Aí fui assistir Avatar. Faz um tempo já. Em 3D e tal, como dizem que deve ser.
Digo que achei chato, muito chato. Uma historinha simplória demais.
Bem, mas que a história é ruim todos já sabem. A parada do filme são os efeitos revolucionários. Acontece que, pra mim, nem bonito ele consegue ser.
Antes aviso que foi o primeiro filme 3D que assisti, desde que não se considerem aqueles exibidos em amusement parks. Não achei esta revolução toda que tem se apregoado por aí. Os diferentes planos saltando na tela me pareceram as imagens dos livros Olho Mágico, que foram um pequena febre em meados dos anos 90.

Isto é um caracol
Os Na’Vi não são nada demais. Nada que não tivesse sido feito com a Mística de X-Men, por exemplo. Ok, foi CG e não maquiagem, mas grandes merda ser adevogado. Desde que não pintem a minha cara de azul, pra mim tanto faz se é CG ou não.
A fotografia do filme é muito escura. Tirei os óculos durante alguns momentos da projeção e a diferença era gritante. As cores são muito mais vivas sem eles. O problema é que assim fica tudo borrado na tela e não dá pra assistir nada.
Também achei um filme azulado demais. Parecia uma TV antiga de tubo com erros na regulagem da matiz.
(Houve quem defendesse que ele é azulado de propósito, pois os Na’Vi são azulados, assim como a floresta onde vivem. Faz todo o sentido: por isso os índios da Amazônia são verdes, os africanos da savana são amarelos e suecos são brancos- não cor de pele branca: brancos mesmo.)
Talvez eu esteja numa fase muito de cinema tênis-verde e só esteja gostando mesmo de cinema francês. O fato é que achei Avatar mais parecido com um daqueles vídeos que as lojas de eletrodomésticos ficam passando em loop do que com um filme de verdade. Saca que vídeos eu tô falando? Aqueles que tem tipo uns monges budistas, onde metade da imagem fica em Full HD e metade em Standard Definition, só pra mostrar como 1080p é muito superior e pá.
O problema é que estes vídeos me convenceram a comprar uma Toshiba Full HD no ano passado, migrar para blu-ray e desistir do DVD.
Avatar não me convenceu a parar de (re)assistir nouvelle vague.
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12 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Infelizmente só tive oportunidade de assistir Avatar normal, sem treisdê. E ainda foi dublado!!!
Pior que isso só o fato de ter assistido o filme DUAS vezes, por causa dos pais da patroa e tudo mais.
Apesar de morar numa capital (Maceió/AL), os cinemas aqui deixam MUITO a desejar. Há um projeto de melhoria dos cinemas, mas como isso vem sendo feito desde 2006 eu nem vou comentar.
Enfim, sem demais devaneios, a minha conclusão é que pela minha experiencia com Avatar, o filme é ao menos bonito. Não sei como é no 3-D, mas na versão para matutos a flora de Pandora é verde mesmo, nada muito diferente da Terra.
Nos meus comentários à fauna, achei ela meio sem criatividade em certos pontos, mas muito curiosa em outros, acho que todos sabem oq ue quero dizer.
E por fim, como já diria a galera do Matando Robôs Gigantes, os Na’Vi são os ThunderSmurfs de Pandora e não se fala mais nisso.
*Leio o seu blog a aproximadamente um mês, mas só tive coragem/impulso para comentar agora. Apesar de ser um atuante na área de Humanas, acho interessantíssimos seus posts a respeito de matemática e derivados. Apesar de não seguir uma religião específica por acreditar que igreja em um contexto geral aliena os povos, creio sim em Deus. Porém, não deixo de me interessar por seus post que debatem a existencia do mesmo. Espero que você dê continuidade à coluna do “Um Filme Por Semana”, me faz lembrar de diversas obras que não tive oportunidade de assistir. Sem mais delongas, acho seu blog legal pacas e espero que o mesmo possua uma longa vida, além de desejar muito sucesso na busca pelo seu doutorado.
Grande Abraço
Puts, pensei que tiunha dado espaçamento entre parágrafos. Que comentário feito acabou ficando!
Quando você mencionou cinema francês, eu vomitei um pouquinho dentro da boca, que é como quem diz “regurgitei”. Já tentei, mas não consegui gostar. Nem a tal da Amelie Poulin me convenceu. As a matter of fact, os filmes em francês que eu gostei são os da série “Taxi”, que seguem os padrões americanos.
Não tem jeito, cinema pra mim é pra deixar o cérebro na porta, e eu assumo. Para engrandecimento pessoal eu uso livros.
