Qualquer pessoa que usa a internet há mais de uma semana sabe (ou melhor, deveria saber) que a rede é o melhor lugar para dar golpes. Hoje em dia ninguém mais espera tu sair do bando com dinheiro na carteira pra te vender um bilhete de loteria frio. Os golpes vêm todos por email, disfarçados ou de pedidos de ajuda, ou de cartões de amor ou de fotos de mulher pelada.
Filantropia falsa, carência e pornografia.
E aquele golpe do banco da Nigéria? Até hoje eu recebo e até hoje o cara que o bolou não mudou nem o país que deve ser ajudado. Aliás, fiquei sabendo que a Oprah levou em seu programa por estes dias um pessoal que caiu neste golpe. Sabe, eu acho isso muito patético. Além de serem patetas para terem caído no golpe, ainda vão à TV aparecerem em rede nacional. Se bem que passar vergonhe em rede nacional é algo bastante comum para o ser humano. American Idol e Ãdolos estão aí para mostrar isto.
Mas voltemos aos golpes. Pessoas com um mínimo de discernimento não saem depositando dinheiro em contas bancárias de desconhecidos. Ok, eu já fiz isso para comprar uma fabulosa GeForce4 MX440 em 2002, mas eu queria muito jogar Return to the Castle Wolfenstein.
Então depois de anos de internet, eu desenvolvi uma série de critérios para avaliar as notícias que leio. São eles:
- Está na escrito em alguma página da internet? Então provavelmente é falso.
- Está com alguma dúvida? Então releia o item 1.
E pronto. Isto tem me ajudado muito em várias situações, principalmente em não ajudar crianças deformadas à beira da morte, não enviar dinheiro para nigerianos e não repassar os emails para seis pessoas diferentes e receber um celular novo.
Mas esta pequena introdução só serviu para eu falar da Revista Piauí, a nova queridinha dos letrados. Se vocês ainda não viram nas bancas, é uma revista de tamanho grande, impressa num papel estranho. Comprei pra ver se era aproveitável.
A primeira reportagem que li, Como se jogar na balada, é bastante boa. Fala de um mundo que não conheço; um mundo onde pessoas pagam até 2,2 mil reais por uma garrafa de champagne. Fiquei chocado.
Continuei folheando a revista e cheguei à matéria Phaic Tan, terra para intestinos fortes, que é um pequeno guia para este país asiático. Como considero meus conhecimentos de geografia bastante razoáveis e nunca havia ouvido falar neste lugar, fui pesquisar sua origem. E descobri que é um lugar inventado. Porra, se eu quero ler algo sobre lugares inventados, lerei O Dicionário de Lugares Imaginários(1) e não uma revista que eu imaginei séria.
O ensaio Do viaduto me pareceu coincidência demais para que seja verdadeiro. Sei lá. O cara brigou com a namorada e, ao voltar para casa a pé, encontrou outro cara que queria se matar porque havia sido deixado pela mulher. Apesar da foto, como eu já disse, achei coincidência demais.
A partir daí, comecei a suspeitar de tudo. Li a revista inteira e não acreditei em mais nada, nem na mini biografia do Bráulio Mantovani escrita pela Fernanda Torres (se é que é ela mesma).
E não tecerei comentários sobre esta imagem. E isto ocupa três páginas da revista.
Esta é uma revista que não comprarei mais. Sentia-me enganado lendo. Pensei que podia ter gasto meus R7,90 em algo mais útil como dados de RPG ou um DVD para fazer uma coletânea de vídeos dos BeeGees pra minha mãe.
Em suma, se forem comprar uma revista hoje, não comprem a Piauí. Comprem a Rolling Stone, que definitivamente é bem melhor e não fala exclusivamente sobre música.
(1)Não, este livro não tem um verbete a respeito de Phaic Tan.
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19 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
tenho uma relação muito ambígua com a rolling stone, em parte porque porque não sei se adevo odiar ou considerar uma revist de música decente. e de política, pois a revista é bastante política, sempre a pender para o lado dos democratas. a verdade é que, em algumas capas temos os fallout boy ou a fergie, e noutras, a corrupção do parlamento americano e outras coisas que tais. não se deva considerar a rolling stone boa ou má. a verdade é que ela é muito comercial, mainstream, e generalista. se a formos comprar só pela música, sairemos defraudados. as suas verdadeiras forças estão nos artigos sobre a actualidade e sobre os problemas políticos que assolam o país.
e a piaui transpira pretensiosismo por todos os lados. parece que o jornalistas estão a praticar masturação mental a si mesmos pela forma como escrevem os artigos.
po…essa revista é de um amigo meu então sou meio suspeito a falar dela
me chamem de smurf mas eu gosto de algumas coisas
mas geralmente não gosto dessas resvistas pseudocomunacult tipo ocas
e os nomes?
eu gosto da piauí justamente por ela ter a cara da internet.
os artigos são divertidos, ela é engraçada, mas não é nada que não possa se encontrar na blogosfera. eu só estava com SAUDADE de ler uma revista interessante que não fosse a Veja. não me venha com a RS, eu ainda acho ela muito… ahn… como o J. falou, pende muito pros democratas lá fora e aqui é muito esquerdopatinha.
e não é : o que está na internet é falso.
o que vem de fonte de informação duvidosa pode ser falso.
ou tu duvida dos papers que tu pega na science direct? eu não.
mas eu duvido da zero hora quando ela trata de ciência, por exemplo.
