

Dilema um

Um trem está vindo pelos trilhos e uu é o maquinista dela. Na tua frente, há um grupo de cinco pessoas em cima dos trilhos. Não há tempo de avisá-las que o trem está vindo, nem há tempo de pará-lo. Mas há uma bifurcação logo à frente e é possível desviar o trem. O problema é que há uma pessoa nos trilhos desta bifurcação.

E agora? É moralmente correto sacrificar a vida de uma pessoa para salvar a vida de outras cinco?

Dilema dois

Imagine agora um trem vindo pelos trilhos, mas desta vez tu não é o maquinista. Novamente, há cinco pessoas nos trilhos. Há uma plataforma entre o trem e as cinco pessoas. Nesta plataforma estão tu e uma pessoa gorda o suficiente para que, caso ela seja jogada dos trilhos, o trem acerte-a e pare antes de atingir as outras cinco.

E agora? É moralmente correto sacrificar a vida desta pessoa gorda, jogando-a nos trilhos do trem, para salvar a vida de outras cinco?

Dilema três

Neste exemplo, saímos da ferrovias e vamos para um hospital. Nesta hospital há cinco pacientes necessitando de transplantes. Um precisa de um coração, outro de rins, outro de pulmões, outro de fígado e outro de pâncreas. Há um homem saudável na sala de espera do hospital, compatível com todos os outros cinco pacientes.

E agora? É moralmente correto sacrificar a vida de uma pessoa para salvar a vida de outras cinco?

Conclusões

São três problemas complicados, que não têm uma solução simples. Pessoas diferentes respondem de maneiras diferentes mas, em geral, as respostas são as mesmas, principalmente nos casos 2 e 3.

Acho que cada leitor um pode ter as suas e escrevê-las (se quiser) nos comentários. As minhas eu darei na sexta, para evitar que vocês sejam influenciados por mim.

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20 comentários.

19 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Sandro, 20/8/08
    1

    No meu ponto de vista, em nenhum caso é moralmente aceitável sacrificar uma pessoa pelo “bem maior” de salvar as outras 5.
    Minhas razões para tanto são:
    1 – Já tem gente demais no mundo, salvar mais pessoas nao é um benefício tao grande assim, olhando um quadro mais amplo.
    2 – Se as pessoas estão paradas num trilho por onde pode passar um trem, fizeram sua escolha (consciente ou não) e devem arcar com suas consequencias . a pessoa no trilho que nao deve receber um trem nao deve ser exposta a esse risco. O mesmo com a pessoa gorda na plataforma.
    Já o caso das doações de orgãos é ainda pior. Ainda que a doenca de cada um dos que precisa de um orgao nao seja fruto de seu modo de vida, privar alguem de sua vida para salvar outra só é aceitável se for uma vontade consciente – tal qual o soldado que pula na granada para salvar os companheiros de trincheira.

  2. m4kin, 20/8/08
    2

    sobre o primeiro dilema, o outro sozinho no outro trilho tem culpa de algo? ele esta errado? quem esta na hora errada e lugar errado nao sao as 5? pois bem, isso é erro delas.

    a mesma resposta para a numero 2

    a 3, essas pessoas no hospital podem ter ferrado com o corpo qdo mais novos, poderiam ter uma genética nao tao boa, ou outros motivos, logo akela pessoa saudavel nao tem q pagar pelo azar ou erro dos outros.

  3. Alexandre, 20/8/08
    3

    Não vejo dilema algum nestas 3 situações.
    Situação 1:
    De um jeito ou de outro, você vai matar alguém. Eu seguiria o caminho normal do trem e 5 pessoas morreriam por estarem no lugar errado. Não mataria o inocente que estava no outro trilho, porque ele estava em um lugar onde não passaria um trem. Nesse caso, eu poderia ser acusado de ter matado 5 pessoas, mas o erro foi delas por estarem onde o trem sabidamente passaria.
    Situação 2:
    como podemos medir o valor de uma vida? Uma vida vale mais que 5? Não podemos medir nem julgar este tipo de coisa. Eu não mataria ninguém, deixaria as 5 pessoas onde elas estão, se elas morrerem, foi por culpa delas, mas eu não mataria a pessoa gorda.
    Situação 3:
    novamente, somente Deus pode julgar quem vive e quem morre. Se você não acredita em Deus, então não saberá o que é certo e isso será um Dilema moral. Para quem acredita em Deus, sabe que matar é errado. Eu jamais mataria uma pessoa saudável. As outras 5 pessoas morreriam, mas eu não teria nada a ver com isso, e sairia com a consciência limpa por não ter matado ninguém.

