Desde que conheci Tudo Que Eu Sempre Sonhei, dos Pullovers, uma ideia martela a minha cabeça.
Esta é uma canção sobre a idade, esta coisa que, invariavelmente, chega pra todo mundo. Mas um trecho em especial me incomoda desde meu primeiro contato com este som.
O melhor ainda está por vir.
É normal que desejemos que o novo ano seja melhor que o atual. Que o novo emprego seja melhor que o anterior. Que o novo disco dos Strokes supere o First Impressions of Earth. É da nossa natureza.
Mas e se o melhor não está mais por vir?
Raciocine comigo, pensando na situação de uma pessoa idosa. BEM idosa. Uma pessoa 95 anos, digamos. Mas não alguém doente: pense em alguém nada mal de saúde (para uma pessoa com quase um século de vida). Claramente, esta pessoa não está mais na sua melhor forma, nem física, nem intelectual, nem social, nem profissional.
Mas para chegar aos 95 anos, esta pessoa teve que fazer outros 94 aniversários. Em particular, teve que completar, digamos, 5 anos de idade. Mas alguém com 5 anos de idade ainda não está na sua melhor forma, nem física, nem intelectual, nem social, nem profissional.
Não seria um exagero supor que, na jornada entre os 5 e os 95 anos, esta pessoa atingiu seu ápice. Houve algum momento no qual ela foi o melhor que poderia ser física, intelectual, social e profissionalmente. Talvez tenham sido quatro momentos distintos, talvez não. Talvez tenha havido um momento no qual esta pessoa não estivesse tão bem fisicamente, possuísse um raciocínio meio lento, mas estivesse cercada de bons amigos e com um emprego muito bom, que a divertia e ainda por cima pagava bem. Talvez esta tenha sido a melhor fase da sua vida.
Não importa. O que importa é que houve um ponto de máximo na sua vida. Mas, aos 95 anos, este ápice já passou.
E quando foi? Pergunto porque sempre achamos que o melhor ainda está por vir. Mas é fácil ver que, se somos muito jovens, ele ainda não chegou. Se somos muito velhos, ele já se foi. Que um ápice existe, isto é fato. O problema é que não somos capazes de reconhecê-lo enquanto o estamos vivendo.
Mas não reconhecer nosso ápice não é tão problemático assim, desde que o aproveitemos. Momento pior é aquele quando perdemos a esperança de dias melhores. Quando percebemos que a barriga não quer mais ir embora, que é mais difícil aprender coisas novas, que não nos interessamos mais em sermos íntimos de outras pessoas além daquelas que já somos e que estamos estagnados em nossas ocupações.
Eu tenho uma opinião formada sobre meus ápices. E vocês?
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Cara, isso é uma coisa bastante pertinente. Eu me pego pensando nisso muitas vezes, relacionando com aquela porrada de projeto futuro que sempre se faz. E acho que eu não poderia ter um ápice apenas, eu os divido por categorias, assim fica mais “organizado” e fácil entender e aceitar cada um deles.
Mas mesmo dividindo por categorias, o que eu fiz e deixei implícito no oitava parágrafo, há algum momento que será o melhor de todos, que um dia tu vai olhar pra trás e dizer que tu nunca foi tão realizado/feliz.
Felizmente a concepção de Felicidade é metamórfica.
O que importa, sempre, é o ápice do momento que se vive.
Momento pior é aquele quando perdemos a esperança de dias melhores.
Acho que essa frase basicamente resume por onde minha mente foi quando leu o post. Não que queira declarar que “esperança é o moinho da vida” ou qualquer outra breguice parecida, mas o THE BEST IS YET TO COME é uma ideia que sempre aparece na história da humanidade. A promessa de um céu cristão, por exemplo, se acomoda aí. Podemos aplicá-la no decorrer da vida individual, e sobre isso alguns diriam que o ápice vai dos vinte e tantos aos trinta – quanto a mente estabiliza, ou seja, começa a decair. Mas essa afirmação é um bocado fria, baseada em estudos sobre o desempenho do cérebro, blahblahblah, creio que é possível encontrar clímaxes dentro de cada fase. A infância também possui períodos gloriosos de criatividade intensa, por mais que certas partes ainda não estejam desenvolvidas. E ainda mais, é esse mesmo ápice na infância, com as mesmas características, que retorna mais vigoroso e transmutado na adolescência, maturidade e velhice. Esta última, por sinal, só é desanimadora para quem nunca teve coragem de se assumir a si mesmo e relaciona a morte como inimiga da vida. De resto, já ouvi muitos dizerem que a idade gradativamente traz uma compreensão mais integrada da “condição humana no universo”, mesmo que a memória dê uma caducada; isso compensa toda a euforia da juventude, que é cega de tão esperta, e assim vamos nos elevando para além de classificações como o “melhor período”.
