I'm a professional cynic
But my heart's not in it

Minha relação com DST

O DST (ou Daylight Saving Time), também conhecido como horário de verão, começou hoje aqui nos Estados Unidos da América do Brasil (TM Serra). Mais do que ragear contra ele, que seria mais do que normal da minha parte, decidi compartilhar duas coisas a respeito dele com meus leitores.

A primeira é este vídeo, embedado logo abaixo, no qual o autor explica o que é o horário de verão e porque, na visão dele, tal medida é inútil atualmente, pelo menos nos países desenvolvidos.

A segunda é esta matéria do G1, de 25 de fevereiro de 2012, que afirma que o último horário de verão brasileiro economizou R$160 milhões em energia elétrica, equivalente a 0,5% da energia produzida no Brasil. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), essa “economia tem como consequência a redução da tarifa de energia elétrica para o consumidor.”

Não sei se eu perdi a noção do valor do dinheiro ou estou pensando errado, mas R$160 milhões economizados não é nada. Dá menos de R$1 a mais na conta de luz de cada brasileiro. Se considerarmos famílias de 4 pessoas, daria R$4 a mais na conta de luz, em um ano. Se R$4 anuais vão fazer falta para alguém na hora de pagar a conta de luz, este alguém tem prioridades mais sérias do que energia elétrica para gastar seu dinheiro.

Não obstante, aposto que as perdas que as empresas e os governos tem com a queda de rendimento dos funcionários nas primeiras semanas do horário de verão, enquanto o organismo das pessoas se acostuma com esta brutalidade, são maiores do que R$160 milhões.

Evitar picos de energia às 18:00 também não me convence como motivo para o horário de verão. Isto é culpa de infra-estrutura mal projetada, não dos hábitos das pessoas.

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Os amenizadores

Eu tenho uma teoria: toda frase que se inicia com a expressão “eu tenho uma teoria” será completada com alguma coisa que

  1. não é teoria
  2. todo mundo ja sabe
  3. é imbecil

Na verdade, esta teoria nem é minha: kibei do @seufelipe. Mas, de fato, eu tenho uma teoria que aplico na internet já tem alguns anos. Toda declaração chocante, antipática ou maldosa que tu fizer será amenizada por um emoticon ou uma risada.

Eu criei minha teoria em 2006. Minha orientadora na época tinha recém aceito no mestrado uma guria vinda do interior que, para se enturmar conosco, logo pediu nossos emails, telefones e tal. Uns 5 segundos depois dela ter pego meu endereço eletrônico, recebi um email com o título RE:FWD:RE:Re:Enc:Re:Enc:Enc:Muito Legal!!!1!!1! (ou algo muito similar a isso).

No mesmo dia recebi outro.

E outro.

E outro.

E depois ainda mais um.

E isto se repetiu por alguns dias.

Até que eu escrevi um e-mail para ela “Fulana, tu poderia parar de me repassar e-mails engraçadinhos? Obrigado :D”

Percebam que coloquei dois pontos e um dê maiúsculo ao final da minha frase. Ou seja, eu estava amenizando minha declaração, com um sorriso. Até Mengele, se tivesse sorrido quando fazia seus experimentos, não teria sido condenado pela humanidade. Desta forma, eu não fui tão duro com a garota e ela me acharia um cara talvez sincero demais, porém educado e bacana.

Mas quem disse que ela entendeu? Sequer respondeu ao meu e-mail e imediatamente parou de me cumprimentar nos corredores e no laboratório que compartilhávamos. O mais interessante é que todos as outras pessoas que compartilhavam o laboratório conosco tinham a mesma opinião que eu, mas resolveram se calar para não acontecer com eles o que aconteceu comigo. Que não foi algo de todo ruim, diga-se de passagem.

Não sei onde eu quis chegar com esta história, mas acredito que há uma bela lição de vida em algum lugar dela.

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Cultura?

