PhD no exterior

Hoje enviei os documentos para o pedido de bolsa para a Capes/Fulbright. Vocês não têm idéia da burocracia que é para apenas me candidatar a uma bolsa. É uma série de documentos que parece não ter fim. Mas pensando bem, até que a parte dos documentos não foi tão ruim de fazer. O pior foi o TELP.

O TELP (Test of English Language Proficiency) é realizado toda semana no Cultural ali da Riachuelo. Qualquer pessoa que se dispuser a pagar R$ 90,00 pode realizar o teste, que é composto de três partes.

A primeira (e pior de todas) é o listening. Não que o listening, em suas três etapas, seja difícil; são 50 questões e até que é fácil. O problema é que o aparelho de som que o Cultural usou para ministrar o teste é ruim. Além disso, a acústica da sala não ajudava em nada. Aliás, atrapalhava. Ocorria uma certa reverberação no local onde eu estava sentado. Isso somado à má qualidade do CD-player prejudicava um pouco a compreensão das frases.

Mas tergiverso. Eu dizia que o teste é composto de três etapas. Na primeira, uma pessoa dizia uma frase e devíamos procurar, entra as quatro alternativas disponíveis no caderno de respostas, qual delas melhor se encaixava com o que havia sido dito. Barbada. Na segunda parte, ouvíamos um diálogo e devíamos responder uma pergunta a respeito dele. Razoavelmente fácil. O meu problema foi com a terceira parte. Como eu tinha achado as duas primeiras partes razoáveis, fiquei viajando enquanto a senhora que ministrava o teste explicava como seria esta nova etapa. Quando esta última parte realmente começou, eu percebi que era um diálogo, só que mais longo. Só que meu leve TDAH fez eu parar de prestar atenção no longo diálogo. Sem motivo algum, eu comecei a olhar umas plaquinhas coloridas com frases básicas em inglês que estavam acima do quadro branco da sala onde estávamos. Não deu outra. Como eram cinco questões a respeito deste diálogo e eu não havia prestado atenção nem em 20% dele, eu só consegui responder duas questões com certeza. Tive que chutar as outras três.

A seguir são 40 questões sobre gramática, não muito difíceis.

Por fim, 60 questões sobre interpretação de texto, no nível do vestibular de uma universidade federal. Nada escabroso.

Só sei que acabei passando. Portanto, me tornei apto a enviar a documentação para o pedido de bolsa, que espero que seja aprovado. Minha primeira opção de destino é a University of North Carolina em Chapel Hill, que fica, bem, na Carolina do Norte, na cidade de Chapel Hill (sorry Tina, mas a UCLA não me interessa no momento). O Departamento de Estatística deles é fortíssimo. Além disso, lá há um professor chamado Vladas Pipiras que é ótimo e cujas linhas de pesquisas atendem muito bem aos meus interesses acadêmicos.

North Carolina é aqui

Mas como sou pessimista por natureza, sei que esta bolsa não vai dar em nada. Ela é concorridíssima e a chance de eu consegui-la é praticamente nula.

E não, eu não quero comentários no estilo “Cara, tu vai conseguir. Pensa positivo”. Como o tio Ben disse no primeiro Homem-Aranha, “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

E por ora, estou tão cheio de responsabilidades que não posso me dar ao luxo de ter mais uma.

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17 comentários.

17 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Carla, 15/5/07
    1

    eu morro de medo desses exames de proeficiência.

    já fiz um simulado na aliança francesa, um horror.
    uma velhinha de dicção horrível comprando peixe no meio da rua, com barulho de carros ao fundo? apapu.

  2. 2

    Acordei às duas hoje. Pena que você não foi bem na compreensão auditiva. Em parte, a verdade é que não ensinam esta destreza nos cursinhos.
    Nicolas diz que a USC e Caltech são muito boas. Ele trabalhou com Michael S. Waterman e conhece Leonard Addelman. Caltech é muito especial.

    Marcus, esta bolsa é de elite. É a que o Bill Clinton recebeu pra fazer porra nenhuma em Oxford, fumar sem tragar. Na UNC conheço algumas pessoas. O Idelber Avelar, do Biscoito Fino e a Massa, um brasilianista, não me lembro do seu nome, e o Zack Levine do board. Está em SC agora.

    E o GRE?

  3. Kicca, 16/5/07
    3

    Modéstia não é muito o seu forte… vc sabe que vai passar. Só não vai se não quiser. Aí já é outra conversa.

  4. Kicca, 16/5/07
    4

    Hmmmmmmmmm… Relendo seu post notei que usei a palavra errada no comentário. Não seria “passar”, seria “conseguir”.

  5. marcus, 16/5/07
    5

    Tina, só farei o GRE, GMAT e TOEFL quando eu receber a aprovação desta primeira fase da seleção.

