É possível viver com apenas 100 coisas?

Consumidores consomem. Caso não consumissem, não seriam consumidores e sim cubanos. A sociedade, de certa forma, (n)os induz a isto. Mas eis que algumas pessoas resolveram se perguntar se é realmente necessário ter um iPod que armazene mais de 10 mil músicas, um computador com processador de quatro núcleos ou até mesmo beber Coca-Cola.

Monkey Drinking Coke
Crédito da foto

O consumo tem um lado bem ruim. Por exemplo, sabemos que aparelhos eletrônicos consomem energia elétrica. Para gerar energia elétrica, em geral se queima carvão, se usa uma usina hidrelétrica ou se mexe com energia nuclear. Segundo os malditos ecologistas, o carvão aumenta o efeito estufa, as usinas hidrelétricas causam impactos enormes no ambiente em que são construídas e ainda não há solução para o lixo atômico das usinas nucleares.

Além disso, o consumo desenfreado nos leva a acumular coisas desnecessárias. Começamos a entulhar nossos lares com aparelhos desnecessários, como máquinas de fazer suco que são usadas apenas uma vez, multiprocessadores de alimentos que batem menos de cinco bolos em toda a sua existência ou um grill do George Foreman que só serve para fazer torradas(1).

O artigo Can You Live With Just 100 Things sugere que as pessoas estão acumulando coisas demais e que cita gente por aí que quer mudar esta situação, vivendo apenas com o que é estritamente necessário. Obviamente, isto é algo difícil. Alguém com dois pares de tênis, um de sapatos, um de chinelos e um de pantufas já possui cinco coisas, apenas no item calçados. Há que se pensar nas roupas, talheres, pratos, eletrodomésticos…

O texto que primeiro destacou este movimento foi How to Live with Just 100 Things, da revista Time. O artigo lista uma série de pessoas que já conseguem (ou pelo menos tentam) viver com, no máximo, 100 itens de uso pessoal. Segundo eles, fazer isto, como já atentei acima, é bastante difícil. Ninguém gosta de perder as facilidades da vida moderna, mas se for pelo bem do meio ambiente, eles dizem que vale a pena.

Particularmente, acho isto uma TREMENDA bobagem. Com certeza, uma idéia imbecil destas saiu da cabeça de um hippie ou de um maldito vegetariano. O problema do mundo não é o efeito estufa, as vacas que viram bifes, o desmatamento da Amazônia ou os fãs de Naruto. O problema do mundo se resume às pessoas que aqui vivem.

Ou melhor, ao excesso delas.

Se houvessem menos pessoas, menos carne seria produzida. Menos hidrelétricas seriam necessárias. Menos carros estariam nas ruas. Menos crentes gritariam nas igrejas pentecostais. Menos…

Ok, vocês entenderam.

O crescimento da população mundial, mesmo com as baixas taxas de natalidade existentes, não pára. Isto acontece porque os velhos, em vez de se resignarem e aceitarem ser jogados em um poço de piche, ficam aí, sobrevivendo e atrapalhando. E gastando oxigênio.

Esta história de aumentar expectativa de vida só faz com que tenha cada vez mais velho no mundo. Se pá, na época do Rei Artur, ele deve ter assumido o trono com uns 12 anos e reinado até uns 26. Os Cavaleiros da Távola Redonda deviam ser um bando de adolescentes arruaceiros com espadas na mão.

Sabem, eu fico puto com velho. Eu prefiro ter um filho VIADO que um filho velho.

Mas acabei mudando o foco do assunto. Eu não falava os velhos e sim sobre ser possível ou não viver com 100 coisas. Eu acho que não. Não contei, mas creio que o número de objetos no meu quarto deve ser maior que 100.

Pensando bem, claro que é. Acabei de lembrar que só em CDs, livros e HQs tenho mais de 400 itens.

Fora minhas roupas, calçados, eletrônicos, Oompa-Loompas e quetais.

Oompa Loompa
Oompa Loompa doompadee doo

Aliás, tentem viver sem OOmpa Loompas após acostumarem-se a eles. Eu garanto que é impossível.

Mas será que estes itens são todos necessários? Será que eu necessito mesmo deles para viver?