Penso agora na imagem de muitos micro-ápices formando correntes de ápices maiores. Ápices como cristas de onda – e tudo o que percebemos é o mar em sua imensidão.
Colocando esse problema em perspectiva, essa é uma questão mto discutida em historiografia. Sempre se fala da história como caminhando para o progresso e evolução (a tradição iluminista ainda vive), mas o ápice da história pode já ter ocorrido. Quem sabe um faraó no seu leito de morte alcançou toda a capacidade do ser humanno e o sentido de tudo. E o q veio depois é só um adendo, algo q nem precisava acontecer.
Mas pensando nas nossas vidinhas, não sei se de repente uma pessoa com 95 anos não possa chegar ao ápice. Se é q existe apenas um.
- Dos 95/100/105 anos de idade (Leia-se: atual estimativa humana de “fim da vida”)
Pobres daqueles que compram uma “Promessa de Felicidade”(1).
Vivo sabendo que se morresse hoje teria vivido como quis; pois eu vivencio, a cada respiração, aquilo em que acredito.
Quantas ” engrenagens ” podem dizer o mesmo – ou quantas delas têm credibilidade para tal?!(2)
(1) Inclusos nesse grupo, dentre outros, quase todos os efetivos/potenciais aposentados e pensionistas do INSS.
(2) Pergunta retórica com finalidade dialética. Não consigo imaginar uma situação na qual traçaria – verdadeiramente – um paralelo desta natureza com outro(s) da minha espécie (Biologia).
Relendo o aquilo dito por último, me lembrei que, algumas vezes, minha subjetividade metafórica eleva-se próxima ao nível do Autismo. Trata-se de um reflexo semi-voluntário, uma maneira à prova de idiotas – não é à toa ela parecer Autismo em muitas ocasiões – que desenvolvi para me expressar. Tem como efeito colateral que, perante qualquer um apto a enxergar as nuances, aquilo que escrevo pode vir a parecer uma “Piscina de Bolinhas” nessas situações.
Vou [Existe alguma palavra que expresse intermédio entre ratificar e retificar?] aquilo que eu disse antes.
Quando me referi à “Promessa de Felicidade” quis fazer menção a um ” estereótipo de vida “. Comprar uma “Promessa de Felicidade” é, no caso, o Indivíduo entregar sua Energia Vital a um arquétipo qualquer – aquilo que massivamente acontece. “Seguir um caminho” e “criar O Caminho” é tão dicotômico quanto se possa notar.
A piada com o INSS foi apenas para reforçar a inexorável ideia de um grande REBANHO HUMANO.
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Depois eu falei da minha Filosofia de Vida: Viver, “intensamente”, aquilo em que acredita.
“Vivo sabendo que se morresse hoje teria vivido como quis; pois eu vivencio, a cada respiração, aquilo em que acredito.”
“(…)a cada respiração…” foi uma metáfora para “momentos de sobriedade”, responsáveis por ocupar a maior parte do meu tempo, assim como acontece com a oxigenação dos pulmões. Infelizmente, por conta das minhas limitações biológicas, sobriedade não é um processo que se da em tempo integral.
Então, fique claro…
Eu não pratico esportes radicais (ainda), nem sou (e sequer pretendo ser) um drogado que vive como se não houvesse amanhã. Não. Pelo contrário! Atualmente eu passo mais tempo com meu computador do que passava junto da minha agora ex-namorada (não necessariamente por isso) – Ok, grande parte dos pombinhos que moram separados estão nessa situação hoje em dia, mas deu para entender o que eu quis passar. Faço isso porque coisas grandes serão realizadas por mim, desta forma. É aquilo no que acredito; é aquilo que, em sua plenitude, eu vivo atualmente.
(Sem maiores detalhes sobre o que exatamente eu faço)
Pois bem, então qual a diferença afinal?! Digo: entre acreditar em Si ou no Mundo (da maneira que o é, ” engrenado “)?
Essa diferença, eu respondo a quem se pergunta: é a única coisa que pode-se ter na existência consciente. O resto é uma sutil ilusão da qual, por questões diversas cujos méritos não tenho interesse em debater, a maioria torna-se (voluntária ou involuntariamente) refém. O que a torna desprezível.
Outra coisa:
“Infelizmente, por conta das minhas limitações biológicas, sobriedade não é um processo que se da em tempo integral.”
