Todo fim de ano é a mesma coisa. Pipocam várias e várias iniciativas de pessoas diferentes, todas querendo ajudar os mais necessitados. É distribuição de brinquedos, roupas e comida que não acaba mais. Acontece que nenhuma delas me comove. Nunca participei de qualquer destas campanhas de ajuda ao próximo.
Não é que eu me orgulhe disso ou que eu tenha um coração de pedra. Ocorre que não tenho vocação para ajudar desconhecidos, mesmo que doar um quilo de arroz signifique a diferença entre a vida e a morte de alguém.
Ok, exagerei nesta última frase. Ela não é, de fato, verdadeira. Já dei lanches para crianças de rua que me pediram dinheiro, por exemplo. Não que isto tenha resolvido as vidas daqueles infantes, desviando-os de uma vida destinada à criminalidade e diversas privações, mas pelo menos tornei a vida deles menos miserável por algumas horas. Há momentos em que um lanche dado de coração, por mais simples que seja, pode fazer toda a diferença.
Segui o exemplo de quem já havia feito isto por mim. Lembro-me especialmente de um episódio ocorrido quando eu era adolescente. Estava em uma pequena embarcação na Cote d’Azur e, devido à demorada ausência de meus tutores na ocasião, já estava faminto. Graças a uma generosa senhora búlgara (cujos profundos olhos azuis sugeriam uma ascendência dinamarquesa), obtive uma taça de beaujolais e uma farta porção de camembert. Isto realmente fez diferença na minha vida.
Mas enfim, acabei saindo do assunto principal deste artigo. Vocês, aí no conforto de seus lares/trabalhos, também são assim como eu? Eu digo no sentido de não estarem motivados a combaterem as mazelas dos menos favorecidos. E, caso realmente não estejam, se sentem mal com isso? Gostariam de ser pessoas “melhores”, mais solidárias?
Da minha parte, respondo que não me sinto mal com isso. Assim como tem gente que gosta de ajudar os pobres, tem gente que não gosta. E nem é por nojo, pela sujeira deles ou por causa dos nomes com excesso de K, W e Y. Como eu disse acima, é tudo uma questão de vocação. Minha mãe, por exemplo, não gosta de matar zumbis aldeões infectados com Las Plagas, mas nem por isso ela tinha nojo do PS2. Apenas se mantinha à distância.




kero
Bah mas deve ter te incomodado mesmo essa questão pra merecer um post, eu faço doação das roupas que nao quero mais, comida pros coitado de rua quando eu ja não tenho apetite, doação de alimentos na faculdade e ja dei 6 reais p uma senhora comprar aspirina e outros remedios(logicamente eu fui ateh a farmacia com ela pois ela tinha uma receita suspeita) pois senti muita pena, e imaginei, sei la a mãe de um amigo meu precisando (pq ver a minha mãe naquele estado seria mt triste heheh)… mas me conta ai! como vai o negao na presidencia? mt festa?
Comentado em 5.Nov.2008
Savoy
na boa, não ajudo não.
vai que dando comida pra um desses meninos de rua, posso estar alimentando o cara que vai me assaltar e matar amanhã?
prefiro não dar dinheiro ou comida, pelo sim ou pelo não, se ele morrer, é um à menos pra roubar ou, no mínimo, pedir esmola por aí.
Comentado em 5.Nov.2008
Adiel Seffrin
Bah.. eu não ajudo… Não pessoas de rua.. tem vezes que tu vai dar comida e o ‘favorecido’ ainda reclama.. Diz que podia estar melhor, que podia ter mais sal.. enfim..
E mesmo que digam… então ajuda uma instituição…
Tem uma próxima a minha casa, que de tempos em tempos faz um feirão.. para verder as doações.. Não tão discarado assim… mas é sim..
Enquando os internos ficam com roupas, calçados e afins de menos, a instituição lucra com as doações…
Logo.. não vou enriquecer uma instituição…
Vou queimar o que está sobrando…
Tá.. nem tanto.. mas não me sinto mal.. o ‘recebedores de doação’ não estão com essa bola toda para me comover…
Comentado em 5.Nov.2008
Lucas F.
é, nem ajudo também. Não por motivos relacionados às pessoas que recebem e sim aos outros. De boa, tem uma pá de gente que tem grana de sobra e não doa nada, quando doa a quantidade é infima se comparada ao que possui, logo porque eu que já não tenho grana assim deveria doar? Isso não vai mudar o fato de que os ricos vão continuar tendo dinheiro que não usam e gastando com besteiras ao invés de ajudar os necessitados. Eles que devem fazer a diferença, não pessoas que já estão sobrevivendo à risca. Agora, sim, tem esse outro lado:
Convenhamos: grande parte dos que não tem nada acha isso injusto e vai para a vida de crimes com essa idéia de que acha que é fácil assim. De que ele tem que conseguir o que quer assim fácil, de que merece +. Não vou dar incentivo a esse tipo de pessoa. Muitos dizem ser ignorância e panz, mas eu não ligo pro que os outros pensam então tanto faz XP
Comentado em 5.Nov.2008
Gustavo Luizon
Primeiro comentário que faço em seu blog
Não gosto de ajudar ‘desconhecidos’ desconhecidos via esses programas.
Trabalhei por 2 anos como atendente em uma farmácia por volta de 1994, eu morria de dó quando aparecia algum velhinho que se percebia claramente ser ou foi trabalhador honesto e quando perguntava o preço do remédio você via na expressão que não tinha todo o dinheiro, adivinha, eu dava o medicamento e mandava o caixa marcar para mim, pelo menos uma vez por semana acontecia, me fazia um bem inacreditável.
Ainda hoje ajudo pessoas, mas meu sentidos estão mais aguçados, caiu muito minha ajuda.
Comentado em 6.Nov.2008
Giuliane
Não necessariamente no final do ano, mas quando faço uma geral no meu guarda-roupa, junto o que não uso mais e dou pra minha mãe e ela encaminha pra alguem que precise. E tambem já dei muuito lanche pra os moleques de rua que vem me pedir um trocado. É pq todo mundo fala que se der dinheiro eles compram drogas…
Não ajudo deficientes que pedem esmola na rua pq sei que existe um programa do governo ou sei lá o que, que da uma aposentadoria por invalidez, então sei que não precisam tanto assim…
Comentado em 6.Nov.2008
Kazuya-kun
Depende. Às vezes ajudar atrapalha.
Comentado em 6.Nov.2008
Piterson
This world is sick.
Comentado em 9.Nov.2008