Lulu Santos tem razão

Aquele que se considera o último romântico escreveu, em Toda Forma De Amor,

E a gente vive junto
E a gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém

Neste ponto, em particular, concordo com ele. Vivemos juntos enquanto seres humanos sociáveis e nos damos (quase sempre) bem, mas algumas vezes realmente desejamos mal a outrem.

Eu, pelo menos, desejo.

Pro Betinho, por exemplo.

Betinho
Não me refiro a este Betinho, mas não me importaria se aquele em que pensei também contraísse AIDS

Hoje, após algumas cervejas, voltava pra casa com o Daniel, amigo de longa data (nos conhecemos desde o tempo em que o Phantom System era o melhor videogame do Brasil).

Enquanto estávamos no bar, ele comentou sobre alguns de nossos ex-colegas do primeiro grau. Eu, por exemplo, sou matemático. Ele, jornalista. Entre os outros, saíram administrador de empresas, engenheiro e arquiteto.

Mas e com o tal Betinho? O que se sucedeu com ele?

Na verdade, não interessa quem o Betinho é. Basta que vocês saibam que ele é aquele cara que todos conheceram no colégio. Marrento, era de família um pouco mais pobre que nós (odeio o adjetivo humilde nestes casos, até porque ele poderia ser tudo, menos humilde) mas se achava superior a todos.

Aqui, ainda vale uma observação. Quando se tem menos de 18 anos, uma das únicas formas de se destacar da maioria é ser bom em esportes. O Betinho era.

E, convenhamos, com 12 anos e na sétima série, tu impressiona muito mais as garotas se estiver n’algum time do colégio do que se conseguir resolver os puzzles do nível difícil da Super Interessante.

(pelo menos, isso muda um pouco na universidade, até porque pessoas de gostos próximos escolhem cursos semelhantes)

Por causa disso e de uma tremenda necessidade de se afirmar, ele acabava se achando melhor em tudo. O que era um saco, pois todo mundo sabia que ele não era grande coisa.

Mas eu dizia que a conversa a respeito dos nossos colegas havia reacendido meu interesse no que eles haviam feito de suas vidas.

Ok, mentira.

É que eu divido aqueles que terminaram o primeiro grau comigo em quatro grupos:

  1. Eu, cujo futuro diretamente me interessa;
  2. O Daniel, que desejo que se dê bem na vida;
  3. Todos os outros cujos presente e futuro me são desinteressantes;
  4. O Betinho, para quem desejo todo o mal do mundo.

Como sou ateu, não acredito em recompensas no além. Tu só tem uma vida pra se dar bem ou mal. Por isso, gostaria que o Betinho experimentasse o fracasso até o fim dos seus dias.

Interessante que, aparentemente, a vida dele não anda mesmo muito bem. Casou com a namorada da escola porque achou que ela estivesse grávida. Se divorciou e casou de novo.

Até onde consta, não fez faculdade. Tomara que não tenha feito por incompetência, e não por falta de desejo.

Mas falaí: tu também conheceu um Betinho, não? E não gostaria que ele se fodesse do primeiro ao quinto, como eu gostaria que o meu se fodesse?

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6 comentários.

5 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Daniel, 3/6/09
    1

    Comovido!

  2. Fer, 3/6/09
    2

    eu sou da teoria de que quem foi feliz no colégio geralmente cresce para ser um pulha, e merece tudo de horrível no mundo. e em geral, é isso que acontece mesmo. aliás, adoro reencontrar alguns deles pelas ruas e ver que estão com cara de serem meus pais, de tão velhos gordos e cansados que estão.

  3. Nando, 4/6/09
  4. Felipe Diesel, 8/6/09
    4

    Como somos vingativos?

    Eu adoro reencontrar ex-colegas que se achavam melhores que todo mundo no tempo do colégio e hoje estão pior que eu (pelo menos do meu ponto de vista). É recompensador.

  5. Claudio, 9/6/09
    5

    Os meus betinhos todos se deram bem, como políticos/empresários corruptos. O único que sifu fui eu. Acho que eu era o betinho de todos eles.

Um trackback

  1. De Gente que merece morrer em 3 de June de 2009 às 22:02

    [...] relacionados a este aqui ou pelos melhores posts já publicados. Depois de ter escrito o post em que desejava a morte do Betinho, pensei que, realmente, tem muita gente que merece morrer. Gente que taí no mundo, [...]

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