No Fantástico do último domingo apareceu uma reportagem sobre um cara que mora em Lodres e consegue, por exemplo, sobrevoar o centro da cidade e, minutos depois, desenhá-lo com todos os detalhes existentes. Centenas de prédios, milhares de janelas e tudo o mais.
Imediatamente me lembrei do conto Funes, O Memorioso, presente no livro Ficções, de Jorge Luis Borges.
Funes era, como disse o autor, “quase incapaz de idéias gerais, platônicas” e “que não era muito capaz de pensar”. “Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair.”, diria ainda o narrador.
É o mesmo caso do cara de Londres. Apesar da memória prodigiosa, ele não é capaz de criar nada. Apesar de conseguir reproduzir qualquer obra arquitetônica em seus menores detalhes, ele não é capaz de projetar algo novo. Projetos demandam criatividade, inteligência; a mera cópia dos prédios existentes é apenas repetição. Por isso o homem ainda é mais inteligente que os computadores. Por enquanto nossa capacidade de criar é superior à das máquinas.
Na verdade escrevi este post só pra colocar o link com o conto completo para vocês lerem.
E se deliciarem, assim como eu.
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