E já que estou numa de polêmicas, gostaria desde já deixar claro que abomino do fundo do meu coração o palhaço depressivo que atende por Woodie Allen. A minha vontade é de encontrar ele no trem, para colocar a cabeça dele pra fora a top speed e ir arrastando a boca dele no chão durante 500 km.
@Tomahawk Caio
Então cara… A categoria Um Filme Por Semana foi criada para que eu me disciplinasse para assistir pelo menos um filme a cada 7 dias de 2009. Tanto que, quando completei 52 filmes (acho que em setembro), parei de atualizá-la. Eventualmente escreverei sobre uma ou outra obra que eu assistir, mas provavelmente não adotarei a frequência que eu tinha ano passado.
@Mytho
Nunca terminei de assistir Amelie. Tentei duas vezes, mas o filme não me desceu. É muito filme de cadelinha underground de popstar de bairro de Porto Alegre.
Também não acho Woody Allen grande coisa. Tentei assistir três dos filmes dele, mas não consegui terminar nenhum.
Avatar, em minha opinião, em uma palavra: Broxante.
O melhor filme de ficção científica de 2009 é Lunar (Moon), e olha que não tem explosões nem meses acumulados de renderização.
Me senti voltando à década de 80, quando assisti Comando Titânio (Outland 1981).
Tá, eu tenho 38.
http://www.imdb.com/title/tt1182345/
Marcus ! Assista Lunar !!!!!!!!!!
e depois que todo adevogado eh viado mermo…
Avatar, para mim, foi como uma bela pintura sem conteúdo algum: uma animação bem-feita e bonita, mas a história era simplória, sem nenhuma reviravolta surpreendente, completamente previsível, cheio de mimimi, nenhum personágem bem-elaborado, nenhum diálogo interessante, nada. O tipo de filme que eu olho, digo “ah, tá, ok” e ignoro.
só para repetir o que todo mundo já sabe..
avatar é uma merda.. mas consegui ficar pior se você assiste na primeira fila, de pescoço torto.. história sem graça.. quando derrubaram a porra da árvore lá eu vi o quanto aquilo parecia com um remake de titanic.. infelizmente não consegui deixar de fazer comparações..
Não irei enfatizar o que todos já pensam.
Eu tb n gostei mto de avatar quando assisti, mas achei que passou uma mensagem legal, sabe? Mas depois que li a crítica do jornal O Globo, minha visão sobre o filme mudou completamente e notei que não era só outro filme em 3D pra preencher o ócio…Lê a crítica tb: http://oglobo.globo.com/blogs/logo/posts/2010/01/10/o-avesso-de-avatar-256300.asp
=1
Eu gostei muito do filme. Avatar é uma aventura épica sobre o amadurecimento psicológico. É também uma trama que ao terminar, nos mostra uma das maiores transformações metafóricas da história recente do cinema: o herói inicia a sua jornada como um soldado deficiente cuja perspectiva do mundo é a partir de uma cadeira de rodas e a termina com pernas potentes e mais de dois metros e meio de altura.
A essência de Avatar é o sentimento da empatia. Quando um ser humano coloca a sua mente dentro do cérebro de um alienígena, metaforicamente, ele desenvolve uma certa empatia por aquele corpo que não é o dele. Em outras palavras, ele passa a ver o mundo á partir da perspectiva de um estrangeiro.
Jack vai à Pandora para substituir o seu irmão gêmeo, que foi assaltado e morreu assassinado por causa do dinheiro que estava em sua carteira. Esta é basicamente a premissa moral do filme. “A preocupação e o apego por coisas materiais levam à violência contra as pessoas”. É interessante notarmos que no início do filme, Jack não expressa a menor dor pela perda de seu irmão. Ele não possui a empatia necessária para que este sentimento ocorra.
O planeta Pandora é rico em recursos naturais e é invadido com o claro objetivo de exploração. No entanto, existe um problema: este planeta é habitado pelos Navis cuja cultura precisa ser estudada e compreendida; para depois, ser domesticada através de estratégias de negociação não-violentas. O mesmo aconteceu na história de nosso país. Esta moral já foi utilizada pelos mercantilistas que aqui chegaram com o domínio da pólvora, eles também tentaram a domesticação de nossos antepassados através do catecismo, mas diante de qualquer rebelião travavam uma luta desleal de canhões contra flechas. E nós continuamos fazendo o mesmo até chegar o dia em que a nossa população indígena será totalmente exterminada. No filme ocorre uma reviravolta, onde o natural instinto humano de explorar e destruir, torna-se moralmente inaceitável. O homem civilizado acaba por transformar-se num verdadeiro bárbaro, contrário à “boa moral” e aos bons costumes.
