Índios! Índios!

11.Fev.2005 @ 4:24 pm
Arquivado em Cotidiano

Eu imaginava o bairro da Liberdade diferente. Eu pensei que seria mais… hum, japonês. Eu pensava que teria que cumprimentar as pessoas dizendo Konnichiwa e agradecer com Domo-Arigatô. Achei que em cada esquina haveria um membro da Yakuza tomando conta do tráfico ou da prostituição. Mas não. São poucas as lojas que vendem estritamente produtos japoneses. Foi um ciusto achar o presente da Marilyn. A Liberdade é praticamente um bairro normal de comércio, mas com algumas placas com ideogramas. E também é estranho ver que a maioria dos vendedores nas lojas não são orientais, e sim baianos. E o que me chamou a atenção foi uma padaria de lá se chamar Bakery Itikari, e não Padaria Itikari, ou algo do gênero. Muito estranho. Mas eu tirei uma foto segurando uma katana e logo, logo publica aqui.

Mas a galeria do rock me surpreendeu. Quer dizer, não foi bem a Galeria do Rock que me surpreendeu. Foi uma galeria do lado. Eu explico. É óbvio que ao ir para a Galeria do Rock eu me perdi e acabei entrando no prédio errado. Entei numa galeria que fica a uns 50 metros de distância da Galeria que eu queria visitar. Mas foi show de bola. Lá eu achei duas lojas muito boas: a Velvet CDs e a Sensorial Discos.

A Velvet CDs, além de ser uma loja normal de CDs, também trabalha por encomenda. Tu pede o CD importado ou nacional e eles tentam conseguir pra ti. Eu perguntei sobre os Teenage Fanclub que eu quero, que só existem importados. Enquanto nas outras lojas ali perto eu encontrei por valores entre R$ 40,00 (usado) e R$ 78,00 (novo, edição japonesa), o vendedor disse que e faz cada CD por R$ 32,00, mais o frete. Mais barato que alguns CDs nacionais! Tá bem em conta. E a loja é especializada em música indie, nacional ou estrangeira.

Já a Sensorial Discos tem o maior acervo de rock gaúcho que já vi em uma loja. Lá tinha CDs do Frank Jorge, Laranja Freak, Video Hits, Wander Wildner, Replicantes, Bidê ou Balde, Os The Darma Lóvers. Graças aos contatos que fiz, futuramente eles terão o CD da Bleff e da Viana Moog pra vender. Eles só não tinham o CD que eu mais queria, que é o de estréia da Irmãos Rocha! Mas provavelmente eu o compre pelo correio. Aliás, vocês têm que ver a qualidade com que estão saindo os discon independentes no Brasil. Muitas bandas estão trabalhando legal na parte de apresentação visual dos seus álbuns. É impossível achar uma banda com CD em preto e branco e é difícil achar alguém lançando o trabalho naquelas caixinhas de CD pretas do tempo do guaraná com rolha. A arte dos atuais CDs das gravadoras independentes não deve nada à arte das gravadoras ditas majors.

Olha, fazia tempo que eu não conversava tanto tempo sobre música com um vendedor. Fez eu me lembrar dos saudosos tempos em que eu ia até a Pure pop Records no centro de São Lepoldo e ficava inteirado dos lançamentos do mundo pop. Geralmente as pessoas que nos atendem aí no Vale do Sinos entendem tanto de música quanto um boi entende de física quântica. Ganhei dele vários flyers de shows que estão pra acontecer em São Paulo (e que obviamente não poderei ir) e o catálogo da distribuidora Tratore, que no seu cast possui artistas como Bebeto Alves, Replicantes, Nervoso, Autoramas e Mombojó, dentre vários outros.

Quanto às compras: pra mim, comprei cinco CDs: White Blood Cells e Elephant, ambos do White Stripes; Room on Fire, do Strokes; Mopho, da banda Mopho e o EP Tudo o Que Você Me Disse de uma banda baiana chamada (vejam só) A Grande Abóbora. Eu já tinha os quatro primeiros em mp3 e a banda baiana é bem boa.

Josh Homme fazendo pose de metaleiroAgora atentem para a imagem ali do lado. Aquele cara malvado é Josh Homme, vocalista e guitarrista da banda americana de stoner rock Queens of the Stone Age. Agora atentem pra mão esquerda dele. Estão vendo aquela acessório super heterossexual que ele está usando no pulso? Pois bem, alguém pediu pra eu comprar um igual pra ele. Então tá né. É da família, vou fazer o quê? Agora ele pode subir no palco com a banda dele e se sentir como um grande guitarrista. Só vai faltar a guitarra Fender, a caixa Marshall, uma música com impacto de Feel The Good Hit of Summer, um projeto de jams com os amigos tipo a Desert Sessions, ter o Dave Grohl tocando bateria numa das faixas de um álbum… Ou seja, quase nada. mas o importante é que as extemamente heterossexuais munhequeiras a lá Josh Homme o cara já tem. E ponto final.

A Galeria do Rock, em si, não é grande coisa, como eu já tinha notado no ano passado. Muitas lojas vendem coisas da moda, como Nightwish, Millencolin e Pitty, por exemplo. Poucas lojas são especializadas em música indie. Aliás, poucas lojas lá são especializadas num estilo apenas. Pra isso, o melhor é ir na galeria do lado mesmo. Nesta galeria havia desda as lojas indie que eu visitei até lojas que só trabalhavam com vinis de música eletrônica ou vinis de música negra. Cheguei a encontrar um vinil intitulado City of God: Remixes. A variedade é alta, mas o preço também. Eu cheguei a ver da outra vez o LP Let it Be… Naked!, dos Beatles, edição inglesa, ano 2004, duplo, por R$ 198,00. Caríssimo pro meu bolso. Desta vez eu vi o compacto Up The Bracket/Boys in the Band do Libertines, inglês, por R$ 35,00. Os singles não saem por menos de R$ 30,00. Tudo muito caro mesmo. Mas sabendo procurar (e desta vez eu soube), tu acaba encontrando coisas boas, novas e baratas. Por exemplo, paguei R$ 85,00 por cinco CDs novos. Onde eu pagaria um preço assim aí no RS?

P.S.: Éver, lembra que eu te disse que ia procurar a galeria da milonga pra ti? Não encontei, mas na Sensorial Discos tem alguma coisa gaudéria e na Baratos Afins tem muita coisa latina, até em LP. Eu não procurei nada, mas se um dia tu fores pra SP, recomendo que passes por lá.

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