No sábado,

19.Dez.2004 @ 4:27 pm
Arquivado em Cotidiano

Run Forrest, Run

Então.

Eis que sábado à noite, depois do cinema (fui assistir A Sétima Vítima), chego em casa, estaciono o carro na minha vaga e noto que há uma bicicleta nova no estacionamento do prédio. Saio do carro e me dirijo à porta de entrada. Nesse meio tempo escuto a Paula, moradora do 202, gritando de dentro do apartamento: “O que tu tá fazendo aqui seu filho da puta?”. Pensei que ela estivesse brigando com os filhos pequenos. Nisso escuto um barulho. Olho pra frente e vejo que um assaltante tinha pulado da janela dela em cima do carro que estava estacionado abaixo da janela dela.

A primeira coisa que pensei foi em ligar pra polícia. Peguei o celular e disquei pro 190. Enquanto eu fazia isso, o ladrão correu até o portão pra abrí-lo. Não sei como ele conseguiu. Não sei se ele tinha uma cópia da chave, algum tipo de arame especial ou alguma ferramenta do kit básico do Sindicato de Ladrões, Assaltantes, Marginais, Bandidos, Gatunos e Similares.

Aí ele veio pra cima de mim. Correndo. E eu com o telefone na mão. E correndo em minha direção ele gritou: “Tu não liga pra polícia que eu te dou uma facada*!”. Neste clima de tensão fiz aquilo que alguém que faz academia como eu deveria ter feito: aproveitei que havia um carro entre eu e ele e, como ele vinha correndo por um lado, eu corri pelo outro, me desviando dele. Aproveitei que ele foi para os fundos do prédio e dei uma de Forrest Gump: corri, corri, corri e corri até aquele boteco que tem na esquina perto de casa. Uma fuga espetacular.

Segundo meu irmão**, o cara pegou a bicicleta e correu para o lado oposto ao meu. Depois de alguns segundos, vi o na esquina. Sinal de que a barra tava limpa. Voltei pro prédio.

Nisso já tinha um povo lá embaixo. Todo mundo querendo saber o que tinha acontecido, o porquê daquele auê todo. Daí quebrei meu recorde de paciência (expliquei a história duas vezes) e subi. Não tinha porque ficar lá contribuindo com o tumulto.

Depois veio a polícia e tudo se resolveu. Não pegaram o cara, é claro. e o único prejuízo material da noite acabou sendo o teto do Clio prata no qual ele pulou em cima e ficou amassado.

Altas emoções pra um sábado de noite.

*não vi se ele realmente tinha uma faca, mas não esperei ele mostrar pra confirmar

**também não vi isso, pois eu só olhava pra frente enquanto corria

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