Taí uma frase que detesto. Claro que umas pessoas são melhores que as outras. Eu, por exemplo, em se tratando de matemática ou estatística, sou melhor que 99% de vocês que me lêem agora.
A Mariane faz programas melhor do que eu (pun intended).
O Noronha, mesmo desiludido com a profissão, entende mais de física do que eu.
José Saramago escreve melhor que eu.
São pessoas que, dentro de suas áreas, são melhores do que eu.
Então, como assim, ninguém é melhor do que ninguém? Acabei de dar três exemplos de pessoas que eu assumo serem melhores do que eu.
Me irritam pessoas que não conseguem assumir isso. Que há coisas diferentes no mundo. As pessoas não s˜åo iguais. E, como a maioria dos candidatos a um cargo no BOPE, nunca serão.
Mas o mundo anda tão chato, que qualquer coisa é motivo para pessoas se chatearem à toa. São vegetarianos cancelando seu Mastercard (bichinhas(1)), gente achando um absurdo o jogo do estuprador japonês (bichinhas) e usuários de computador com vergonha da Dell (bichinhas).
Aliás, o que foi esta última polêmica com a propaganda Dell/Créu, hein?
Antes de mais nada, afirmo que não gostei, nem desgostei da propaganda. Achei simpática, só. Menos pior do que tem se pintado por aí. Mas aposto que boa parte dentre aquelas que não gostaram do vídeo são so que começaram suas justificativas dizendo “Nada contra o funk, mas…” ou que achariam a mesma propaganda genial, se a trilha fosse Coldplay ou Radiohead (mas nada mais obscuro, pois senão eles não pegariam a referência musical e o comercial passaria despercebido).
Se as coisas continuarem como estão, em breve teremos um cenário como o retratado por Silvia Devereaux:
Daqui a pouquinho, não vou mais poder escrever que não gosto de cebola. Alguém lerá isso e me escreverá um comentário histérico – ou postará alguma coisa histérica em seu blog histérico – acusando a minha insensibilidade para com todos os que morreram heroicamente em defesa do nosso direito de comer cebola. E esta casa da mãe Sílvia será inundada pela justa indignação de todos os amantes e amigos da cebola – pela ONG Onion Union ou sei lá o quê.
Ai, mundo.
Post editado por pedido dos advogados da APAE.
Tenho muito medo de uma sociedade que não pode extravasar estas pequenas coisas, estes pequenos preconceitos. Tenho medo de um lugar onde todos estão engessados artificialmente e, de uma hora pra outra, tudo pode explodir.
Post editado por pedido dos advogados da APAE.
A evolução nos fez diferentes. Somos todos diferentes e, os diferente para mais, devem oportunidades diferentes dos diferentes para menos.
Até porque, se Deus existe, Ele não é socialista.
(1)Espero, sinceramente, não ter que explicar a diferença entre bichinha e homossexual.

11 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Eu acho que está faltando humor na vida das pessoas. Até na minha, muitas vezes falta. Tudo está ficando pesado demais e eu não sei qual é a vantagem. Respeito? O mundo por acaso tá ficando melhor com todas estas refras idiotas? Daqui a pouco vão proibir desenho animado do Tom & Jerry, porque o maior persegue o menor e isto ensina agressão às minorias. E daqui a pouco a Sociedade Protetora dos Animais vai proibir Atirei o Pau no Gato. Beijos
Corrigindo: “regras idiotas” e não “refras idiotas” como eu escrevi.
Olá,
Li seu post. Gostei muito. Concordo com algumas coisas, mas de outras discordo. Concordo com você sobre o excesso do “politicamente correto” que vem tomando conta do mundo, mas em alguns casos é realmente importante tomar cuidado com as brincadeiras e tentar se controlar para não ofender outras pessoas e propagar preconceitos, isso é viver em sociedade. Achei a piada das Olimpíadas Especiais infeliz, porque desmerecer a conquista de outrem é sempre infeliz. A mensagem que fica da piada é: discutir na net e correr nas Olimpíadas Especiais é esforço em vão. Não concordo, afinal, ele continuará sendo um “retardado”, mas será o melhor atleta “retardado” entre os atletas “retardados” e isso demandou esforço e dedicação e também é digno de mérito, um mérito que não é nem um pouco diferente do mérito dos atletas ditos normais. Não acho que reprovar esse tipo de piada seja o politicamente correto rançoso que ando vendo por aí e é bem diferente de mudar título de livro por causa da palavra negro ( O caso dos negrinhos) ou mudar a letra de cantiga de roda. Pra finalizar, concordo plenamente com a sua opinião sobre o nivelamento nas escolas, principalmente depois de ler o blog que você indicou no link. Completamente injusta a posição da secretaria de educação. Nossas crianças e jovens têm necessidades diferentes e por isso deve haver escolas e projetos diferentes. Portanto ficam algumas perguntas:
Por que as necessidades dos alunos superdotados são menos importantes?