  6. Cris, 16/5/07
    6

    Tenho acompanhado seu blog há algum tempo. Uma boa leitura diária. Quando vi esse seu post sobre testes de proficiência, não pude deixar de me manifestar.
    Estou aqui com dor de barriga porque semana que vem irei fazer o teste de proficiência IELTS, no Cultura Inglesa.
    Ainda estou em dúvida se vou achar mais difícil o listening ou o speaking. É muito chato ter que estar falando em inglês quando se está nervoso na frente de um avaliador. Ninguém merece.
    Mas, como estou vendo, várias pessoas passam por isso todos os dias e eu não vou ser a única diferente.
    Eu só espero que eu passe. E que você também. Até porque você me parece muito inteligente.
    Boa sorte!

  7. marcus, 16/5/07
    7

    Pois é Cris, eu também precisarei fazer o IELTS caso tente uma bolsa no Reino Unido.

    Parece que, em comparação com o TELP, o TOEFL é horrível. Tem o speaking e o writing, que desta vez escapei. O que nos resta é treinar e manter a calma na hora da prova (mas não tanta calma, pois eu às vezes me distraio).

  8. mari, 16/5/07
    8

    Eu acho que não tem nada pior que listening … writing e speaking são barbadas comparando com ele.

  9. j. noronha, 16/5/07
    9

    Para mim, o pior disparado é o writing, o corretor automático do word me deixou mal-acostumado.

  10. J., 16/5/07
    10

    então, mas vê a coisa pelo lado positivo!

    …não, espera. esquece.

  11. 11

    Eu não saí do país para fazer o doutorado, mesmo porque nem procurei. Talvez, só no pós-doc…

  12. Gabriela, 17/5/07
    12

    Droga :/ Não consigo pensar em nada melhor para dizer do que “boa sorte” :P hehe
    Testes de proficiência em outro idioma são complexos. Listening é pra quebrar qualquer um.

  13. André, 22/5/07
    13

    Oi! Vi seu site na dica do Alessandro Martins, que indica uma tradução que nós dois fizemos do mesmo artigo! :)

    Sou ainda um iniciante do curso de letras, mas também pretendo seguir com mestrado e tentar (e conseguir, ora!) uma bolsa no exterior.

    Dei uma olhada, só de curioso, no site do CAPES e me assustei com tantos documentos, hehe.

    Boa sorte! Gostei do seu blog e assinei o feed!

  14. Ana Paula Batista, 21/9/07
    14

    Bem, vou fazer o teste nessa semana..Aqui em Manaus custa r$ 50 REAIS..acho até barato em comparacao com outros centros no Brasil!

  15. malu, 26/9/07
    15

    huhuh, vou prestar esse tal telp dentro de algumas poucas horas! procurei alguma coisa no google pra ter uma idéia de como é. pelo que ce falou se panz eu passo, mas compartilho do mesmo pessimismo que voce em relacao ao resultado da bolsa. :shock:

    até mais

  16. Maurício (Um desconhecido), 4/5/09
    16

    Cara, tu vai conseguir. Pensa positivo. Hehehehe..

    Eu faço Física e achei teu blog enquanto procurava alguma informação sobre doutorado no exterior.

    Boa sorte! ;D

  17. Marcelo, 11/11/09
    17

    Meu caso acho que está muito mais desesperador. Tenho até o final de dezembro pra concluir minha dissertação de mestrado, as universidades americanas requerem que eu tire no mínimo 600 no TOEFL, sendo que algumas universidades esperam que eu tire 650 (loucura né?), e em média 700 no GMAT. O fato é que terei que tomar aulas pros dois, também até o final de dezembro. Já morei nos eua, mas 650 no TOEFL? Até agora não to acreditando. Hoje é 11 de novembro. Só com as aulas particulares e as inscrições pra TOEFL e GMAT vou ter que gastar 1800 reais, além é claro de estudar bastante. Estou procurando só as universidades americanas de nível médio e ruim, por razões econômicas e até por saber que não teria chances nas outras. O pior é que corro um risco imenso de não conseguir ser aprovado ( mesmo sem pedir bolsa ) nessas tais universidades. Meu ph.d seria em Adm-Finanças, achei só 5 universidades de 40 que pesquisei com esses critérios até agora, sem contar que o número de vagas é ridículo, 2, 4 e no máximo 6 por ano. Resumindo, vou gastar 1800 reais com TOEFL e GMAT, uns 1000 reais só com inscrições ( como o processo ocorre somente anualmente, quero enviar para várias faculdades, em torno de 10 ), e mesmo assim, ainda acho que tenho menos chances de ser aceito do que de ser aprovado. Sem falar que tenho umas 15 páginas da dissertação pra completar, pegar 10 aulas particulares de GMAT, 16 de TOEFL, fazer os dois testes bem, providenciar documentação incluíndo cartas de apresentação, fazer prova de econometria no dia 15 de dezembro, e isso tudo até o dia 30 de dezembro!!!! Dá pra morrer de tensão ou não? Esse comentário foi um desabafo, por favor se alguém conhecer alguma empresa que pesquise e selecione os possíveis cursos de ph.ds com os critérios que eu quero, que por favor me avise, ficar 1 ano e meio parado aqui no Brasil iria ser tenebroso.

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