Eu tenho banda larga em casa. Eu tenho os melhores programas de P2P instalados no meu computador. Eu conheço pessoas que trabalham em lojas de música, em sites de cultura e pessoas que realmente ouvem de tudo um muito. Em resumo, eu tenho acesso fácil a praticamente qualquer tipo de música no mundo. Mas então por que eu não gosto de jazz, música clássica ou rocks mais adultos e cabeça?
Tem três fatos que vi neste ano que explicam um pouco isso. O primeiro é uma declaração do Alex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand (que é simplesmente a banda do ano, com o single (Michael) do ano e o disco do ano. Só isso). O Lucio Ribeiro perguntou pra ele porque montar uma banda de rock. E o cara saiu com essa: A banda nasceu, dentre outras coisas, porque a gente não agüentava ver em shows de rock um monte de garotas bonitas que não dançavam. É tão bom ver garotas dançarem em shows de rock. Ou seja, a banda pop-rock-retrô fenômeno do ano surgiu só por diversão. Só pra embalar pistas de dança. Sem compromisso, sem pressão, sem querer ser o Radiohead da vez. Just for fun.
O segundo fato é uma música dos White Stripes chamada The Same Boy You Always Known (O Mesmo Garoto que Voccê Sempre Conheceu). A música trata do fim de um relacionamento, onde o cara se justifica pra mina dizendo que ele sempre foi o mesmo cara que ela sempre conheceu. Mas abstraindo desta situação e pensando nos versos The same boy you’ve always known / Well I guess I haven’t grown (O mesmo garoto que você sempre conheceu / Bem, eu acho que eu não cresci), eu vejo que na real é isso mesmo. Eu sou o mesmo desde 1996, quando larguei o metal de mão e passei a ouvir britpop e posteriormente indie pop.
E o terceiro é ter aberto um sorriso de orelha a orelha quando ouvi Bittersweet Bundle of Misery, do Graham Coxon, ex-ex-guitarrista do Blur. [Parênteses pra uma analogia: todos já ouviram falar em 1977 como um dos anos mais importantes da música, com o surgimento dos Sex Pistols, Clash e os outros punks londrinos? Pois 1994 é o meu 1977. É o ano de ouro do britpop com o lançamento da tríade obrigatória Parklife, Definitely Maybe e Blue Album (tá, o último não é britpop e nem inglês, mas é tão 1994...).] Pois então. Ouvindo esse single do Coxon parecia que 1994 não tinha acabado. O cara fez uma música que podia estar em qualquer disco clássico daquela época. 10 anos se passaram, ele mandou o Damon Albarn e as viagens eletrônicas dele à merda e fez um discaço de britpop.
E é isso que acontece. Eu não quero saber de música bem tocada, de jam session, de improvisação, de uma orquestra com dezenas de pessoas. Eu não quero ouvir Chet Baker, Miles Davis, Mogwai. Eu quero ouvir músicas que façam as garotas dançarem, com letras minimalistas e que lembrem 1994. Músicas que sejam simples e animadas. Que façam as coisas parecerem fáceis e divertidas all the time.
Just for fun.