Eu não duvido dos papers da Science Direct porque aquilo não é internet. Os papers passam por referees gabaritados antes de serem publicados. Além disso, as revistas que estão lá têm versão impressa e suporte de órgãos confiáveis.
Mas do arXiv eu duvido.
Claro que é internet, Marcus! Bem utilizada, mas é.
Internet não é só blogsfera e eu-quero-eu-publico. É também passar por aprovação antes de publicação e tudo o mais. Nem tudo o que está lá tem versão impressa.
O que importa não é o suporte, e sim a qualidade da informação, se a fonte é de confiança ou não…
Eu poderia despejar quantas referências bibliográficas tu quiseres sobre o assunto, mas creio que não seja do teu interesse. Eu já ia citar clássicos da biblio & information science num post de blog. Eu estou perdida.
Eu não duvidaria muito do arxiv, em função disto:
Mas é preciso uma análise bibliométrica antes de afirmar se a fonte é confiável e respeitada pelos cientistas da área. Como eu não quero mestrado tão cedo, deixo isso pra depois.
Mas a base do Science Direct não surgiu na internet. As revistas que estão por trás são todas instituições consagradas do mundo offline. A internet é só uma ferramenta para eles e é por isso que confio.
Em contrapartida à tua afirmação, eu duvido do arXiv por isto:
Ou seja, tu manda um artigo num dia e ele é publicado neste mesmo dia (no mais tardar, na segunda-feira seguinte)? É impossível que este artigo seja checado da maneira correta. Não dá.
Quer um exemplo? O Perelman, quando provou a conjectura de Poincaré, publicou o paper no arXiv. Isso foi em 2003. Somente em 2006 foi constatada a veracidade do artigo dele. Ok, este é um caso extremo, onde um resultado levou três anos para ser totalmente analisado e verificado. Mas poderia ser falso, posto que é possível para qualquer pessoa ir lá e publicar o que quiser. Em 4 horas (o prazo que o site dá) é impossível analisar todas as questões pertinentes a um artigo.
Ou seja, eu duvido do arXiv, seja ele mantido pela Cornell University ou pela Wikipedia Foundation, que, apesar de eu citar muito por aqui, também não confio quase nada.
Como eu te disse, não estou com vontade de escrever uma dissertação sobre o assunto, portanto, não pesquisei o site a ponto de observar o que tu citaste. Agora posso concordar contigo sem medo: esse prazo é insuficiente pra análise de um artigo.
Eu duvido da Wikipédia, duvido da Britannica e agora duvido dessa universidade também.
*suspiro*
Como é bom ser o dono da verdade sempre =P
Mas correndo o risco de me contradizer (e leiam com atenção, pois não é isto que estou fazendo), devo dizer que sou usuário do arXiv. Há vários artigos interessantes por lá, mesmo que não haja algum tipo de pré-checagem séria. Tem vezes que queremos apenas uma idéia; os resultados não são tão importantes assim.
Além disso, o arXiv publica reimpressões de artigos. Três semanas atrás eu consegui uma reimpressão de um artigo do Annals of Statistics (que não está disponível através do Portal Periódicos (CAPES)) através do arXiv.
vcs tem msn um do outro?
huahauhauha
tb acho q a piauí tem cara de internet mas…tá no papel!!!
outro dia baixei uma revista dos filhos do átomo cara…sem tesão
to cada vez mais vendo as coisas pela telinha !!!
foto…nem sei mais como é no papel.
o que é ter cara de internet? a sério…esse termo é desconhecido in my homecountry (dito com sotaque russo)
Bah cara ! Tu duvidas do meu BLOG ? Poutz !
Marcus, tu levou essa discussão adiante pq tu me conhece: sabe que eu só falo depois de checar a informação, que eu não falo sobre o que desconheço e que eu não ia procurar a informação de publicação entre uma catalogação e outra aqui no trabalho, pois eu precisaria de tempo pra isso.
De posse dessas informações, é fácil dar nos meus dedos e ganhar uma discussão :P
Que nada Éver. Eu acreditei neste post inteirinho.
Néver duvide do Éver !!!
My name is DADE… ÉVER DADE ! :D
E os trocadilhos infames estão correndo solto por aqui.
É uma revista bastante interessante e o formato dela é novo aqui no Brasil (me falaram). Ainda não sei se é literária ou noticiosa. Talvez literariosa. Acho que algumas histórias ficam demasiado longas, enquanto outras são deliciosas de ler.
O tamanho da publicação é causa dificuldade para quem quer carregá-la no metrô ou ônibus. No avião, então, nem se fala. Eles disponibilizam uns textos na web, e isso mostra a maturidade dos editores.