Aos livros!
EDUARDO NASI
- Tem uns livros que só por ficarem ali na estante parece que a gente aprende com eles. Isso é terrível - diz a filósofa Márcia Tiburi.
São aqueles livros que a gente vai ler um dia. Nas próximas férias. Na aposentadoria. Na recuperação daquela cirurgia adiada faz anos. Quando a vida der um tempo pro leitor pegar fôlego.
Alguns são casos absolutamente pessoais, como o de Lia Menna Barreto - um livro que comprou e, por um estalo, acabou deixado de lado. Mas há barreiras praticamente universais, como a obra do irlandês James Joyce - cujo Ulisses foi citado por Claudia Tajes e Pedro Verissimo.
No Dia Internacional do Livro, o Segundo Caderno lançou o desafio para cinco criadores: identificar, e finalmente enfrentar, seu livro intransponível. A razão para topar a empreitada pode ser a mesma apresentada por Italo Calvino em seu artigo Por que ler os clássicos?, ao responder à pergunta-título: “Porque é melhor que não lê-los”.
E você, também tem seu livro intransponível? Então aproveite este dia especial e dê um presente a você mesmo: tire-o da estante.
Marcus Nunes, estudante
Qual é o livro? A Montanha Mágica, Thomas Mann
Por que quer ler? Porque é um clássico. É um dos livros mais importantes do maior romancista alemão do século XX. É uma defesa do humanismo escrita no opressivo período do entre guerras.
Por que nunca leu? Eu tentei lê-lo assim que comprei o livro, em 1999. Desisti antes da página 100. Tentei novamente em 2001, mas larguei a leitura antes da página 200. Em 2003 peguei o livro pra ler seriamente, mas parei na página 480 de 801. Talvez tente novamente ainda neste ano. Ou não.
Adaptado do Segundo Caderno da Zero Hora.
