Semanas atrás eu assistia uns episódios de Confissões de Adolescente, seriado brasileiro que a TV Cultura reapresenta nos sábados à tarde, na versão em DVD, e fiquei com a música Sina, do Djavan, que é a música dos menus do disco, na cabeça. A música inteira não, um trecho dela:
O luar estrela do mar
O sol e o dom
Quiçá um dia
A fúria desse front
Virá lapidar o sonho
Até gerar o som
Como querer caetanear
O que há de bom
“Querer Caetanear o que há de bom”. Putz, homenagem do Djavan pro Caetano, que deve ser tri amigo dele e tal. O cara criou um neologismo para homenagear um amigo. Seria algo como dizer “vou marcusear o teu gosto musical” para dizer que vou deixar teu gosto musical mais britpop.
Mas o verbo caetanear ficou na minha cabeça, assim martelando. Caetanear, caetenear, caetanear. O que seria caetanear? Aí veio o clique: o Djavan fez a maior sacanagem com o Caetano em forma de homenagem. Caetanear não é uma coisa tipo “tornar sublime as pequenas coisas da vida com um toque pessoal e inconfundível”. Não. É fazer cagada mesmo.
Dias atrás eu comentava de Pra te Lembrar,música do nei Lisboa que o Caetano regravou. Ou melhor, piorou. Na mesma tacada, Caetano detonou Nothing But Flowers, música do tempo em que o David Byrne fazia.. música.
Aliás, o David Byrne é um cara estranho. Quando ele tinha o Talking Heads, ele fazia músicas excelente. Discos muito bons. Aí um dia ele achou que podia fazer world music, terminou com a banda e não acertou nada mais. Triste mesmo é a versão bilíngue de Águas de Março com ele e a Marisa Monte. É pavoroso.
Mas ainda tem o Caetano. Aí vem um de vocês e diz: “mas estas músicas não são da época de Sina. O Djavan não sabia que no futuro o Caetano faria isso”. Aí eu digo que na época de Sina, Caetano já tinha destruído canções de Cole Porter (Get Out of Town), Michael Jackson (Black or White), Fito Páez (Un Vestido e un Amor), Ary Barroso (Aquarela do Brasil), Roberto Carlos (Muito Romântico), Lupicínio Rodrigues (Felicidade) e até Bob Dylan (It’s All Over Now, Baby Blue – Negor Amor). Isto tudo até a época de Sina, pois em 2004 Caetano caetanizou de vez lançando um álbum só de músicas americanas. Nem Come As You Are foi poupada.
Por isso é que eu digo (aliás, é o Otto que diz): malandro que é malandro é malandro demais. O Djavan fez a maior crítica em forma de homenagem ao Caetano. Em outras palavras, foi o maior “te liga bico” em todos os tempos de MPB e ninguém se ligou. E a parada ainda deu um lucro violento pro Djavan, pois ele ficou com fama de amigo de Caetano e ainda ganhou um belo dinheiro com a música.
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11 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Quanto à musica e às intenções do Djavan não faço a menor idéia. Porém, é com muito pesar que admito que concordo com o marcus (ahhhhhh) quanto ao Caetano Veloso. Ele é o cara mais talentoso que eu conheço quando se trata de acabar com as músicas dos outros.
“Get Out Of Town” eu gosto ! “Muito Romântico”, que eu saiba, é do próprio Caetano. “For No One” eu acho legal… enfim. No meu conceito, o Caetano sempre foi um cara de grandes acertos e grandes cagadas. Mas acho que é um dos caras que melhor sintetizou – na música – esta zorra de culturas que é nosso país. O ultimo disco que eu gostei dele foi o LIVRO. Depois, só cagadas. Dizem que a culpada foi a Paulinha, mas eu acho que não! Cae ficou pra titia, como o David, o Jagger e etc,.
De fato, Éver. Muito Romântico é do Caetano e não do Roberto Carlos.
acho que depois dessa eu simpatizo mais com o djavan – o caetano tinha de levar uma ferroada por causa destas merdas que ele faz. e alguém por favor o AVISA que o tempo dele já passou? eu acho tão estúpido estes maracujás de gaveta que não admitem que estão velhos e já não são mais os mesmos, ficam querendo repetir a mesma fórmula pra ver se conseguem recuperar um pouco do prestígio anterior. o paul mccartney irrita-me, os rolling stones irritam-me, o caetano irrita-me. eles acabam tornando-se uma caricatura de si mesmos nessa tentativa patética de preservar pra sempre os dias de glória.
outro exemplo é o ira!, sábado agora, no campari rock. ele estava com uma calça über-agarrada que parava mais ou menos na altura do umbigo, fazendo com que a gordura do abdômen dele se sobressaísse de maneira bizarra na regatinha ridícula que tinha vestida. acho que foi a única coisa boa do show do ira! (além do momento em que acabou, claro), matei-me de rir durante minutos, tirei até foto e etc. e no final a banda simplesmente fala “aê, quem acha que a gente é um bando de tiozão que vá tomar no cu!”, “a vida começa aos quarenta!”, e outras coisas do gênero que só reforçam o fato de serem eles realmente tiozões querendo ser cool e agradar como antes.
Tô ficando velho. Agora eu evito “contrariar” (entre aspas pq convenhamos q contrariar é uma palavra bem amena para o tipo de coisa q eu costumava fazer) as pessoas apenas para evitar discussões q não estou afim de levar a diante e que acho q não trariam nada de interessante (algumas pessoas, apenas aquelas q não conheço ou q julgo não serem dignas/importantes a ponto de valerem uma discussão).
Comentário meio bizarro, mas acho q o marcus entendeu o q quis dizer… talvez o éver tb.
De qualquer maneira… ainda acho q tô ficando velho… por estas e outras coisas tb.
Pois é Gian, já tinha comentado isso com o marcus. Parece que tu cansou mesmo de discussões. Nunca mais vi aqueles comentários nos quais tu dizia que as músicas que ele escuta são podres / ruins / horríveis / inclua_sua_palavra_pejorativa_favorita_aqui , etc. Não que eu concordasse, mas era engraçado de ler.
Ah… mas quando eu xingava o marcus não era discussão, era diversão… hehehe.
Eu realmente não gosto do gosto musical dele, mas a chinelagem era só por brincadeira mesmo, só pelo gosto de xingar o marcus. Se tu achava aquilo grande coisa é pq nunca viu os elogios q somos capazes de fazer um ao outro quando estamos nos vendo ao vivo.
e de luzes apagadas… hehehe
Mas aí é sem espectadores éver… hehehe.
o caetano só assassinou “black or white” bem depois que “sina” já tinha sido gravada. “sina” é de 1982, e o disco do michael jackson que tem “black or white” saiu em 1991.
Acho que o Caetano acertou e errou várias vezes… Mas gostei muitas da versão que ele fez de “Último Romântico” de Lulu Santos e de “Você Não me Ensinou a Te Esquecer” do Fernando Mendes.
E “Chega de Saudades”, do Vinícius? Será que além de mim apenas o Almodóvar gosta dos arranjos do Caetano?