  4. 4

    A penúltima Super Interessante traz esses dilemas, junto com uma pequena nota sobre a diferença entre culturas… cada cultura tem a seu “conhecimento” sobre moral. Na revista é citado o caso de indígenas, que envenenam os bebês quando estes nascem gêmeos ou com problemas.

    Até onde é correto intervir? Eu acho que c* e vida, cada um cuida do seu.

    Se sacrificar uma minoria para beneficiar (ou salvar) uma maioria é certo, devemos concordar com a invasão dos EUA ao Iraque, ou com a galera que a polícia mata no RJ… ou não, e eu viajei legal. haha

  5. Jovas, 21/8/08
    5

    A respeito dos dilemas, o que eu faria:

    Dilema um: eu mataria as cinco. Porque é mais fácil uma pessoa se distrair — mesmo que seja de um modo muito bizarro como descansar num trilho com um tremilique frenético de trem avançando –, mas CINCO pessoas não terem atenção a ponto de morrerem dilaceradas é MUITA incompetência. Eu deixava o trem seguir seu curso.

    Dilema dois: continuo deixando as cinco morrerem.

    Dilema três: as cinco deram azar no ciclo vital, fazer o quê. É a vida.

    Sempre me pareceu que quanto mais vidas salvas e menos mortes, melhor.

    PORÉM, tudo pode ser esquecido como se é justo ou não, caso essas pessoas que estejam a ponto de se foder, sejam sua mãe ou algum parente próximo. Assim noção de certo e errado, SEMPRE vai depender.

  6. Alexandre, 21/8/08
    6

    Jovas,
    A noção de certo ou errado não muda. O que é certo e errado não depende. Se você decide matar uma pessoa inocente para salvar sua mãe, isto não estaria certo, seria errado igual. A diferença é que você estaria optando por fazer algo errado, mas você estaria fazendo algo errado mesmo assim.

  7. Alexandre, 21/8/08
    7

    Guilherme Serrano,
    “Se sacrificar uma minoria para beneficiar (ou salvar) uma maioria é certo, devemos concordar com a invasão dos EUA ao Iraque, ou com a galera que a polícia mata no RJ… ou não, e eu viajei legal. haha”
    A situação dos EUA no Iraque não é tão simples assim. Eles não estão matando pessoas inocentes para salvar outras pessoas inocentes. Eles estão matando assassinos e genocidas para livrar um país (e o mundo) destes. Eles estão tentando evitar que regimes totalitários matem milhões de inocentes.
    Matar inocentes para ‘salvar’ outros inocentes é o que a URSS e a China fazem, e é errado.

  8. Jovas, 21/8/08
    8

    @Alexandre
    Estaria fazendo algo que pra você é errado, mas que pra mim é certo. Enfim, depende.

  9. Alexandre, 21/8/08
    9

    @Jovas
    Que tal se eu quiser te dar um tiro na cara? É certo pra mim…
    E se pra uma pessoa é certo matar negros? É certo pra ela…
    “Enfim, depende”, e se depende, então pode tudo, desde que a pessoa tenha vontade e ache certo.
    Obrigado Jovas, pela iluminação, agora posso sair por aí matando gente com a consciência tranqüila.
    Fala sério.

  10. Jovas, 21/8/08
    10

    @Alexandre
    Eu não tô falando que isso é certo, amigão. Eu tô falando que dependendo da situação, algo que não é “certo”, pode se tornar para você. Como salvar a vida da mãe que te pariu, e mesmo matando uma geral, você ainda acha que aquela coisa que fez era a mais correta a ser feita.

    Mas como você foi o cara que no 3º comentário disse que esses dilemas morais, não são dilemas morais, acho que não vai entender bem o que quero passar.

    ENFIM, DEPENDE.

  11. Motta, 21/8/08
    11

    se eu tivesse visto essa perguntas à algum tempo atrás responderia que “não se deve escolher sacrificar a vida de ninguém jamais”.

