Ou: o rock é um senhor de meia idade, gordinho, com o cofrinho de fora
Semana passada fui ao show do Jupiter Maçã no Armazém San’Lou, aqui em São Leopoldo. Se me pedissem pra fazer uma resenha do show em 140 caracteres, eu diria que
Não fosse a falta de gatas, som ruim, gente incoveniente e cerveja cara, o show do Jupiter Maçã teria sido sensacional
Nem é pelo fato dele parecer uma tia de 70 anos, com plásticas na cara. Isto é totalmente relevável. O que fica estranho é querer parecer eternamente jovem.
Eu gosto de Jupiter Maçã. Muito mesmo. Dentro das condições, curti bastante o show, apesar dos problemas que relate. Gostei principalmente dos arranjos mais elétricos e pesados para as músicas do Hisscivilization, único disco dele que não gosto. Na verdade também não sou um grande fã do Plastic Soda, pois acho que o Jupiter compõe muito melhor em português do que em inglês.
Mas toda aquela afetação no palco, aquela coisa popstar de bairro (que tem muito aqui no Rio Grande), a boemia adolescente após os 30, tudo isso deixou a apresentação muito… Por exemplo, não vi sentido nele fazer a apresentação dos músicos da banda em inglês ou conversar com a plateia no idioma de Wayne Rooney, do you know what am I saying? Achei tão over, so unnecessary.
Me senti meio deslocado lá no meio, com aquela celebração de uma possível juventude eterna que, na verdade, já havia passado para a maioria dos presentes. Havia, ainda, três tiozinhos em especial na plateia, que pareciam ainda mais deslocados que eu: um que parecia ter vindo direto de Woodstock (se bem que este está é deslocado no mundo, não no show do Jupiter), outro que ficava pedindo Roberto Carlos e outro que pedia para parar com o grunge e tocar rock.
O Pessoa escreveu que cartas de amor são ridículas. Começo a pensar que shows de rock também são ridículos. Mas ridículo deve mesmo ser quem nunca assistiu a um show de rock e blá blá blá Álvaro de Campos.
No fundo talvez o grande ridículo seja eu, mais preocupado com a retaguarda que o Jupiter exibia para a plateia e com estes pensamentos do que com o show em si.
Portanto, deste meu encontro com Flavio Basso, levo apenas os Steinhaeger com cerveja, mas sem Steinhaeger, que bebi antes de assistir ao show, e a certeza de que foi o último que irei.
(a não ser que role um banquinho e violão no São Pedro, que acho que tem mais a ver com o senho Jupiter dos dias de hoje)
4 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Curte Cartolas, Marcus? Vai ter dia 11 no Popcult em NH… Se não conhece, é um som um pouco mais fácil de digerir do que Jupiter Maçã haha, e as letras são legalzinhas.
Pois é, Marcus… também curto a música da tia véia e show acho que não iria gostar.
Outra coisa é essa questão do rock metido a loucão e “foréveriângui”… Acho meio constrangedor o Mick Jaegger e o Kieth Richards ( não sei escrever o nome destes caras e nem vou pesquisar como é o correto ) se rebolando no palco como se tivessem 20 anos. Não que tivessem que ficar em casa, de pantufa, assistindo o programa do Datena… Mas, enfim, devem existir formas mais dignas de envelhecer. O certo é que essas pessoas todas ( Júpiter incluso ) viraram o pastiche delas próprias!
Quando pessoas vão ao meu blog para falar coisas como: “queremos rock de verdade, queremos FRESNO”. É porque alguma coisa muito estranha aconteceu com o estilo.
O rock não assusta mais as criancinhas, ou seja, praticamente perdeu a função.
Mas também vou te contar, né? Tanto lugar pra ir e tu escolhes justamente o “SÃO LÚ” ?
Penso a mesma coisa. Por isso acho que a performance dele nos vídeos que linkei no post anterior fazem muito mais jus ao que é (ou deveria ser) o Jupiter hoje do que o show que assisti.
O problema no RS – não sei nos outros lugares – é que se criou uma moda “rock’n'roll life”. Então tu vê não só os músicos, mas muita gente já beirando os 40 agindo como se tivessem 17. É aquela coisa de tirar fotos dos hows so invés de curtir – só pra mostrar que estáva lá – beber alucinadamente TODO o final de semana e o principal, achar que envelhecer é ruim, que agir conforme a sua idade é ruim e que isso não é aproveitar a vida.
Tudo o que eu quero é envelhecer e poder ser como o velho aquele do Seinfeld – nada melhor do que poder dizer ‘não’ sem dar nenhum tipo de desculpa ou explicação.
Os artistas só seguem essa lógica, querem viver como o público deles quer viver, para sempre com 17 anos.