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Os Bons Companheiros (GoodFellas, 1990)

Quando se pensa numa lista de melhores filmes, há que se definir se elegeremos os melhores filmes ou os filmes que mais gostamos.

Quando Os Bons Companheiros (GoodFellas, 1990) estreou, o filme definitivo sobre a máfia já havia sido realizado. Coppola lançou, em 1972, O Poderoso Chefão, que é, além do melhor filme sobre máfia de todos os tempos, é um dos melhores filmes de todos os tempos. Isto talvez indicasse que o filme de Scorsese fosse apenas mais do mesmo.

Os Bons Companheiros (GoodFellas, 1990)

Mas Os Bons Companheiros é um filme do Scorsese. Logo, o que ele menos pode ser é mais do mesmo. Se em O Poderoso Chefão o que vemos é o apogeu e queda de Don Vito Corleone(1), o tal chefão do título, em Os Bons Companheiros acompanhamos a vida da baixa máfia, daqueles que realmente põem a mão na massa.

É impossível deixar de comparar Os Bons Companheiros com Cidade de Deus. Henry Hill (Ray Liotta) é Dadinho: desde pequeno, apenas o crime o interessa. Para eles, esta é a única maneira para ascenderem na vida. A menos do glamour dos ternos, da honra que prezavam e do respeito que os mafiosos tinham uns pelos outros, a história é a mesma.

(Esta desorganização e degradação [visual, pois moral os dois grupos possuem] dos traficantes negros da Cidade de Deus, em oposição aos bandidos brancos do Brooklyn nova-iorquino, me lembra uma das minhas cenas favoritas de Cães de Aluguel, quando Mr. Pink pergunta se Mr. White e Mr. Blonde são negros ou profissionais)

Como disse antes, enquanto o filme de Coppola trata dos líderes da máfia, o de Scorsese trata da parte mais baixa da bandidagem, de quem realmente faz o trabalho sujo. Em Os Bons Companheiros, nem Henry Hill, nem Jimmy Conway (Robert DeNiro) poderão ser chefões algum dia, pois são meio irlandeses. Apenas os puramente italianos (ou descendentes deles) podem entrar para a Cosa Nostra.

E aí acompanhamos suas vidas, acompanhando-os até o mais longe que conseguem ir. E, mais do que nunca, tentando entender o que levou estes homens a se tornarem aquilo que são.

O Poderoso Chefão pode até ser melhor, mas eu ainda prefiro Os Bons Companheiros.

Cotação: ★★★★★

Esta resenha é parte do projeto Um Filme Por Semana. Para ler as outras resenhas, clique aqui.

(1)Se bem que eu considero O Poderoso Chefão uma série de filmes sobre Michael, e não sobre Vito

2 comentários.

2 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Anderson, 17/3/09
    1

    O bom dessa sua sessão de cinema é q vc não fala de filme ruim. Esse é um dos top 3 do Scorsese (o q não é pouca coisa). Difícil eu começar a falar da paixão q tenho por esse filme.

  2. marie, 18/3/09
    2

    é um dos meus filmes preferidos – mais até do que o poderoso chefão. rola uma identificação e ahah, deixa quieto.

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