Os invasores podem ser divididos em dois grupos. Os que são dotados de razão e empatia. E os que são movidos pelo instinto da crueldade e da exploração. O protagonista, Jack Sally é um deficiente que não pode caminhar, nem respirar por conta própria. É uma espécie de metáfora para a infância. Para reforçá-la, Naty, uma mulher da marinha o chama diversas vezes ora de “baby”, ora de “child”. Até a tecnologia de 3 D, é muito bem explorada neste particular quando mostra o Jack, olhando de baixo para cima diversos rostos rodeando o seu campo de visão a cada vez que a tampa do aparato que transporta sua mente para o corpo do alienígena se abre. Uma perspectiva praticamente idêntica à do bebê que acorda em seu berço rodeado de seus familiares olhando para ele.
Ao chegar na base de pandora, Jack é confrontado por duas visões de mundo. A do coronel Courage que o chama constantemente de “sun” e se auto nomeia “dady”. Isto também é uma metáfora bastante evidente. Courage vê Pandora como um território a ser conquistado e explorado através da violência. Ele faz de conta que valoriza a negociação, mas está espumando para resolver o assunto com o uso da violência. Ele é o arquétipo do pai mau, que usa a autoridade patriarcal para explorar os sentimentos de afeto daqueles que estão sob o seu poder, adquirindo com isto uma obediência cega. Ele sente orgulho por ter quase morrido em seu primeiro dia de Pandora e é por isso que ele se sente ameaçado quando percebe a crescente empatia de Jack pelos Navis. Na cabeça dele, seria impossível que pessoas diferentes pudessem conviver em paz num mundo que quase o matou. Com isto ele é confrontado com a sua própria violência que ele trás para este mundo. Em outras palavras, o mundo só ataca este coronel porque ele quer matar o mundo.
Por outro lado, temos a doutora Grace, a boa mãe, que demonstra empatia pelas crianças, sendo ela a responsável pela gestação de laboratório dos Navis, cujos corpos uma vez maduros, serão utilizados como avatares pelas mentes humanas. Ela também demonstra curiosidade e respeito pela cultura Navi.
Como toda criança, Jack tem que aprender a andar e lhe é oferecido dois caminhos para esta conquista. O coronel Courage de dentro do poderoso robô de guerra, estilo transformers – mais uma metáfora para a criança impotente diante de um poderoso pai – oferece a Jack uma cirurgia para recuperar as suas pernas uma vez a missão terminada, mas para que isto aconteça ele precisará fazer um pacto com o coronel e colaborar com a destruição do povo Navi. Aprender a andar para ganhar altura e força, através da exploração e da destruição dos outros é uma analogia para a formação de uma personalidade patológica e anti-social.
Por outro lado, a Dra. Grace, a boa mãe, oferece um caminho que não é o da destruição, mas o da empatia e da curiosidade. Se o bebê Jack através de sua imaginação e curiosidade for empático com aquele corpo que ele passa a habitar, pode começar a andar imediatamente mesmo que seja apenas em sua mente. Sendo que a empatia só ocorre através de um ato de imaginação, eu diria que esta metáfora é perfeita.
O povo Navi é bem mais alto e vive num mundo maravilhoso e perigoso. Oferece a Jack conhecimento e proteção. Depois de ser chamado constantemente de criança, o herói encontra-se num mundo onde ele é educado até tornar-se um adulto competente. Mas nem tudo é perfeito, enquanto Jack cresce neste paraíso mágico, sua consciência é constantemente invadida pelo seu pai mau, o coronel Courage. Uma metáfora para os fenômenos da dissociação e da regressão que ocorrem quando traumas da infância são evocados. O pai mau desliga, “despluga” Jack de sua nova vida em diferentes ocasiões. A cada vez que seu corpo cai inerte no universo Navi, seu crescente processo de empatia e humanidade é retardado.
A reviravolta do filme ocorre quando o coronel Courage mostra um trecho do videoblog de Jack no qual ele relata que o povo Navi nunca poderá ser controlado e manipulado.
Todos nós nos reconhecemos em Jack, pois estamos em contínuo processo de crescimento e individuação que pode ser descrito como as forças do instinto e do inconsciente que rompem as barreiras do controle e se libertam para sempre das correntes da repressão. Quando isto ocorre de forma genuína, há crise e sofrimento.
No cinema, os conflitos internos são retratados com violência física, batalhas sangrentas e requintes de crueldade. Na vida real, aprendemos a lidar com o mal represando-o, deixando-o de lado. Abrimos mão do desejo de entrarmos em batalhas usando o mal para combater o mal. Sofremos e entramos em crise.
