
O Senhor das Armas (Lord of War, 2005) é um filme de guerra, mas com um viés denuncista. Acompanhamos a vida de Yuri Orlov (Nicholas Cage), imigrante ucraniano nos EUA que, com o auxílio de Vitaly (Jared Leto), seu irmão mais novo, torna-se contrabandista de armas nos anos 80.
Durante o desenrolar da história, vemos alguns dos principais conflitos dos últimos 25 anos passarem à nossa frente, como as guerras civis do Líbano e Libéria e a invasão soviética no Afeganistão.
Como é um filme baseado em fatos reais, há diversas estatísticas apresentadas no decorrer da projeção, como o desmonte (para não dizer assalto de US$32 bilhões) do exército ucraniano após o fim da URSS, de modo a informar o espectador a respeito da situação atual do mercado armamentista no mundo, mesmo que superficialmente. Aliás, o monólogo de abertura do filme, proferido por Yuri, é:
Existem mais de 550 milhões de armas de fogo em circulação no mundo. Isso equivale a uma arma para cada doze pessoas no planeta. A questão é: como vamos armar as outras onze?
É justamente esta a preocupação de Yuri. Mais do que um contrabandista, ele é um negociante. E é muito bom no que faz. Tão bom que, apesar de ter consciência de que ele não é, de forma alguma, a melhor pessoa do mundo, ele não consegue parar de fazer o que faz.
E como ele pode parar, se ele é peixe pequeno, comparado com os maiores vendedores de armas do planeta, como os EUA, França e China? Países estes com cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU, é claro.
O Senhor das Armas é um filme pipoca, mas com um pequeno fundo de verdade, que nos faz questionar a quem interessam, realmente, os conflitos armados no mundo.
Cotação: ★★★★☆
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2 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
6:15 da manhã com uma insônia … e não raciocinando adequado
Opa …Um assunto que eu entendo … sou colecionador e cinéfilo
A abertura do filme é fantástica, pois mostra a ‘trajetória’ completa de uma bala, num tiro certeiro para abrir discussões sobre quem são as verdadeiras vitimas do comércio de armas.
Poxa, ficou boa a frase ?
Como você comentou há sim embasamento, há coragem, mas o resultado é muito ‘pop’, só vai servir como denúncia pro pessoal mais instruído, por ser Hollywood (personagens caricatos), a turminha do shopping vai encarar como mero entretenimento.
E quanto ao material bélico da Ucrânia, já comprei um lote de 20 baionetas do AK-47 devidamente etiquetado a 2 anos, ainda tenho a etiqueta de 1987. Perto do fim da URSS todos os paises do bloco comunista foram saqueados por seus próprios integrantes militares, a Ucrânia é só mais um, a falta de disciplina e o grau de corrupção dos milicos de lá é bem conhecido. Após o fim da URSS até os soldados, seguindo o exemplo dos oficiais, trataram de vender tudo o que conseguiam surrupiar dos quartéis, não me refiro a armas, mas todo tipo de apetrecho que interessa aos colecionadores de militaria. No filme ‘Good bye, Lenin’ (Que recomendo !!!!, drama-comédia-denúncia sobre a queda do muro de Berlim) lembro de ver uma cena num mercado de pulgas onde vendedores tinham itens militares colecionáveis da finada DDR a venda, mas agora não consigo lembrar o que exatamente.
A quantidade de material de militaria (não me refiro a armas) do bloco comunista girando é tanta que não houve espaço para falsificações.
Realmente, a abertura d’O Senhor das Armas é muito boa. A cena final do interrogatório também é fantástica, e uma das minhas favoritas – e olha que eu nunca fui um grande fã do Kage.