Não acredito nos fenômenos sobrenaturais.
Aliás, não acredito sequer na palavra sobrenatural. Se algum fenômeno existe sem a intervenção humana, deve ter vindo daquilo que concebemos como natureza. Logo, é algo natural.
Sobrenatural, portanto, é a Coca-Cola. Espíritos, caso existissem, seriam naturais.
Os leitores mais antigos sabem que não acredito em astrologia e tenho uma birra eterna com a religião. Mas hoje falarei um pouco de espiritismo(1) e, mais especificamente, de comunicação além-túmulo.
Mas antes, uma historinha.
Na semana passada, fui no show que um cara chamado Wayne Hoffman fez aqui na PSU. Ele se proclama ilusionista e mentalista. Um dos diversos truques que fez, todos com pessoas da plateia, consistia em fazer as pessoas mentalizarem palavras para que ele depois as “adivinhasse”. Por exemplo, na primeira parte do truque, ele perguntou quem era a pessoa de iniciais M.W. que estava pensando num bichinho de estimação, para depois dizer que era um gato de nome Crazy. E ele repetiu este número mais três vezes, sempre com pessoas diferentes e “adivinhando” coisas diferentes.
Pois bem. Ele se apresentou como ilusionista e mentalista para uma plateia de universitários. E se tivesse se apresentado como médium para o povo do sertão? Será que muitos não acreditariam que eram realmente espíritos falando no ouvido dele?
Pois percebam que a imensa maioria dos relatos de conversas de espíritos são mensagens do tipo “aqui está tudo bem”, “ainda te amamos”, “espero que nos encontremos um dia” e similares. As mensagens que compõem livros psicografados são, em geral, ideias presentes no senso comum da humanidade: amem-se uns aos outros, não façam guerras e etecéteras.
Só trivialidades.
Pergunto porque NUNCA apareceu um espírito com a demonstração de um teorema matemático ainda não provado. Ou um método para gerar energia limpa. Ou a solução para o problema dos três corpos. Afinal, se o médium está em transe, ele não precisa saber o significado de derivadas e integrais para escrevê-las no papel.
Se espíritos são tão mais evoluídos que nós, por que não provar isto com algo palpável? Ficar reproduzindo ensinamentos de Jesus, Buda e outros mestres antigos não é, de forma alguma, sinal de evolução.
(1)Cata-corno para o google

5 comentários Postar um comentário ou enviar um trackback.
Nossa! Quanta raiva! rsrsrs…Eu n tenho nada contra o seu ponto de vista, tá? Sou uma católica que não acredita piamente em todos os ensinamentos da igreja e acredito um pouco no espiritismo. Eu n me lembro de ter visto nenhum espírito e se eles existem n qro ver pq morro de medo! kkkkkkkkkkk…Mas n acho q eles devam se provar, só acho q se eles existem e trazem mensagens, eles poderiam nos ensinar a ser pessoas melhores para nós e para os outros, mas com ensinamentos bem óbvios, e não aqueles que parecem profecias indecifráveis ¬¬ Meu pai é espírita e uma vez eu perguntei pra ele: pq esses espíritos não revelam logo todos os mistérios do universo? Aí ele me respondeu: Pq isso assustaria muitas pessoas. Eu fiquei meio encucada mas depois passei a acreditar q n existe uma razão universal, não existe uma resposta universal. Vc só vive dando o melhor de si de modo que não incomode o outro, não magoe o outro. E cada um tem seu jeito de viver. Basta à nós respeitar as opiniões alheias, sem necessáriamente acreditar naquilo.
=1
Então os espíritos vão pro céu e passam a ser pessoas calmas e harmoniosas?
Bah, se um cientista fosse pra lá, duvido que ia se aguentar, a não ser que no céu exista regras, hm
hehe Chico Xavier nunca encorporou Isaac Newton…
Ao contrário do que disse a Alice, não achei esse post raivoso. Inclusive, é o mais ponderado que vi até agora sobre esse assunto, finalmente questionamentos pertinentes que não degradam ninguém pelo meio do caminho.
Essas coisas são engraçadas, ó Marcus Grande Abóbora, porque eu concordo com tudo o que você disse. Sim, não existe o sobrenatural. Sim, há muito picareta que se aproveita do deslumbramento alheio, do que as pessoas esperam ouvir. Mas eu acho que nenhum das duas constatações também impede que haja fenômenos naturais ainda não conhecidos, coisas bem por debaixo do pano mesmo que nenhum dos nossos sentidos ou instrumentos de medição derivados é capaz de captar objetivamente. Isso também não implica em um monte de gente desencarnada te empurrando ou guiando suas ações, soprando respostas no seu ouvido. O que eu acho, sinceramente, é que a noção que as pessoas têm de espiriualidade é equivocada, tanto por distorções da religião (isso incluindo catolicismo e espiritismo, que são praticamente neo-católicos) quanto pelo momento que a humanidade vive, inevitavelmente. É uma embriaguez tamanha dos sentidos que ninguém presta mais atenção à música universal que Pitágoras dizia existir, na ilusão da individualidade. Outra: não existe isso de seguir os ensinamentos de ninguém, Cristo é antes um estado de consciência que uma meta a ser atingida, ou uma pessoa a ser venerada. O caminho vai-se revelando por si, aos que são atentos à própria vida que levam e têm a humildade necessária para o aprendizado sincero, desvinculado da arrogância do conhecimento acumulado, e a única coisa que acontece é uma maior integração com a natureza da qual fazemos parte. O inferno e o céu estão aqui, sobrepostos, tudo o que os diferencia é a escala em que operam.
Você perguntou por quê coisas nunca descobertas não são reveladas logo. Ora, elas não o são todos os dias? Do contrário, como seríamos capazes de descobrir algo, seja através da intuição ou intelecto? O tempo é que nos parece muito extenso do ponto de referência de uma vida humana. Não estou dizendo que Mozart tinha anjos ao ouvidos que lhe sopravam as melodias, mas antes que ele foi capaz de integrar a parte sutil da mente dele à inteligência sutil da natureza, pois uma é derivada da outra, e captar o que já existe em suas leis e traduzir para uma linguagem perceptível neste plano manifesto como música.
=)
@Beatrix
Certamente. Eu deveria ter deixado explícito que existem sim fenômenos naturais ainda não explicados pela ciência. Falha minha.