O Demônio das Onze Horas (Pierrot Le Fou, 1965)

Taí um filme ruim que é bom. Muito bom, aliás.

O Demônio das Onze Horas (Pierrot Le Fou, 1965)

Pierrot Le Fou (que me nego a chamar de O Demônio das Onze Horas, pois este título não tem sentido algum) é um filme sem roteiro. Quer dizer, há um McGuffin que é o motivo para a história se desenrolar, mas a película está mais para pequenos trechos que se passam um atrás do outro do que para um “filme de verdade”.

E é aí que reside sua beleza.

Não sou um especialista em Nouvelle Vague. Não sou um fã de Godard. Aliás, ao assistir Pierrot Le Fou, a única coisa que eu queria era que o filme acabasse de uma vez, pois a história não fazia sentido pra mim, a edição era estranha, tudo ficava sem ter muito sentido.

Mas ao analisar melhor a obra, concluí que este é um filme sobre cinema. Cinema americano, bien sûr. As perseguições de carro estão no filme. O romance (Jean Paul Belmondo e Anna Karina). As lutas coreografadas. Assassinatos. Roubo. Fuga. Todos os temas caros ao cinemão americano estão no filme.

Mas é tudo muito francês, tudo muito mais chique. Até mesmo nas cores do filme, nos excessos de azul, branco e vermelho, que nos remetem à bandeira francesa.

Que, por coincidência, são as cores da bandeira dos Estados Unidos também.

Recomendadíssimo, mas só para os bravos com paciência suficiente para aguentar.

Cotação: ★★★★☆

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5 comentários.

5 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Meyviu, 7/5/09
    1

    Paciência igual a pra assistir o Deus e o Diabo na Terra do Sol?

  2. marcus, 7/5/09
    2

    Aí já não sei te dizer, pois sempre fugi do Glauber Rocha.

  3. Pato, 8/5/09
    3

    Acho que paciência é um início, mas não basta: deve-se evitar a companhia daquele amigo cult, especialista em cinema ucraniano. A menos que se tenha saco para agüentar três horas de especulações esquerdistas sobre cada detalhe do filme.

  4. Marcelo Nascimento, 10/7/09
    4

    Com certeza o maior filme ja produzido. O engraçado é que há pessoas que comparam cimena com essas distrações descartaveis dos dias de hoje. A idéia do filme e a fotografia nua e crua faz dele (entre outras coisas) um dos filmes mais belos que já se teve noticias. A personagem de Anna Karina chamando seu parceiro de Pierrot é uma das coisas que fazem deste filme inesquecivel. Alphaville é outra obra prima de Godard.

  5. Prof. Abel Bittencourt, 28/7/09
    5

    Os filmes da Nouvelle Vague e do Neo Realismo Italiano não possuem uma narrativa linear como são os filmes comerciais norte americanos, são narrativas no estilo de epifânia presente na obra de Clarice Lispector. O Demônio das Onze, de Godard é uma bela obra metalinguística do cinema francês.

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