Mostrar uma pessoa pobre e ridicularizá-la em público é “humor”?, pergunta o post mais insuportável já escrito numa língua indo-européia. É claro que é, sua monga. Se você só consegue rir de uma piada depois de saber quantos salários mínimos ganha a vítima da piada, você não faz nem idéia do que é humor – você está apenas sendo político, e no sentido mais ridículo da palavra, que é quando uma pessoa cria um blogue só para mostrar que tem tanta bondade e tolerância que mal consegue guardá-las dentro em um único coração, e que vai entregar para a polícia e dar sermão em qualquer um que demonstre um pouquinho menos de piedade pelos desfavorecidos.
Os leitores habituais sabem que minha bondade e tolerância não são tão grandes a ponto de não caberem em meu coração.
Embora eu esteja, a bem da verdade, um pouco longe deste ideal, eu me considero uma pessoa boa. Creio que quem me conhece pessoalmente pode atestar que para malfeitor eu não sirvo.
Mas isto não me impede de rir da desgraça alheia. Não que eu ria de um mongol só porque ele é um mongol. Mas se eu vir um mongol metendo o sorvete na testa, eu vou rir dele como riria de ti se tu metesse um sorvete na tua testa.
Mongol, no meu contexto, não se refere a um soldado das tropas de Gengis Khan, e sim a alguém com o mesmo problema que a filha caçula do Romário.

Eu não tenho nada contra negros, judeus ou fãs de Bob Dylan. Mas não me privo de fazer piadas sobre eles, só por que, talvez, isto não seja de bom tom.
Lembro que uma das coisas mais engraçadas que ouvi na minha vida (e que provavelmente não terá graça quando relatada aqui) foi numa das vezes em que joguei Winning Eleven. Não lembro com que clube estava (provavelmente Milan ou Chelsea), mas lembro que enfrentava o Barcelona.
Eto’o no ataque, com a bola dominada, correndo em disparada em direção ao meu gol. Quando ele vai chutar, mete um balão para fora, no que me adversário, descrente do que havia acontecido, lamenta:
-Negrinho, negrinho, se tu tivesse nascido de outra cor…
Metade de vocês deve ter fechado o browser neste instante com nojo desta declaração. Mas eu não vejo racismo nela. Pelo contrário, ela só iguala Eto’o aos jogadores de outras nacionalidades/etnias quando eu jogo, eles erram e eu necessito xingá-lo de alguma forma.
Por exemplo, Crespo erra seus cabeceios na Inter porque é argentino. Cristiano Ronaldo erra os dribles porque é português. Beckham não cobra faltas direito porque é metrossexual.
Usar o politicamente correto, nos casos anteriores, não me levaria a nada. Não me acho preconceituoso, racista ou qualquer outra coisa por falar (ou rir de) frases como as que listei antes.
Mas o pior é que o politicamente correto, na ânsia de eliminar um “preconceito”, pode gerar outro no lugar. Segue trecho de um post do blog Obra em Progresso, do Caetano Veloso:
Gravataí Merengue, concordo totalmente com você: afro-isso, afro-aquilo (e a forma americana “African- American” é ainda pior) é um modo racista de falar. Um egípcio é africano. Um bôer da África do Sul também. O mesmo para tunisinos, marroquinos e argelinos. “Africano” não quer dizer “negro”. Mas mesmo que todos os africanos fossem pretos, seria racismo designar povos tão variados (inclusive fenotipicamente), oriundos do maior continente da Terra, por uma só palavra. Iorubanos não são bantos, malineses não são bundos, haussás não são gege. São povos com histórias diferentes e muitas vezes tingidas de inimizades milenares. Chamar um mulato filho de uma branca americana com um preto do Quênia de “African-American” é uma grosseria histórica. Essas expressões são “muito piores do que qualquer outra adotada espontaneamente pelas pessoas”, como você diz. Usá-las é adotar o olhar do traficante de escravos.
Em resumo, chamar um negro de afro-americano (ou afro-brasileiro) é a mesma coisa que chamar qualquer nordestino de baiano ou paraíba, sem se importar com as diferenças inerentes entre eles. Dizer afro-americano (ou afro-brasileiro) é mais preconceituoso que simplesmente chamar um negro de… negro.
Ok, vocês ainda podem argumentar que, para mim, que sou branco, de olhos claros, classe-média, que estudou em boas instituições de ensino, pós-graduado, isto realmente não faz importa. Que nunca senti o racismo, que não tenho uma filha com Síndrome de Down, que meus antepassados não foram vítimas do holocausto e que blá, blá, blá…
Mas como eu já havia notado há mais de três anos, a verdadeira minoria sou eu.
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6 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
A piada que você citou é uma forma de racismo bem humana mesmo, não tem o que se culpar.
Mas uma boa razão pra dar risada dela é não ter amigos negros, pobres, deficientes fisicos, com filhos com sindrome de down, ou o que for, porque senão você vira um “ET” no seu circulo de amigos. Daí a falta de maturidade pode te render um bom olho roxo ou coisa pior.
Cara,tens toda razão! A ânsia politica de tentar agradar a massa(supostamente vítima do preconceito)é que acaba gerando o preconceito;ou seja o preconceito parte na verdade é de quem o sente,pelo fato de não aceitar suas origens! Eu por exemplo sou filho de “branca”com negro,porém nunca levei isto como algum parametro para meu relacionamento com outras pessoas! Já dizia Rauzito:”…e onde vc vai eu tbm vou!!!”
Nao gostei de como tu falou da filha de Romario…soou agressivo bicho. Como se tentando fazer uma piada, mas nao saiu legal…Me incomodou
No mais o post eh legalzinho.
Eu chamo quem é aleijado de aleijado mesmo. O cara não vai deixar de ser aleijado se eu o chamar de portador de deficiência físico-locomotora, ou sei lá como chamam.
Faltou um “negrinho” ali; foram três. E, é claro, meus créditos pela frase.
Tu é o maior zé, entendeu ou interpretou tudo errado… Vê se lê mais, estuda mais, cresce um pouco e sai da bolha do teu quarto!