Mas o pitoresco episódio passou e tá tudo bem agora.
Segundas-feiras são os meus dias mais corridos na semana. Tenho uma aula, dou duas na sequência, tenho uma hora de intervalo, mais duas aulas pra assistir e uma hora e meia de atendimento aos alunos.
Aí nesta segunda eu resolvi não levar comida de casa e fui a um dos restaurantes da universidade. Peguei dois tacos caprichados, batata frita e refrigerante. E aí, quando saía, peguei mais um pão e manteiga.
E aí residiu meu erro.
Minha conta, que em geral não passa dos US$5, passou BONITAÇA dos US$7.
Em resumo, comi feito um filho da puta.
E a natureza, amigos, quis cobrar seu preço de mim antes da hora.
Mas, por sorte, nada de ruim aconteceu.
ENTRETANTO, isso me remeteu a uma situação deveras desagradável que se abateu sobre minha pessoa no verão de 2005.
Estava eu em São Carlos, interior de São Paulo, fazendo curso de verão. Para economizar, eu não aluguei um apartamento na cidade e acabei ficando hospedado no alojamento deles, com os alunos regulares.
Aí, num dos primeiros dias de aula, primeira semana creio eu, fiquei no laboratório de informática do instituto de matemática, que era onde eu tinha minhas aulas, e um pouco distante do alojamento. Só que eu estava sem ir aos pés desde sábado, e como já era terça-feira, a quantidade de material fecal acumulada dentro de mim era um tanto quanto exacerbada.
E ela estava mandando avisos, em forma de buzina, de que sairia em breve.
Mas nem dei bola, brincando com a sorte. Nos meus planos, eu ficaria um tempinho na internet e depois iria até o alojamento matricular meu primo Eusébio, de Angola, na aula de natação.
Mas o que vocês talvez não saibam é que no interior de São Paulo, mais especificamente na região em que eu estava, chove todo dia.
Todo dia.
Sem falta.
E eu aprendi isso da maneira mais desesperadora possível.
Quando já estava terminando o que tinha para fazer em matéria de informática, senti aquela pontadinha que dá uns quatro dedos abaixo do umbigo, saca? Aquele que tu sente que o cocô diz “amigo, estou saindo e sem pedir licença”.
Então.
Senti a boa cólica, como uma vez escreveu Nélson Rodrigues, e levantei-me para dirigir-me ao reservado do alojamento.
No que começou a chover.
E eu sem guarda-chuva, claro.
“Macacos me mordam”, pensei eu, “foi começar a chover logo agora! Raios duplos! Raios triplos! Mutley, faça alguma coisa!”
Mas de nada adiantava me revoltar. Sentei novamente e continuei a usar o computador para me distrair e não pensar no urubu que começava a bicar minha cueca. Claro que na situação em que eu me encontrava, consegui não pensar em me cagar inteiro da cintura para baixo durante quase meio minuto.
Se por um lado minha situação estava se complicando pouco a pouco, por outro eu não via como resolvê-la em tempo hábil, pois a chuva se prolongava e ficava mais forte a cada instante que passava.
Quanto mais água caía, mais bosta eu sentia que se engatilhava na saída.
Aquele não era um dia particularmente quente, mas eu suava. Frio, mas suava.
Pedi ao papai do céu e ao menino Jesus que me iluminassem naquele momento. Que me ajudassem a encontrar um caminho de luz, verdade e sabedoria naqueles instantes TENÇOS da minha vida. Ou que, pelo menos, eu não me cagasse nas calças na PRIMEIRA semana de aula.
Quando eu ia entregar os pontos, já cogitando onde poderia comprar novas calças para substituir a perda total que se anunciava, a chuva parou, o Senhor Sol apareceu e eu pude dar fim à minha agonia.
Fim.
P.S.: Não, eu estava tão desesperado que não me dei conta de que, logicamente, haviam banheiros no prédio em que eu me encontrava.
P.S.2: Alguns acontecimentos foram devidamente alterados para aumentar a carga humorística do texto. Não, eu realmente não me caguei.
P.S.3: Esta piada já perdeu a graça.
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5 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
“matricular meu primo Eusébio, de Angola, na aula de natação”
A melhor definição ever que eu já li para essa situação.
Hahahahahah! É no momento de desespero que caem as mascaras dos Ateus. :)
Realmente, deve ser cansativo depois de uma aula, dar duas seguidas! ¬¬
hã hã.. duas seguidas… D-U-A-S S-E-G-U-I-D-A-S.. sacou?! Duas… seguidas!! hahahaha
Este tipo de história com o tempo aqui em são carlos é comum, mas estou há 3 anos aqui e ainda não vi motivo pra ter gente chamando de “a cidade do clima”.
São paulo consegue ter dias com tempo bilhões de vezes mais doido.
Me caguei de tanto rir….. auhauhauhauah