Um dos sintomas mais evidentes da pobreza cultural de nosso tempo é o interesse pelos anos 60 e 70, um dos períodos mais abomináveis da história da humanidade.

Diogo Mainardi, A cultura me deprime

Como alguém pode não gostar do Diogo Mainardi?

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Show de realidade

Creio ser consenso entre os estudiosos que a primeira edição da Casa dos Artistas foi o melhor reality show já produzido e exibido em nosso país. Mesmo assim, desde a estreia do Big Brother Brasil, lá nos idos de 2002, todas as outras emissoras de TV tentaram replicar o sucesso obtido por Sílvio Santos, mas sem nunca conseguir. Quem diria que seria logo a Band, o canal do eterno Elia Junior, em pleno 2012, que igualaria tal feito.

Mulheres Ricas, encerrado ontem, pode ser considerado um marco da TV brasileira. Ainda que, à primeira vista, a vida de mulheres abastadas não inspire muita curiosidade, a Band fez aquilo que todos os reality shows deveriam fazer: ignorou o público.

Os comentários feitos a respeito do texto Faustão comprova que “BBB” precisa mais de personagens como Laisa do que João Mauricio só comprovam este fato. O brasileiro não sabe votar em reality show e depois reclama do que acontece no programa. Todo BBB é a mesma coisa: os “vilões” são eliminados antes da reta final do programa e a casa acaba caindo num marasmo infernal, onde nada acontece. Os telespectadores não percebem que sem participantes antagonistas, sem conflitos, o programa fica insuportavelmente chato de assistir.

Deixo aos antropólogos e cientistas sociais a tarefa de confirmar se este comportamento é apenas um reflexo da vontade que o brasileiro tem em fazer justiça num mundo em que ele se acha o maior injustiçado. Para mim, além disso, mais do que a novidade, o que agrada o telespectador médio é a repetição. Aquilo que o faz não querer ser surpreendido pela vitória de um participante polêmico é o mesmo princípio que o faz renegar Tony Ramos no papel de alguém mau.

A Band, ao não levar em conta o que o público pensa, acabou dando a este mesmo público o que Certo está Sílvio Santos: ignorar o que os telespectadores acham que querem e dar a eles o que realmente querem é que é a verdadeira garantia de sucesso.

Para finalizar, este é o meu ranking dos melhores reality shows já exibidos na TV aberta brasileira:

  1. Casa dos Artistas 1
  2. Mulheres Ricas
  3. No Limite 1
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Das intempéries domésticas

Ontem o chuveiro daqui de casa quebrou enquanto eu lavava o banheiro. Embora não saia mais água pelo chuveiro em si, ainda sai pela torneira que enche a banheira. Hoje fui tomar meu primeiro banho 100% em banheira desde que vim para os EUA.

Nas outras poucas vezes me que tomei “bath” e não “shower”, eu ficava ali naquela água acumulada, relaxando um pouco, curtindo a mornicidade daquela placenta feita para adultos. Só que, ao final de tudo, eu lavava o cabelo e dava um último enxágue em mim com o chuveiro.

Mas hoje tive que me banhar sempre com a mesma água de cu lavado, sem poder trocar ela instantaneamente, como numa ducha tradicional. O resultado? Tive que encher a banheira três vezes: uma para o banho em si, outra para lavar o cabelo e outra para enxaguar o corpo. É humilhante e ao mesmo tempo desesperador se limpar com água não-transparente.

Só então entendi porque os índios tinham cachoeiras e se banhavam frequentemente, enquanto os portugueses, que tinham que se contentar com o Tejo e suas águas sem correnteza, não eram chegados numa higiene pessoal mais constante.

(abusei da liberdade poética; sei lá se o Tejo tem correnteza ou não)

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  • Institucional

    A Grande Abóbora, o blog do Marcus.

    Uma explosão de sabor.

    Saiba mais sobre mim lendo meu about.

    Ou não.