Muitos aí não sabem, mas Matemática Aplicada, o curso no qual sou formado hoje, foi o terceiro curso superior que iniciei. O começo de tudo foi a Engenharia de Produção, curso que abandonei graças à uma cadeira quebrada.
Eu sempre gostei da exatas. Sempre gostei de ciência e achava legal fazer continhas na escola. E sempre me disseram que eu era inteligente. E para os meus pais, uma profissão que une ciências exatas e um bom salário é alguma Engenharia. Era isso que eu devia fazer, graças aos motivos acima e porque sempre tive horror ao Direito e à Medicina.
Aí fiz o vestibular, passei em segundo lugar e comecei a estudar Engenharia. Em menos de um ano, já estava com um estágio que pagava bem, cujo trabalho era fácil e me dava condições de cursar a universidade comodamente. Era num laboratório de metrologia (metrologia, e não meteorologia).
Mas depois de seis meses eu já não estava tão feliz. A rotina me incomodava. Eu não tinha muitas opções para criar coisas novas. Era sempre a mesma repetição, todo dia de trabalho. Mas apesar disso eu fazia as coisas direito e era, de certa forma, “promovido”(1).
Passaram-se mais quatro meses e finalmente chegou o dia em que ganhei minha “promoção”.: fui designado para trabalhar em uma máquina de medição tridimensional, o sonho de quatro em cada cinco estagiários daquele laboratório.
Acontece que eu era o estagiário número cinco, o único que não queria trabalhar na máquina.

Eu trabalhava numa máquina parecida com esta
Mas fui né, pois negar trabalho é como assinar um documento dizendo que sou vagabundo(2) e que não dou a mínima para a empresa.
O que na época era verdade.
Trabalhei durante um tempo nela, sem maiores sobressaltos. Ouvia música, mexia nos manches, lia os resultados impressos pelo programa, ou seja, fazia minhas tarefas direitinho.
Até que chegou um instrumento complicado para medir. Um micrômetro de altura. Como estávamos cheios de serviços para entregar e a empresa do micrômetro tinha urgência, fiquei à noite para trabalhar, fazendo hora extra.
Mas o trabalho não rendia. Eu zerei e referenciei a máquina não sei quantas vezes para fazer as medições, mas nunca conseguia sequer chegar perto dos resultados obtidos na medição do ano anterior.
E o prazo para terminar o serviço era no dia seguinte pela manhã.
Quando estava repetindo pela, sei lá, décima vez o procedimento, me irritei e descontei minha raiva chutando uma cadeira de metal.
Ela se quebrou em duas partes, bastante separadas uma da outra.
Aí eu parei, pensei, olhei a cadeira espatifada no chão e concluí que Engenharia não era para mim.
Fui para casa e no outro dia quis me demitir. Como eu era um bom estagiário, fiquei lá por mais oito meses (!), até ser aprovado no vestibular para Licenciatura em Matemática no ano seguinte.
Curso que abandonei no terceiro semestre, mas isto é outra história…
(1)Promoção significava mais trabalho, mais responsabilidades e mesmo salário, o que não é nada atrativo para quem, como eu, estava de saco cheio de lá.
(2)Mesmo que fosse verdade, não era necessário confirmar.


DH
Enfim, é uma coisa estranha mesmo.
Eu, por exemplo, se não fizesse Medicina faria……Oceanografia! Vai entender.
Comentado em 16.Jun.2008
Jovas
Pô, trabalhar em algo que não satisfaz, é uma merda. Vai passar SÓ sua vida inteira fazendo aquilo. Não dá.
Agora, uma dúvida: você deu um chute numa cadeira de metal e ela se partiu no meio? No seu tênis tinha algum um sabre de luz embutido? O_O
Comentado em 17.Jun.2008
marcus
@Jovas
Na verdade, foi o encosto que se separou da cadeira. Achei que contando a história deste jeito ela teria mais impacto :D
Comentado em 17.Jun.2008
manuela
Tu é Matemático? E fez Ufrgs? Peraí, tu tá fazendo Mestrado? Ai, tenho que entrar na faculdade com urgência..
“… e achava legal fazer continhas na escola.” foi ótima. Eu adoro as continhas, mas o Jornalismo me puxou pela mão e disse “Aqui é teu lugar, ó, filha.”.
Gostei do layout. Charlie Brown é o que há. :)
Comentado em 17.Jun.2008
Adiel Seffrin
Poxa.. tu aguentou mais tempo que eu na licenciatura.. eu terminei o segundo semestre e fui para o bacharelado.. Só que eu faço a pura.. mas enfim…
Eu ja pensei em fazer engenharia.. mas acho que não ia gostar.. é tudo muito mecânico.. não precisa pensar muito… sei lá..
Ainda prefiro matemática…
Eu tbm gostava de fazer contas.. mas o que eu menos faço são contas.. eu “brinco” mais com letras, na maioria gregas, do que com números…
Comentado em 17.Jun.2008
Guilherme
Rotina …
Eu também trabalhei duas vezes já numa rotina FDP, só que na área de software. Pra quem pensa que vida de anbalista é criativa e / ou tem desafios de lógica e outras coisas, procure informar-se sobre o cargo de “integrador” numa fábrica de softwares. É a coisa mais chata que existe.
Uma coisa também chata é dizer para os pais quw vai mudar de curso, quando eu falei isso (saindo da Matemática para Física) meu pai fez a cara de “desse jeito vou ter que sustentar esse vagabundo pelo resto da vida” … ao menos nisso ele estava errado.
Comentado em 21.Jun.2008
Antonio F.
@Marcus
Poxa, tmb laboratório de metrologia é bem chato mesmo! Tem empregos melhores pra engenheiro do q ficar mexendo nessa maquina pentelha de medição, fazendo “pi, pi, pi” e dando medição errada na tela. Isso é emprego prá técnico em metrologia! Nenhum engenheiro sério aguentaria muito tempo, nem mesmo um “pseudo-engenheiro” q faz “engenharia de produção”…kkkkk….brincadeira!
@Adiel Seffrin
“.. é tudo muito mecânico..” Viva a Eng.Mecânica, mas ñ, nem tudo é tão “mecânico”, é uma area muito ampla, dando pra trabalhar em inúmeras coisas. E nunca diga “não precisa pensar muito…”, pq mostra total deconhecimento em engenharia. Tenta entender um desenho técnico, quebrar a cabeça num Catia ou Pro-E, fazer simulação de “stress”, programar usinagem, dinâmica dos fluidos, aerodinâmica, e muito mais coisa só de mecânica, pra ñ falar as outras areas de engenharia como elétrica, química, etc..cada uma com suas peculiaridades! Pegar teorias e aplicar na prática do dia a dia em processos produtivos, desenvolvimento de produtos, logística, e muito mais! Pode ser bem gratificante, mesmo q ñ monetariamente.
Comentado em 21.Jun.2008