    Mas hj em dia eu estou mais ciente do mundo e, consequentemente, mais filho da puta tb.

    pro dilema 1 a respota pra mim eh simples, sacrifico sim. Mesmo qndp resolvem por em escala maiores como 5milhos para um milhão. parece escrotice, mas a sobrevivencia de uma raça\povo se deve ao bem da maioria ;\

    já o 2 e 3 envolvem uma parada mais escrota neh. sacrificar alguemq tah numa boa. soh pelo bem de outros eh algo escroto, no caso 1 eh inevitavel matar alguem. já nos outros 2 casos acho q deveria deixar-se vivas o gordo e o cara saudavel, afinal os q estão em perigo sofreram de uma fatalidade e n acredito q temos o direito de sacrificar alguem em troca dos outros…

    uma logica eio escrota, mas fazer oq =P

  12. Hamilton, 21/8/08
    12

    Bom, precisamos levar em conta de que são apenas eventos e não possuem uma moral social. Também tem que ver que a moral invidual, é de cada um, certo? Então, vamos lá.

    Dilema 1: Sim, segundo que é a minha moral e estão em conta os meus valores, prefiro sacrificar o mínimo de pessoas possíveis. Não queria ter de sacrificar ninguém, só que é “melhor sacrificar 1 do que 5″. E eu poço escolher isso desviando o trem ou não, então eu esolho salvar o grupo.

    Dilema 2: Não, em momento nenhum deveria ser feito isso sem ao menos cogitar a opinião da pessoa gorda. Posso dar a idéia, mas quem vai praticar é ela. Tanto, que acredito não ter nenhum tipo de laço afetivo com nenhuma das outras 5 pessoas paradas no trilho, então só posso lamentar a fatalidade ou insistir que a pessoa gorda se jogue nos trilhos.

    Dilema 3: Não, ao menos que essa pessoa queira isso. Como não sou eu quem decido, não sou eu o médico, posso apenas tentar indicar outro tipo de solução para o problema. E eu não tenho vínculo pessoal com nenhuma delas, então, pra mim não passam de “pessoas”.

    Não é questão de acreditar em Deus ou não. São valores morais pessoais e coletivos que estão em jogo. Então, um muçulmano pode pensar totalmente diferente de nós, como um japonês, um índio… Se tivesse em conta o afeto ou relacionamento com alguma destas outras pessoas e também pudesse escolher, minhas respostas seriam outras. Como o Jovas falou, depende.

    É bastante complexo, mas acho que era isso. Eu preciso fazer aquilo que acredito pensar ser o mais feliz ou satisfatório para mim. Já que a minha moral é boa, nem que seja ao menos pra mim.

  13. Antonio F., 22/8/08
    13

    Darwin definiu a Seleção Natural a séculos, ela se aplica nos dilemas. Se vc está parado nos trilhos por onde vai passar o trem e ñ tem outro meio do trem evitar uma morte, vc q rodou, seja ligeiro ou morra! No caso dos paciêntes, podem ter mil razões para eles estarem doentes, não importa, ñ se sacrifica uma vida saudável por isso!

    @Guilherme Serrano

    A invasão do Iraque ñ beneficia uma maioria, e sim uma minoria! Antes da invasão a maioria da população vivia em paz, haviam problemas como fome pq o EUA tinha imposto sanções sobre o Iraque desde a Guerra do Golfo em 91. A guerra só beneficiou grandes empresas americanas armamentistas, petroquímicas e relacionadas. A população iraquiana não vivia num estado sem lei como agora! Mortes e estrupos em quantidades q nem Sadam conseguiria arquitetar! E o povo americano e iraquiano está pagando a conta, ou seja, a maioria se ferrou!

    @Alexandre

    As pessoas no Iraque ñ foram libertas e sim estão sofrendo um novo tipo de submissão escondida por traz do falso e irreal véu da “pseudo-democracia”. Submissão politica, economica e cultural perante os EUA, com de uma elite iraquiana, uma minoria, ainda assim ñ é liberdade. Os EUA mataram milhares de inocentes em Hiroshima e Nagasaki com duas bombas-A, para ñ falar nos bombardeios em massa na Alemanha, ainda na Segunda Guerra, além da invasão e/ou apoio de regimes totalitários em inúmeros países como Vietnam, Chile, Nicaragua, Argentina, Brasil, Panamá, Cuba(antes de Fidel era um puteiro americano). A URSS acabou em 1990, e a China foi “socializada” entre empresas americanas e o partido “do povo” chinês desde a década de 80.

