Gramado – Parte I – O Congresso

Participei da 12ª Escola de Séries Temporais (ESTE) com um pôster intitulado Processos de Longa Dependência com Parâmetro Fracionário Variando no Tempo.

Bonito, né?

Enfim, por causa do congresso fiquei sem atualizar o blog. Mas valeu a pena. Nos últimos 36 meses, participei de 6 congressos. Posso dizer, sem medo de errar, que este foi o mais proveitoso. Foi onde fiz mais contatos, onde expus mais meu trabalho, onde aproveitei melhor os mini cursos. Mas tem coisas que são iguais em todos os congressos.

Gramado: -7ºC
Frio pegando geral na Serra. Em Gramado, -7 ºC.

Todo congresso tem um hype gastronômico no coffe-break. Em geral, nos congressos de matemática, o coffe-break tem café e água para beber e biscoitos amanteigados para comer. 80% da comida disponível se resume a isto. Aí quando aparece algo diferente, o boca a boca espalha a notícia e, de uma hora para outra, as coisas gostosas somem. O hype da ESTE foi o pão de queijo com suco de laranja. Quem não garantisse o seu no início era capaz de ficar sem experimentar a iguaria.

Havia uma grande quantidade de estrangeiros na ESTE. Inclusive, um dos mini-cursos, chamado Nonlinear time series models: parametric models and nonparametric models, nonlinear prediction, foi ministrado em inglês. O professor chamava-se Qiwei Yao. Como que não faço a menor idéia de como pronunciar Qiwei Yao, eu me referia a ele como Qui-Gon Jinn e ficava tudo certo (pelo menos na minha cabecinha viajante).

Qui-Gon Jinn
Qiwei Yao

Com a quantidade de estrangeiros presentes no evento, era normal que a língua oficial fosse o inglês. E isso gerava uma grande integração entre os participantes, dado que cada um falava seu próprio inglês. Imaginem a aula de um chinês, com perguntas de brasileiro, indiano e lituano. Foi um samba do afros-descendente esquizofrênico.

Aliás, este lituano veio até mim durante a apresentação do meu pôster para fazer perguntas sobre meu trabalho. A conversa foi um chuchu. Nem vou comentar; apenas direi que mas ocorreram muitos desenhos, gesticulações e “hãs?” de ambos os lados.

Mas não pensem que eu vou para estes congressos só para falar sobre matemática. Gente, eu sou uma pessoa normal. Ou quase. Vou ilustrar isto com uma historinha. Estava eu parado em frente ao meu pôster, com cara de paisagem, esperando aparecer alguém para conversar. Ao meu lado estava um professor da Unicamp que conheço há tempos, conversando com outro aluno da UFRGS. Ao esticar meu ouvido para me inteirar do assunto deles, notei que falavam de wavelets e espaços de Sobolev. Relaxei meu ouvido e voltei a me concentrar na minha imitação de samambaia.

Eis que no final da Sessão Pôster eu fui dar uma volta. No que me aproximava do grupo de alunos que conhecia, este professor se aproximou também e acabamos ficando nós dois de costas para este grupo, conversando. Sobre matemática? Estatística? Espaços de Sobolev? Não! Falamos sobre picanha, contra-filé, baby beef, abater bois com 24 meses. Só coisa produtiva.

E assim se passou mais um congresso. Claro que há mais coisas a se dizer, coisas sobre a cidade, mas farei isto somente no próximo post.

14 comentários.

11 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Gabriela, 21/8/07
    1

    Congressos acadêmicos são divertidos :D Não sei como são os da Matemática, mas os da Comunicação costumam ser realmente muito interessantes. E viajar para um tem todo aquele ar de fuga da realidade e saída da rotina… :)

  2. Pato, 21/8/07
    2

    Queria muito ter participado desse congresso. Mas faltou grana. :|
    Agora que estou na Economia estou mais interessado do que nunca em Séries Temporais.

  3. marcus, 21/8/07
    3

    Séries temporais é a parte mais legal da matemática. Acho que tu ia gostar bastante do congresso, Bernardo. Haviam muitos trabalhos em econometria.

  4. Moni, 22/8/07
    4

    bá, eu adorava os Congressos da Facul. tá, aposto que os de Matematica são mais divertidos que os de Direito, mesmo assim, adorava!

    poxa, fiquei imaginando tua imitação de samambaia e um mestre jedi dando palestras, hahahahahaahahaha…

    :)

  5. trixie, 22/8/07
    5

    e aquelas lendas cabulosas de que bois são mantidos através de tubos que o alimentam e ajudam a respirar, enquanto suas gordas patas atrofiadas são medidas diariamente para saber quando é a hora de levar pro abatedouro…? ah, eles são cegos também. e acho que não têm pêlos, se não me falha a memória.

    você É uma pessoa normal? eu pensei que você usasse algoritmos até pra cortar o papel higiênico. estive errada este tempo todo?

  6. marcus, 22/8/07
    6

    você É uma pessoa normal?

    Ah, um pouquinho eu sou.

    eu pensei que você usasse algoritmos até pra cortar o papel higiênico.

    Eu faço isto apenas em banheiros de rodoviárias eslovenas.

  7. trixie, 22/8/07
    7

    faz bem! todo mundo sabe a fama das rodoviárias eslovenas…
    calma aí que já vou comentar o resto dos posts, aqui anda uma loucura, só HOJE, depois de tipo… sete meses, tenho efetivamente um computador que seja no mínimo decente. acredita que eu andava vivendo sem gravador, usb e programas p2p? foi um grande flashback aos anos 90.

  8. marcus, 22/8/07
    8

    Como assim? Tu tava em SP sem PC?

  9. trixie, 22/8/07
    9

    então… não. mas eu tava usando um pc da minha tia que não tinha memória nem pra abrir o media player junto com o msn, sem gravador de dvd (e sem condições de instalar um), sem poder usar programas p2p por causa da rede da empresa da minha tia, porta usb queimada e sem possibilidade de troca porque eram daquelas junto com a merda da placa mãe. e a correria toda desse primeiro semestre também me impedia de ir atrás das coisas… ossíssimo.

    aí minha mãe fez o grande favor de comprar um notebook!

    e mandou-me o meu pc velho de campinas. chegou sexta-feira, mas só hoje tive tempo de instalar tudo como se deve.

  10. marcus, 22/8/07
    10

    Eu tenho que entrar nesta modinha do notebook. Todo mundo à minha volta está comprando.

  11. trixie, 22/8/07
    11

    nem me fale. aqui é a meeeema coisa. minha mãe, meu padrasto, minha tia, meu tio, todo mundo tem, meu.

3 trackbacks

  1. De A Grande Abobora » Gramado - Parte II - As Refeições em 21 de August de 2007 às 21:47

    [...] haviam apresentado seus trabalhos no congresso (que foi uma experiência excelente conforme narrei aqui) e decidimos sair para comer entre cinco. Chovia muito, tínhamos apenas dois guarda-chuvas e [...]

  2. De A Grande Abobora » Gramado - Parte III - O Passeio em 22 de August de 2007 às 18:37

    [...] do congresso e das refeições, a tarde do meu último dia em Gramado foi reservado para turismo. Passear mesmo. [...]

  3. De A Grande Abobora » Gramado - Parte IV - O Fondue em 23 de August de 2007 às 20:09

    [...] falei sobre o congresso, sobre as refeições e sobre meu passeio em Gramado. Agora vou narrar como foi o jantar no qual [...]

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