Eu não sou, como pode ter parecido, nenhum tipo de MANÍACO-DEPRESSIVO-OBSSESSIVO-COMPULSIVO-PSICOPATA-ASSASSINO.
Apenas Humano.
Cara, nao e possivel. Esse Soares, Geraldo COM CERTEZA e algum amigo seu que esta te trollando. So existe essa explicacao pros comentarios dele.
Amigo, tem uma semana que não leio mais o que ele escreve. Eu deixo ele falar como aqueles malucos que pregam a Bíblia no metrô, saca? Mas como acho que censura é algo errado, eu deixo ele aí. Mal não faz.
Trollar no caso significa demonstar que sou um “insensível incapaz de desenvolver empatia pelos outros”?
Caro autor,
Você ficou mesmo sentido com o meu comentário a respeito dos avatares, não é?! Poxa, nem era pra tanto.
A atividade faz parte da sina do homem. Ele nunca está completamente satisfeito com o que tem, está sempre lutando para obter mais. A morte nos surpreende a caminho de alguma coisa que ainda desejamos. Dê a um homem o que ele quer e, mesmo assim, neste justo momento, ele ainda sentirá que este tudo não é tudo. Por não podermos perceber uma meta ou um objetivo em nossa luta nesta vida, supomos existir um futuro no qual o enigma será decifrado. Esse modo de pensar é mais agradável ao homem porque aqui não há equilíbrio entre alegria e tristeza, prazer e dor.“Quando penso nas alegrias que tive, não sinto contentamento algum, mas quando me lembro das ocasiões em que agi de acordo com a lei moral inscrita em meu coração, aí me alegro. Refiro-me à lei moral. Podemos chamá-la de consciência, sendo do bem e do mal – ela tem existência própria. Eu menti. Ninguém sabe da minha mentira, mas eu me sinto envergonhado. Quando falamos da vida futura, probabilidade não é certeza; mas depois de ponderarmos sobre tudo, a razão nos ordena a acreditar nela. E se pudéssemos vê-la com nossos próprios olhos, do jeito como ela é? Se nos preocupássemos muito com isso, não teríamos mais interesse na vida presente, ficaríamos num permanente estado de prostração. E , no caso oposto, não nos poderíamos oferecer consolo diante das tentações e atribulações desta vida, dizendo ‘quem sabe lá não seria melhor!’ Mas quando falamos do destino, de uma vida futura e de tudo o mais, supomos a existência de uma Eterna Razão Criadora, que tudo criou com algum propósito e tudo de bom. O quê? Como? Nesse ponto, até o homem mais sábio admite sua ignorância. Nesse momento, a razão apaga sua lâmpada e ficamos na escuridão. Somente a imaginação pode vaguear nessa escuridão e criar ficções”.
Tá.
Soares, de fato é perto do autismo. Escrever também é criar uma realidade inebriante, tão fácil viver através das palavras. A quantidade ou complexidade delas não significa necessariamente que o discurso é límpido e equilibrado (e geralmente é o contrário! Quanto mais prolixo, menos comunicação. O que você chama de metáfora pode também ser um complexo). Vejo uma ânsia em se expressar que talvez anuvie um pouco o common sense. Não se precisa “aperfeiçoar” o raciocínio assim compulsivamente. Sim, maníaca, depressiva, obsessiva, compulsiva…mente – porque a negação é artifício, se você declara tal, então assim o é. Parece que você encontrou na escrita uma maneira de afirmar seu ego que deve estar meio manco (por causa da ex?). Não se leve tão a sério! E nada a ver com os avatares.
Acredite: o “common sense” está tão distante de me servir como meta quanto a retomada daquilo que descarto. Sempre que possível – e isso é o mais viavelmente próximo do “sempre” -, agio de maneira… calculista – eximindo-me de qualquer “ânsia”. Não sei se entende.
Nos blogs como este que frequento, onde dedico necessários períodos de ociosidade intercalados aos de criatividade para a obtenção, quem sabe, da compensação desse tempo – verificando a existência de pessoas interessantes como você, por exemplo – “comunicação”, enquanto como descrita subjetivamente em sua colocação, está em um plano… implicitamente secundário.
A piada sobre o psicológico, a propósito, é um aperfeiçoamento pertinente daquela que pode ser vista em “Nothing To Lose” (1997). Não me leve tão a sério!
Meu Ego?! Vai bem, obrigado!
Errata: (…)ajo *
(Com ágio)
The Return of Errata: faltou uma vírgula ali antes de “comunicação”.
Espero que perdoe-se minhas súbitas e eventuais faltas de revisão.
Prometo reler antes de postar, e não entre múltiplas atividades, de agora em diante.