    Estudem história! Não sou comunista, não gosto da URSS, Stalin, Fidel, muito menos da China, mesmo pq esses nunca foram comunistas de verdade, mal e porcamente simpatizavam com o socialismo! Agora o governo americano ñ é muito melhor, cometeu e ajudou a cometer genocídios, além de exercer totalitarismos como a “caça as bruxas” do Senador MacArthur. O povo americano assim como boa parte do mundo não aceitou a lavagem cerebral nazi-facista, mas aceitou a lavagem cerebral da pseudo-democracia americana e, o resto, a pseudo-socialista-comunista da URSS. São todos modos de submissão e exploração das populações, então parem de assistir Teletubbies e estudem de forma pragmática e ñ emotiva!

  14. gustavo, 22/8/08
    14

    1- Sim, foda-se…
    2- Não… acho que seria sacanagem demais pq o gordo ia sofrer pra caralho, ao contrário do cidadão do dilema 1
    3- Sim/Não O homem saudável é quem decidiria, não cabe a mim dizer…

    that’s it

  15. Nayara, 22/8/08
    15

    Richard Dawkins salva vidas! ahuahuahu

  16. Thiagão, 26/8/08
    16

    1- Não sacrificaria a pessoa q no outro trilho p salvar 5 idiotas q estão sabe deus oq fazendo na frente d um trem em movimento !
    2- Não mataria o pobre gordinho p salvar os mesmos 5 idiotas !
    3-Não o cara foi p hostital p fazer exame d protosta esta altamente tenso e querem alem d meter o dedo levar seus orgão vitais ,,,ehhehehehe … comprem 5 caixões !

  17. neto, 5/9/08
    17

    essas questões são parecidas com a que estavam na edição de julho da superinteresante. Nos três casos, seguindo a risca o proposto, eu não interferiria. Mas se desse pra “quebrar as regras” e não seguir a risca o conselho dos 3 casos eu faria o seguinte:
    1 caso – dá pra avisar ao solitário da linha extra? modificaria a linha e tentaria salvar ele. é mais prático salvar 1 do que 5.

    2 caso – se dá pra jogar um gordo no trilho e o mesmo parar, dá pra jogar outra coisa grande. Num caso real, se eu não fosse igual ao Dexter, a última coisa que passaria pela minha cabeça seria jogar alguem. Alem disso, o tempo para analizar toda a situação (ver o trem, ver as pessoas, pensar em jogar algo, pensar no gordo, jogando algo não descarrilharia o trem? etc.) é suficiente pra sair correndo e gritando.

    3 caso – novamente, se não fosse o dexter ou o spock (star trek II pra mais detalhes, não dou spoilers), eu não faria nada. Não tenho direito de tirar a vida de ninguem pra salvar outros. Basta seguir a lei.

  18. Thiago, 10/12/08
    18

    No primeiro caso eu tentaria parar o trem, mas não desviaria do percurso, pois numa situação como essa nenhuma da escolhas faria diferença, e antes permanecer no caminho, e tentar parar o trem, do que ser acusado não ter tentado nada, e algumas poderiam até conseguir sair de lá.
    No segundo caso, não faria nada a pessoa gorda, tentaria puxar alguns dos trilhos…
    No terceiro caso se fosse de vontade do cidadão doar metade do seu fígado e um dos rins, seriam salvos 2/5 o que não é ruim, já o do coração teria que gastar mt com um artificial, o do pâncreas seria de destino incerto (afinal não sou médico) e não há transplante de pulmões esse morreria…

  19. Marcio Cannibal, 23/12/08
    19

    Acho meio forçado colocar só essas alternativas…
    Parece coisa que um evangelico perguntaria…

    Vamos ver,

    1 No dilema, a pessoa é levada a pensar exatamente na morte das pessoas nos trilhos.
    Eu já penso diferente. Uma pessoa é mais facil de SALVAR do que cinco. Além de que o primeiro dilema e o segundo podem ser resolvidos da mesma maneira…

    Mas eu só respondo mais embaixo…

    2 Nesse dilema, é foda. Pois um gordo pesado o suficiente pra para um trem seria pesado demais pra EMPURRAR!!!

    Mas ambos os dilemas podem ser resolvido com um objeto de metal do tamanho de uma caixa de cigarros. É só deixar em cima do trilho e ele vai parando o trem. Os engenheiros de trens sabem disso e usam isso nos desenhos dos trens. O bicho não descarrilha e o barulho assusta todo mundo…

    3 Nesse dilema, fica apenas com a pessoa saldavel a decisão de doar os proprios orgãos. Nada pode ser feito contra sua vontade.

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