Por que instituições como a APAE foram* vangloriadas (e com razão, pois elas buscaram meios de atender às necessidades especiais de uma parcela da população e de apoiar os familiares dessas pessoas, levando apoio pedagógico, psicológico e médico, e informação a quem precisava despertando assim a auto-estima de muitos deficientes e seus familiares) e instituições como o ISMART são escondidas da população e tratadas como se estivessem fazendo algo errado?
*Usei o verbo no passado porque atualmente tenho visto um movimento contrário à APAE. Muitos pais de crianças especiais têm fugido dessa instituição maravilhosa. Eles preferem que seus filhos fiquem jogados nas escolas “normais” sem aprender nada em vez de estarem em um lugar que lhes apresente os conhecimentos necessários e compatíveis à sua condição. Tive um aluno especial e durante as aulas de gramática me perguntava, o que esse aluno está ganhando ficando aqui preso a manhã toda durante 200 dias letivos ouvindo falar sobre transitividade verbal, sujeito, predicado, etc. quando ele mal sabe ler, se ele tivesse uma educação compatível com as suas necessidades ele estaria se desenvolvendo muito mais e isso é óbvio!!! Acho que a inclusão dos alunos especiais em escolas “normais” é realmente muito importante, pois faz com que os alunos aprendam a conviver com a diferença e respeitá-la, mas para o aluno deficiente, essa inclusão deve ser uma parte do seu processo educacional e não o todo. Afinal, os alunos especiais têm necessidades especiais e ignorar este fato é a maior demonstração de desrespeito que se possa imaginar.
“Ninguém é melhor que ninguém” é parente próxima de “Gosto não se discute”. Por falar nisso, não gostei do vídeo. Vai ajudar a prolongar os 15 minutos desse lixo do Créu.
Ótimo post. Na minha opinião, todos esse moralismo que esta em alta, como todas as maneiras (falsas) de se evitar, QUALQUER tipo de segregação, é apenas uma maneira de o ser humano se acomodar mais ainda, se afundar na “preguiça” generalisada, que impera atualmente.
Existe um pacto de não evolução que diz que todos devem ser tratados como iguais, independente se você é PHD em fisica nuclear ou um ambulante.
Se o objetivo é que ninguem seja melhor que ninguem, que haja um conjunto de forças para que todo mundo seja “melhor”.
Tem-se que nivelar por cima, e não por baixo
Olá
Pessoas com necessidade especial ingloba várias necessidades e não apenas os que tem dificuldade de aprendizado. Os deficientes físicos. E estes em relação ao tempo de aprendizagem são equivalentes aos “normais”.
“Até porque, se Deus existe, Ele não é socialista.”. HAHAHA… caí de dar risada… Vou usar o texto em prova…
E para processos sempre se pode contar com advogados contra e a favor, certo?
O que eu acho mais divertido é ver essa turminha do “ninguém é melhor do que ninguém” lambendo as botas do Che e entonando loas a Marx. Nada mais contraditório, não? Se todos são iguais e ninguém é melhor do que ninguém, então Marx e Che foram igual a qualquer outro ser humano.
Concordo / discordo com várias coisas no texto, mas meu comentário é por outra coisa.
A expressão “ninguém é melhor do que ninguém” é utilizada no caso de direito e deveres da sociedade, e não da qualidade tecnico/intelectual das pessoas.
Não é porque o cara ganha R$1 milhão por mês que não deve ser julgado por jogar uma latinha de refrigerante na rua. (só que infelizmente não é isso que acontece e que daria mais um ótimo post sobre injustiça social)
Abraços
Há problemas na argumentação do post.
Se discutir na Internet é coisa de “retardado”, já era: você se equiparou a um “retardado” ao criar o post, sabendo que geraria repercussão e não seria um ato inútil.
O segundo problema é a maneira de lidar com a repercussão. Eu pessoalmente parto de um senso de responsabilidade social. Falta a muitos palpiteiros na Web assumir a consciência do significado do que diz e então comprometer-se com esse significado.
Sim, eu conhecia a charge. Não, eu não a propagaria. Na minha interpretação mais pragmática, ela foi criada para ser uma analogia honesta e cínica, mais ligada aos internautas que ao personagem da foto. Mas a imensa maioria do público só consegue enxergar nela uma agressão gratuita contra o personagem. A reação emocional é do tipo que deflagra ódios inflamados.
A cada novo texto publicado, um autor deve levar em conta o que milhares de leitores vão pensar a partir do texto. É um conjunto de pensamentos mais importante e mais amplo que as ideias individuais do seu autor. E que transcende o significado original de maneiras certamente inesperadas. Se o autor não concorda, deve estar preparado para defender seu ponto de vista, mas deve de saída abandonar a esperança de mudar a cabeça de todas as pessoas que viram ali algo diferente.
Vale a pena tomar na cabeça um processo judicial defendendo a pluralidade de opinião sobre uma controvérsia tão mal estabelecida?
Um trackback
[...] APAE me censurou. O pedido deles para que eu editasse o post Ninguém é Melhor do que Ninguém só fez com que eu confirmasse uma coisa: quem leva a sério coisas postadas na [...]