Sempre achei que eu lia menos livros, assistia menos filmes e ouvia menos música do que deveria. Falava com o Cássio, com o Giuliano e com o Daniel e todos eles sempre estavam lendo alguma coisa. Falava com o pessoal do UFRGS e todos assistiam pelo menos um filme por semana. Olho alguns blogs por aí e vejo que não conheço quase nada do rock feito fora do eixo Grã-Bretanha-USA.

Mas eis que a mari apareceu com aquela revistinha ali em cima e me abriu os olhos. Eu já assisti, sem saber, quase 40% da lista. E vários filmes que quero assistir estão lá. Ou seja, em breve minha porcentagem aumentará.
Mas eu queria falar de outra coisa. Eu leio menos do que gostaria, assisto menos filmes que gostaria e ouço menos música que gostaria (na verdade ouço bastante, mas sou um pouco repetitivo). Só que eu leio, assisto e escuto o que importa. Eles não leram Kafka. Não ouviram falar de Joyce. A Divina Comédia para eles não lembra nem Dante nem Mutantes. Eles sequer sabem quem são os Raconteurs. Orson Welles é um desconhecido. Eles não conhecem Borges como eu. E puta que pariu, eu faço Matemática! Tem gente no meu curso que não sabe nem escrever tigela.
Deve ser por isso que, apesar das poucas(1) coisas culturais com as quais tenho contato, elas são de alguma forma relevantes. E como eu absorvo o que é importante, acabo conseguindo enganar os outros, que pensam que sou um pouco culto.
Acabei de confessar que sou uma farsa.
Mas isso qualquer um que tenha conversado comigo por mais de 20 minutos já sabia.
(1)Tá, eu sei que eu tenho acesso a muito mais coisas que as pessoas que moram, sei lá, numa favela, mas ainda assim eu acho pouco, ok?

11 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Marcus, é impossível ler e ouvir tudo o que é produzido ou tudo o que desejamos. Quanto mais lemos e ouvimos, mais descobrimos que temos mais coisas a ler e ouvir.
Aqui no blog tu demonstras ter uma boa cultura. Se isso é uma fraude ou não, eu não tenho como saber. Farsa é pegar uma pilha de livros e decorar seus autores e títulos. Ou saber os nomes das últimas bandinhas citadas pelo Lúcio Ribeiro e não tê-las escutado nem pretender fazê-lo.
Como tu sempre consegues escrever mais de três linhas sobre as bandinhas e citar Borges razoavelmente bem, presumo que não sejas uma farsa, não.
Também acho que farsa é nem sequer se dar ao trabalho de tentar ler as obras, ouvir as músicas, ou assistir aos filmes… :P
E com tanta produção textual e audiovisual que surge no mundo a cada dia, é humanamente impossível conhecer tudo. O jeito é se contentar com uma boa parcela do total. E mesmo assim, sempre com aquela desconfiança de que se deveria estar lendo mais, ouvindo mais e assistindo mais.
SPAM BÃSICO:
[b]Janelas de Satolep
Um Olhar Sobre a Obra de VITOR RAMIL[/b]
( Contando com tua presença e auxílio na divulgação )
14/07 – 20h30
Fundação Gema Brasil
Rua São Caetano, 53 – São Leopoldo
( Na curvinha da Estação São Leopoldo do Trensurb )
Música: Éver Ribeiro
Textos: Luis Rubira
Cenário: Rogério Severo
6 pilas
Mais informações: http://solourbano.blogspot.com
..
.
Tem gente do meu curso (Jornalismo) que não sabe escrever tigela. Cultura independe da faculdade que se faz. Mas confesso que às vezes me frustro por saber que jamais conseguirei ler, ver, ouvir tudo o que há de bom e que eu gostaria.
eu não li o teu post (até pq eu tô sem óculos e com uma virose fudida)
mas eu tenho esse livro e quase,,, ahn… 80% dele visto
amrcado com post-its
Eu adoro esses livrinhos, por mais rasas que sejam as críticas. É sempre divertido ver o que as pessoas escolheram.
Kafka é um dos meus autores favoritos, li muita coisa dele. Recomendo Sartre também, se você ainda não leu nada dele (O Muro, prá começar bem). Agora, Divina Comédia é forçar a barra, acho que nem o autor agüentou aquilo :-D .
Concordo totalmente com o comentário da Carla. Se tu realmente fosse uma farsa, faria um blog somente de Ctrl+C Ctrl+V. E é óbvio que não é teu caso.
Mas fiquei muito curiosa por esta revistinha aí… Onde consigo uma?
Bjsss
Ela era vendida em bancas uns meses atrás. Acho que hoje em dia não mais.
É possível encontrar no submarino.
eu já deixei de me deprimir por não poder ler e ouvir tudo o que quero. agora deixo as coisas seguirem seus rumos naturalmente.
é fácil, basta agir como o cara que sai na tempestade sem guarda-chuva de propósito: deixo ela me pegar.
O próprio Orson welles fez F for fake, Tom Zé exalta a cultura do plágio como o último recurso para a música…Relaxa, mas precisamos esquecer os clássicos (obviamente se já os conhecemos), precisamos ouvir, ler , assistir os marginais! Eles estão por todos os lados, puros, isentos de conceitos, intensos, sem máculas das inspirações globais agrupadas como cultas! Procuremos as raízes, a(pro)fundemo-nos.
Um trackback
[...] leio menos do que gostaria, mas isto não quer dizer que eu leia pouco. Bem, se eu leio menos do que gostaria eu leio pouco. [...]