Claro que são. Tentem viver sem Oompa Loompas após acostumarem-se com eles. Adoro chegar em frente à minha biblioteca e escolher um livro que ainda não li. Ou ripar um CD que não ouço há tempos e colocá-lo no iPod. Ou ainda assistir a um dos clássicos do cinema que tenho em DVD.

Posso parecer fútil, mas são estas pequenas coisas, mesmo que em grande quantidade, que me fazem feliz. E não é por causa de meia dúzia de hippies recalcados que vou mudar meu estilo de vida, só porque eles estão culpados com a vida que levam.

E vocês? Concordam comigo ou acham que é possível viver com apenas 100 coisas? Enquanto pensam, passem no Submarino e comprem um livro para ajudar no desmatamento das florestas e poluição das águas.


(1)Torrada, em gauchês, é o mesmo que misto quente para os infiéis.

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9 comentários.

9 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Rosana, 30/6/08
    1

    Maldito adorável Marcus.
    ——————

    De frescurinhas de mulherzinha no banheiro cheguei aos 86 ítens, que se encontram dentro do armário. Sem contar esmaltes, aquele monte de espátulas que eu nem sei pra que servem (uma delas parece uma foice), xampus, e coisinhas cheirosas de cabelo. Só desses esfoliantes eu tenho seis (!!!). Nem tenho tanta pele pra esfoliar…

    E pode acreditar, são todos de absoluta primeira necessidade.

    (Sim, eu fui alí contar agora…)
    ——————-

    Eu me divirto com essas polêmicas…
    ——————-

    Chove muito lá pra onde tu vai? É bom tu levar quantias de toalhas!
    =)

  2. éver, 30/6/08
    2

    .
    Eu também acho que essa gente precisa olhar mais vídeos, jogar mais games, escutar mais música …

    E PARAR DE PARIR !!!
    .

  3. j. noronha, 30/6/08
    3

    Só de CD eu tenho 96, em uma cdzeira grande, fora as menores. DVD eu tinha mais de 50, há um ano atrás, mas parei de contar.

    Livro eu já comecei a encaixotar, não tem mais onde enfileirar no meu quarto.

    Vou é iniciar a campanha “é impossível viver sem um porrilhão de coisas”.

  4. Pato, 30/6/08
    4

    Ah, isso lembra o meu post sobre as benesses da junkie food, do álcool, dos acidentes de trânsito, das antenas de celular: http://ocercoalagoa.blogspot.com/2008/05/malthusiano-eu-imagina.html

  5. Felipe, 1/7/08
    5

    ah, acho meio difícl viver com poucas coisas, todos temos capacidade de consumir…

    Agora, imagine… viver sem internet, pesadelo de todos blogueiros certo?

    abraços.

  6. Srta. Rosa, 1/7/08
    6

    Fantástico, ri muito! Eu acho que o problema desses vegetarianos e eco chatos é que eles querem radicalizar. Eu tento encher minha garrafa de água no bebedouro pra não gerar lixo e tal. Aí vêm com umas propostas absurdas desta, tipo modess reaproveitável e eu fico com vontade de mata-los ou de obrigar a comerem os camarõezinhos seus amigos.

    Bezzos,

  7. diego, 2/7/08
    7

    me lembrou muito a Doris, uma personagem d uma novela das 8 q odiava os velhos e fazia seus avós sofrerem que nem judeus num campo de concentraçao. e olha q eu nem gosto de novela, mas e q ela era tao polemica no tempo, tao má, e tao odiada, mais tao odiada, que eu nunca esqueci daquilo…

  8. Motta, 2/7/08
    8

    xD
    Primeira vez lendo teu blog, gostei bastante. Ri muito com esse texto, principalmente com as tiradas do poço de piche (familia dinossauro era bom demais) e oompa loompa…

    parabéns pelo texto e pelo blog xD

  9. trixie, 3/7/08
    9

    ok, meu nome é beatriz e eu não sou absolutamente nada sem minhas coisas.

    e detesto admitir.

    o foda é que pra mim até objeto tem personalidade, seja em aspectos estéticos ou funcionais. depois de um tempo passo a atribuir características humanas para todos; eles até zangam-se comigo de vez em quando. além de serem uma extensão de mim mesma e uma maneira de comunhão com o mundo em que vivo, aquelas besteiras neoplatônicas de sempre. aí fica meio difícil mesmo.

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