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O mercado de quadrinhos no Brasil e as vantagens de ser um mestrando

Quem vai numa banca de revistas brasileira hoje e vê a quantidade de títulos disponíveis, não consegue ter a mínima idéia do que era o mercado 10 anos atrás. Quadrinhos americanos em formatinho, quase nenhuma edição de luxo, nada de quadrinhos orientais. A Abril Jovem detinha uma confortável posição de líder de mercado e, como nosso país, estava deitada eternamente em berço esplêndido.

Mas houve um grande boom no mercado de quadrinhos na década de 90 (ou pelo menos é assim que me lembro). Até esta época, praticamente só o mainstream de Marvel e DC tinham suas edições nacionais(1). Lá pelos idos de 1996, se não me engano, a Image Comics começou a ter suas revistas publicadas por aqui. Lembro-me que Spawn, Youngblood, Savage Dragon, Darkness e Witchblade saíram pela Abril Jovem, ao passo que Wildcats, Gen 13, Cyberforce, Strykeforce e a edição brasileira da Wizard ficaram a cargo da Globo.

Mas também era publicado o que, para mim, é a cereja do bolo: Vertigo, a linha adulta da DC. Esta foi esquartejada entre Abril, Magnum Force e Metal Pesado. Alguns títulos já haviam sido publicados anteriormente pela Abril, como Hellblazer e Livros da Magia, em uma revista mensal porca em preto e branco chamada Vertigo. Depois do cancelamento desta revista, as minisséries da vertigo começaram a sair em edições mais caprichadas, pela mesma Abril. E no formato original, diga-se de passagem. Consultei minha coleção e, da Magnum Force, só encontrei Hitman e Starman. Já a Metal Pesado publicou, entre outras, Soldado Desconhecido, Hellblazer, Vampirella (esta não era Vertigo) e (pausa para tomar fôlego e falar como Rodrigo Santoro em 300) Preacher.

(Seu tu não sabe o que é Preacher, não sou eu que vou te explicar. Aqui tem uma explicação em português e aqui uma em inglês.)

A publicação de Preacher no Brasil é uma novela. Começou na Metal Pesado, que mudou de nome para Tudo em Quadrinhos na edição 12 da revista. Aí acrescentaram o selo Edições Fractal e, no número 18, o nome mudou novamente para Atitude Publicações. Então parou de ser publicado. A Brainstore assumiu a publicação com nova numeração e cancelou a revista, sem explicações, no meio de uma saga, no número 34.

Eu nunca comprei nenhuma destas revistas(2), a não ser os dois primeiros números da Metal Pesado.

Mas ano passado a Devir começou a publicar os encadernados da série, em formato um pouco menor que o americano, por R$45 cada edição. Lançaram três edições e perderam os direitos para a Pixel, que vai continuar de onde a Devir parou e, talvez, continue com o padrão da Devir.

Eu também não comprei nenhuma desta edições.

(Atentem para a aparente fuga do tema.)

Só que enquanto estudante de mestrado, com uma bolsa de estudos de maior valor, eu finalmente posso ter um cartão de crédito internacional com um limite decente. E com um limite decente dá para comprar coisas decentes na Amazon, por exemplo.

(Volta para o tema e atinge o real propósito do post.)

Na Amazon, os 9 TPBs de Preacher, saem por US$ 99.85 (US$ 12.48 em média) mais US$ 52.90 de frete, totalizando US$ 152.75 (média de US$16.97 por edição, contando o frete). Nem é tão caro, se lembrarmos que cada edição brasileira, fora do padrão original, sai por aproximadamente US$ 22.19.

Mas assim como existem Amazon e Visa, existem eBay e PayPal. E o eBay é, muitaas vezes, se não em todas, mais barato que a Amazon. Fui lá ver se alguém tinha Preacher apra vender. E nessa brincadeira de leilões comprei os 9 TPBs, novos, por módicos US$ 117.25, com frete. Ou seja, US$ 13.08 por edição, US$ 9 a menos que o preço da edição nacional. E sem erros de tradução e no formato original, pois é a edição original.

Os MEUS 9 TPBs de Preacher. Morram.
Os MEUS 9 TPBs de Preacher. Morram.

E viva o capitalismo, que me proporciona estas pequenas e intensas alegrias cotidianas.

(1)Houveram raríssimas exceções, mas foram publicadas por pouco tempo.
(2)Provavelmente as vendas baixas levaram ao cancelamento. Mas nesta época eu me preocupava mais com bebidas do que com HQs.

13 comentários.

13 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Gian, 10/4/07
    1

    Interessante…

    Será que eu já te disse que comprei Hellblazer #1 e Sandman #1 por R$ 5,00 cada uma?!

  2. Joatan, 11/4/07
    2

    Nao me diz que no Brasil, bolsa de mestrado dá para pagar aluguel, comida, livros e ainda sobrar para gibi!!

    Vou amanha na universidade…

    []s

    Joatan
    http://www.PagandoOPato.com.br

  3. marcus, 11/4/07
    3

    Sim Gian, já disse. E eu te mandei à merda em todas as 384 vezes.

  4. Carla, 11/4/07
    4

    Ah, o Marcus não deve pagar aluguel…

    Parabéns pela compra! Eu também fico muuuuito feliz quando consigo atender meus impulsos consumistas pagando menos.

  5. trixie, 11/4/07
    5

    aaah, pô. eu queria muitos muitos quadrinhos que só vendem na europa, tipo druillet, giger, devil, giardino, sei lá – é triste morar na américa latina. na comix lá da r. augusta até que tem algumas coisas, mas muito caro. melhor era comprar do ebay mesmo, se eu pudesse…

    vi preacher hoje na fnac.

  6. J., 11/4/07
    6

    também as tenho todas. morre.

    sou tão geek quanto tu, e ainda mais giro.

  7. marcus, 12/4/07
    7

    Eu sou muito mais giro. Além de Preacher, tenho quase todos os Sandman também.

  8. éver, 12/4/07
    8

    E tudo isso com o dinheiro do contribuinte. Ê-le-iê ! Benditos mestrandos que tanto contribuem com este país(inho).

  9. smurf, 12/4/07
    9

    éverrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr …. r
    os Thundercats ….existem!!!!!!!!!!

  10. J., 12/4/07
    10

    sandman não tenho todas ainda, mas também levas-me uns anos de vantagem E eu não tenho o dinheiro de um mestrado à disposição.

    eu não uso óculos.

  11. marcus, 12/4/07
    11

    Óculos são legais. Muitas garotas adoram.

  12. smurf, 12/4/07
    12

    óculos são legais .
    garotas gostam de flores … e músculos!
    gays gostam de ky e espartanos santoro

  13. marcus, 12/4/07
    13

    O Santoro era persa.

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