Outro aspecto interessante de Avatar é a mudança de perspectiva no conflito entre o imperialismo e os danos que ele causa à mãe natureza e seus habitantes. Na vida real, o metal unamptenium pode ser visto como o petróleo do Iraque, o povo Navi como os Iraquianos e os invasores como os Americanos. A mídia não mostra a destruição e o sofrimento do povo causados pelas bombas lançadas pelos EUA, isto não seria politicamente correto para a CNN. Mas no cinema isto é permitido e em Avatar, o espectador cria empatia pelo o povo Navi, sofre com ele e condena o invasor. A árvore gi gante que desmorona pode ser vista como as Torres Gêmeas de NY e o desespero dos Navis no meio das cinzas e da destruição, como algo análogo ao que os novaiorquinos sentiram em 11 de setembro. Ou seja, saímos por alguns instantes de nossa posição de dominadores e nos identificamos com os que são dominados. Através da mágica do cinema e da empatia, somos nós quem sofremos na própria pele os efeitos da devastação brutal que nossa cultura capitalista costuma causar em povos menos desenvolvidos.
Talvez ainda chegue o dia em que a CNN entrevistará os inúmeros inocentes que perderam tudo com as bombas americanas ou até mostrará fotos de seus cadáveres. Talvez ainda chegue o dia em que a Rede Globo convidará em seus programas de entrevista, o mendigo, a prostituta, o ladrão, ou o travesti. Seres humanos que aparecem apenas para efeitos sensacionalistas e aumento de audiência. Mas e a realidade que construiu estas pessoas? Por enquanto só é mostrada na arte, através de filmes como Carandirú ou 174. A arte através da metáfora cria uma dissociação mágica da realidade. Ela cria uma zona de segurança que nos permite olhar para a nossa crueldade.
Quando Creep, o chefe da base, diz a Dra. Grace que são os acionistas das empresas que tem interesse em explorar Pandora é quem bancam as suas pesquisas, somos alertados sobre o que acontece na vida real. É quase impossível de se praticar a ciência de forma neutra, pois quem a torna possível através de recursos financeiros, são governos ou grandes corporações, todos corruptos em sua maioria. Por isso ela morre, embora de uma forma mais light, ela também pertencia ao grupo dos exploradores.
Avatar parece pertencer a uma série de filmes onde a inocência mística e selvagem da natureza nos é mostrada como sendo superior à brutalidade tecnológica de culturas mais evoluídas. Sob o ponto de vista antropológico isto é uma bobagem. As civilizações primitivas quase sempre foram brutais com suas crianças. Por outro lado, nos confronta com uma verdade inconsciente de extrema importância: nascemos inocentes, empáticos, mas devemos nos tornar brutos ou até mesmo maus para sobrevivermos.
Como todo ambiente artístico, Pandora representa o próprio inconsciente e esta ideia é reforçada por outra metáfora: a unidade orgânica descoberta pela dra. Grace, onde todas as arvores e seus habitantes estão interligados por uma enorme e intricada rede podendo ser comparada a um gigantesco cérebro humano. É a idéia de que o inconsciente parece ser agressivo quando reprimido e controlado, mas se trona bom e solidário quando liberamos a sua energia através da aceitação pessoal e da empatia. Pandora ataca os exploradores como o coronel Courage, mas vive em relativa harmonia com os Navis. Até mesmo os predadores que atacaram Jack em sua primeira noite se tornam seus aliados na luta contra os militares.
Na batalha final, o coronel Courage, o pai malvado, convida Jack para lutar dizendo: “Come to Dady”. Felizmente, Naithiri chega a tempo de derrotá-lo com suas flechadas certeiras. Mas Jack está morrendo lentamente, pois o laboratório onde seu corpo humano está foi destruído com a luta e ele não consegue mais respirar por conta própria. Mais uma metáfora para os momentos que seguem o nascimento. A gigantesca mulher Naithiri pega o pequeno Jack em seus braços e coloca a mascara de oxigênio nele igual a mãe que, ao dar a luz, proporciona a primeira respiração de seu filho. Assim que Jack retoma a consciência eles dizem: “I see you”, repetindo o jargão usado para demonstrar amor, amizade e empatia. O detalhe importante é que Jack está sendo visto pela primeira vez por Naithiri em seu corpo de humano. Ou seja, a empatia venceu o preconceito que ocorre quando um é diferente do outro. E esta mesma empatia permite que Jack aceite abandonar o seu corpo humano e passe a viver definitivamente na pele de um Navi. Esta é a principal característica da empatia: colocar-se no lugar do outro. Jack, cresceu com uma personalidade íntegra, conquistada através da coragem e da empatia, ao invés de usar a violência e a exploração.
O filme termina do jeito que começou. Com Jack acordando. Nos surpreendemos que agora na pele de um Navi, ele passa a sentir a morte do irmão, um humano. Ora, se Jack não sentir empatia por seu passado ele não poderá salvar o mundo do futuro.
Elementar meu caro Watson, mas isso já é para outro filme…