Um pouco tardiamente, aqui vão meus dois centavos a respeito do vídeo desta campanha nova do Doritos, supostamente incita à homofobia.
Ainda não viu? Tá aqui:
Achei engraçado, assim como acho graça em diversas coisas que hoje, talvez, não seriam mais toleradas em nossa sociedade sem senso de humor.
Particularmente, lembro do início de Homens de Preto, quando Will Smith persegue um alien pela cidade, a pé. Lá pelas tantas, ele pula dentro de um ônibus. O motorista, surpreso, solta esta: “estão chovendo negros em Nova Iorque?” Para mim, esta é a melhor piada do filme.
Acho que hoje ela não seria aprovada.
Aliás, ninguém mais chama negro de negro aqui nos US and A. Eles são chamados de african-americans. Em português, afro-americanos.
Isto, que foi uma tentativa de diminuir o preconceito, é na verdade assumi-lo de vez. Só porque alguém veio da África, isto não quer dizer que ele seja negro. Que o digam os povos que vivem às margens do Mediterrâneo, que têm a pele mais clara que a dos naturais da África sub-saariana.
E mesmo se fossem negros, eu aposto que deve haver grandes diferenças entre eles. Jogar todos numa mesma categoria é o mesmo que dizer que todos os orientais (japoneses, chineses, coreanos, vietnamitas, cambojanos) são a mesma coisa.
Este policiamento imbecil, onde ninguém pode mais brincar, vai tirar toda (a pouca) graça que resta no mundo.
Que saudade dos anos 80, quando nossos inimigos eram os comunistas. Deu algo errado no mundo? A culpa é dos russos, é claro. Não há nem o que perguntar.
Hoje, em nome do politicamente correto, Jack Bauer tem que enfrentar rebeldes de Sangala, país africano fictício. Se ele enfrentasse iranianos, provavelmente grupos defensores das minorias dos muçulmanos iriam pedir o cancelamento do seriado, pois não se pode associar um povo ao terrorismo, vide o mimimi criado com aquelas charges idiotas, três anos atrás.
Estamos nos encaminhando para um ponto em que não haverá mais volta. Em que nada mais poderemos fazer com medo de sermos processados.
E isso, mais até do que aquecimento global ou a quebra dos EUA, me preocupa profundamente.

3 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Sinceramente? Minha interpretação do comercial é a seguinte: vai compartilhar algo com os amigos? Compartilha algo de bom gosto, como o Doritos.
Não vi nada de homofóbico, só achei que eles colocaram YMCA como representativa de mal gosto musical.
Daí a ligarem, imperativamente, YMCA a viadagem… vai da interpretação de cada um.
Ah cara, vamos falar sério.
Se alguém toca YMCA, quem não faz a coreografia, pelo menos no refrão?
Homofobia é foda.
todo mundo fica falando que esse comercial é homofóbico e tal, mas eu não consigo ver isso. se um amigo seu começar a dançar YMCA no carro do nada, seja gay ou não, todo mundo vai olhar pra ele assim.