Pensando de forma racional, se o primeiro ano após o nascimento de Cristo foi o ano 1, a primeira década durou entre os anos 1 e 10. Extrapolando, é fácil ver que a primeira década do século atual durou de 1 de janeiro de 2001 e só acabará em 31 de dezembro de 2010.
Entretanto, acho mais bonito usar as expressões do tipo década de 90 (ou anos 90), apesar deles não coincidirem 100% com a 199a década após o nascimento do primeiro hippie do mundo.
Na verdade, podemos definir qualquer período de dez anos como uma década. Há uma década entre 16 de junho de 1997 e 15 de junho de 2007, mas humanos não lidam bem com números quebrados.
Talvez por isso a predileção de muitos em preferir que as décadas iniciem nos anos terminados em zero.
Mas particularmente, acho mais interessante definir décadas e séculos de acordo com acontecimentos políticos e sociais. Conheci este tipo de recurso ao ler O Breve Século XX, no qual Eric Hobsbawn define o século XX como o período entre os anos 1914 e 1991, anos que marcaram o fim de impérios. Em 1914, a Primeira Guerra Mundial marcou o início do declínio do imperialismo europeu na África e na Ásia, enquanto a URSS se desmantelou em 1991.
Seguindo esta ideia, eu gosto de pensar na primeira década do século XXI como sendo o período do fim da URSS até os atentados de 11 de setembro. Foi o início da popularização da internet, o surgimento de um novo inimigo mundial, um novo nível de globalização, ainda mais eficaz que o trio cana-de-açúcar, armas e escravos que tanto fez prosperar o continente americano.
4 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
E feliz ano novo, amigo abobra!
Feliz Ano Novo!
Igualmente :)
aha. Hobsbawn é um cara firmeza, eu tenho aqui a Era dos Extremos. eu acho que essa divisão numérica do tempo é para registros, situamento formal. quero dizer, ninguém lembra de um episódio da infância como “quarta-feira, 27 de outubro de 1995″, mas como “a vez em que eu pisei na merda mole de cachorro e peguei estrongiloide”. o que conta são as experiências vividas, são elas que acabam por dar sentido aos números e marcam a passagem entre décadas, séculos, milênios, ou infância, adolescência e maturidade no universo individual. uma imagem visual trabalha melhor como símbolo de passagem no inconsciente que uma abstração numérica.
de qualquer maneira, entendo o início no zero, informe, pra mim também faz mais sentido do que o 1, já estabelecido. e não é só porque vira a casa no calendário. na realidade o ano 0 é somente transição, nas minhas impressões, é o fim da década mas também o começo da outra ao mesmo tempo. e se dividíssimos o ano 0 ao meio? pra mim faria mais sentido ainda, começa em junho, termina em junho, à mesma distância do 0 e do 1. (sem contar que junho é o solstício de inverno no hemisfério sul, verdadeiramente o ano-novo, recomeço de ciclo.)