Um outro conceito de eternidade diferente daquele difundido pela crença cristã foi apresentado por Platão no Timeu, um dos seus mais famosos diálogos. Nesta outra forma de eternidade, não é um tempo infinito que é considerado e sim um tempo finito, porém ilimitado.
Mas o que significa dizer que algo é finito e ilimitado? Para explicar isto, utilizarei uma alegoria geométrica.
Um segmento de reta é finito e limitado. Se definirmos um ponto sobre ele e começarmos a percorrê-lo em alguma das suas direções, chegaremos ao fim do segmento sem nunca encontrar o ponto inicial. Este trajeto é finito e limitado.
Uma reta é inifinita e ilimitada. Se definirmos um ponto sobre ela e começarmos a percorrê-la em alguma das suas direções, podemos andar eternamente que nunca mais encontraremos este ponto. Nosso trajeto é, portanto, ilimitado.
Uma circunferência é finita e ilimitada. Se definirmos um ponto sobre ela e começarmos a percorrê-la em algum dos seus sentidos, invariavelmente encontraremos o ponto de partida. Mas este ponto não implica o fim de nossa jornada: podemos continuar percorrendo a circunferência, andando em círculos para sempre. Logo, o trajeto é finito e ilimitado.

Platão postulou que cada alinhamento dos 7 planetas1 define um ciclo. Ele argumenta que cada se planeta repete sua posição no céu, cada evento do universo será repetido de acordo com o que ocorreu no ciclo anterior.
Se no início deste ciclo Platão ensinava em sua academia, no início do próximo ele estará lá ensinando novamente. Como a repetição da posição dos planetas implica a repetição dos eventos universais, toda a história repete-se indefinidamente.
Para clarear a idéia, lembre-se do exemplo da reta e da circunferência. A eternidade cristã pode ser comparada a uma reta2; a platônica, a uma circunferência.
Ou seja, não importa se esta que vivemos é a primeira ou a décima terceira repetição. Não importa se é a repetição 2 elevado na treze mil. Todas as histórias são iguais e estamos fadados a repeti-la para sempre, sempre nos esquecendo do que ocorreu anteriormente.
Platão não foi o único a se preocupar com uma maneira cíclica de representar a eternidade. A seguir, discursarei sobre o eterno retorno de Nietzsche.
1Na Grécia Antiga, chamava-se de planeta todo astro que não fosse fixo no céu, como as estrelas. Os astros conhecidos que cumpriam estas condições eram a Lua, o Sol, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
2A uma semi-reta, na verdade, pois o tempo tem um início.
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3 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
ótimo texto!
isso até descobrirem a falha que ocorre na matrix, que leva o escolhido a optar sempre pela porta da destruição..
Foi concedida a graça para Isa (Jesus) de ver o Bahamut. após vê-lo ficou desacordado por três dias…