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Pedofilia é boa para os outros

Eis que navegando pela internet, achei uma matéria tratando sobre pedofilia, publicada na Isto É de 16 de novembro de 2005.

Talvez não tenha sido intenção do repórter Alan Rodrigues, mas ele não conseguiu, a meu ver, proteger a identidade do garoto abusado. Mesmo tendo colocado apenas as iniciais do nome dele, há pistas suficientes na matéria para saber quem é a criança.

Para que vocês entendam o que eu quis dizer, segue abaixo o primeiro parágrafo da matéria. Os grifos são meus.

Para boa parte das mães beatas, ver um filho se tornar coroinha é como alcançar uma graça. E essa “dádiva” foi conseguida pela goiana Patrícia Teixeira dos Reis, 31 anos, na última Páscoa. Na missa de 27 de março, o garoto V.R.D., dez anos, um de seus três filhos, subiu ao altar da Paróquia do Imaculado Coração de Maria, em Alexânia (GO), para ser consagrado. Mal sabia Patrícia que aquela cerimônia marcaria o início de um calvário. Depois de cinco meses como auxiliar do padre Édson Alves dos Santos, 64 anos, V.R.D. revelou à sua avó, dona Iraci Teixeira, professora de catequese há 20 anos, tudo o que acontecia atrás da sacristia. “O padre faz comigo igual o homem faz com a mulher”, relatou. Ele tira minha roupa, levanta a batina, me coloca no colo, fala para eu ficar tranqüilo e diz que aquilo é a prática da penetração”, contou o garoto. A avó, estarrecida com o que ouvira, comunicou o relato a Patrícia, que imediatamente o levou ao médico e à polícia. Todos os exames confirmaram: V.R.D. foi vítima de abusos sexuais.

Para quem está lendo este post, pouco importa quem é V.R.D. Se o nome dele é Vilson, Vanderlei, Valério ou Vilmar, tanto faz. Ninguém por aqui conhece ele.

Agora imaginem a situação em Alexânia. Segundo a Wikipedia, a cidade tinha 22.287 habitantes em 2005. Ao ler a matéria, me perguntei quantas Patrícia Teixeira dos Reis, com 31 anos, filhas de Iraci Teixeira, professora de catequese há 20 anos, existem em Alexânia. Dentre estas, quantas têm um filho cujo nome começa com a letra V?

Eu aposto que são muito poucas. Muito provavelmente, apenas uma.

Fico pensando se esta revista caiu na mão de algum coleguinha de escola do V. O moleque já devia ser zoado porque era coroinha. Deviam ficar o tempo todo chamado o guri de viado. Depois da matéria e das evidências expostas na revista, ele deve ter certamente mudado de escola.

Ou de cidade.

Eu processaria o repórter indiscreto.

8 comentários.

8 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Pedro Villalobos, 16/10/07
    1

    Frequentemente vemos fontes de reportagem que são facilmente identificaveis. Parece que as pessoas não se importam muito que quem está ao redor da vitima saiba. O que é bme idiota, já que alguem no Acre ler isso não faz diferença, mas o colega de sala faz e muita..,..

  2. Carla, 16/10/07
    2

    O Reader não me avisou desse teu post novo!

    E aguardo ansiosamente pelo comentário da Gabriela, ela sempre tem boas coisas a dizer sobre jornalismo :]

  3. Moskito, 16/10/07
    3

    Grande irresponsabilidade do repórter ou editor que aprovou a reportagem.

    Para processar tem que ver se não foi assinada nenhuma autorização por parte da família para publicação da matéria… eu sinceramente não sei como isso funciona e provavelmente estou falando bobagem, então paro por aqui. haha :P

  4. 4

    Não entendo a irresponsabilidade da revista. O problema é que processo é pra ricos. Principalmente contra a revista, que seria a tomada de posição do advogado que representasse a família.
    Processo só vale para advogados contra grandess empresas. Não sei o quê faria. Processar seria a última instância, se alguém patrocinasse a causa para mim.

  5. j noronha, 16/10/07
    5

    Pouco importa se foi assinada uma autorização. A lei protege a identidade de menores de idade. Se a revista ou site pisa na bola, pode sim ser processada. O problema é que gente humilde dos cafundós não tem a mínima noção de nada.

  6. Pato, 16/10/07
    6

    Pobre criança: depois do abuso sexual, o abuso de privacidade.

  7. smurf, 17/10/07
    7

    q merdein?

  8. thamiris maria garcia silveira, 23/3/09
    8

    todos nos devemos combater a pedofilia e defendermos a inocencia dos nossos pequenos.Quem denuncia,Salva!!!

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