Todo mundo sabe que brasileiro paga mais caro por qualquer coisa que consuma. Mas agora mostrarei pra vocês um exemplo bem próximo de mim, que mostra como eu (eu, no caso, significa morador dos Estados Unidos) pago muito mais barato por alguns produtos do que os brasileiros pagariam.
Mas antes, uma introdução. Um tempo atrás rolaram por aí dois belos textos sobre este mesmo assunto. O primeiro, mais famoso, foi escrito pelo Fabio Danesi e se chama O Peso do Algodão. Nele, o Fabio faz uma comparação bem interessante entre os bens que ele possui no Brasil e quais ele possuiria se morasse nos EUA, além de comentar a respeito da tarifas alfandegárias brasileiras.
Já o texto Mario Kart enquanto privilégio de classe, do Cisco Costa, toca num ponto muito verdadeiro: só quem é pobre ou sem contatos que paga caro por eletrônicos no Brasil. Gente de classe média alta pra cima sempre tem um conhecido ou um parente que vai pro exterior e pode atravessar produtos eletrônicos pra si. No Brasil, quem compra eletrônicos nas Fnac da vida são só os que tem MUITO dinheiro e realmente não sentirão no bolso a diferença de preço ou os que tem tão pouco que precisam parcelar a compra, não podendo assim pagar a um contrabandista o valor que ele pede à vista.
E aqui entra o exemplo que quero dar, sem achismos nem nada. É algo pontual, eu sei, mas que exibe muito bem a situação que faz todos sofrerem.
(e que quem tem amigos gamers no Brasil, como eu, sabe como a situação é injusta para eles por aí)
Recentemente comprei duas caixas de filme em blu-ray. Comprei a trilogia Bourne, mais os cinco filmes do Dirty Harry, e paguei US$64.31, com frete. Foram oito discos por este preço, menos de US$10 cada um. O salário mínimo federal aqui nos EUA é US$7.25 por hora. Logo, alguém que aqui recebe um salário destes precisa trabalhar 8,87 horas pra comprar o que comprei. Um pouco mais de um dia de trabalho, portanto.
No Brasil, a Trilogia Bourne em blu-ray custa R$599,90. A coleção do Dirty Harry, R$499,90. Assim, totalizam inacreditáveis R$1099,80. Duvida de mim? Então veja abaixo:


Assim, o salário mínimo brasileiro, que é de R$510 mensais, obriga o vivente que o recebe a trabalhar mais de dois meses inteiros pra poder arrecadar o dinheiro necessário pra adquirir tais obras cinematográficas em alta definição. Pra diferença ficar ainda mais fácil de mensurar, em vez de trabalhar 8,87 horas como o redneck americano, o caboclinho daí tem que trabalhar 379,24 horas, já que recebe apenas R$2,90 por hora trabalhada. Comparando, o brasileiro trabalha 42 vezes mais do que seu equivalente americano.
“Ah, mas os blu-ray aqui no Brasil são todos importados e estes que tu comprou aí são americanos, ou seja, nacionais. Teu argumento é inválido.”. Aí que tu te engana, meua migo. Eu também importei meus blu-ray, diretamente da Amazon UK. Olha a nota fiscal, NA TELA:

Ou seja, artigos deste naipe aqui, mesmo importados, saem infinitamente mais baratos do que os comprados no Brasil. Bem, infinitamente não: apenas 42 vezes, se compararmos o poder de compra dos salários mínimos federais dos dois países.
Um último ponto a respeito das tarifas de importação no Brasil. Além de abusivas, elas são estúpidas. Eu entendo, por exemplo, taxar os carros populares que vão pro país. Nossa indústria automobilística produz, basicamente, carros baratos: Palios, Gols e Celtas, por exemplo. Uma Ferrari não tem concorrentes produzidos em terra brasileira. Por que então tributar tão pesadamente algo que, caso fosse para o país com preço menor, talvez tivesse mais saída e fomentasse ainda mais o comércio local?
Certo, o exemplo da Ferrari pode soar um pouco extremado, pois entra naquele caso em que ricos devem pagar mais impostos que pobres (e eu concordo com isso, apesar de, no Brasil, por mais que a classe média negue, ela tem tantos ou mais benefícios governamentais do que as classes mais baixas e paga proporcionalmente menos impostos). Me refiro, por exemplo, a coisas que todas as pessoas deveriam poder comprar sem esforço, como os blu-rays deste exemplo e videogames, já que um PS3 aqui nos EUA custa quase a mesma coisa que um Zeebo no Brasil.
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rola aquele abaixo assinado para um projeto de lei que visa diminuir os impostos referente a importação de games para o brasil, mas como sempre isso nunca é certeza de nada!
eu mesmo comentei em uma publicação anterior deste blog que vou adquirir meu ps3 com alguns jogos via “tio-que-vai-pro-exterior-e-promete-trazer-muamba-mediante-pagamento-antecipado”.
infelizmente, é inevitável.
o único momento em que os preços de blu-ray vão ser considerados baratos será com o advento de uma nova mídia, da mesma forma que foi com o dvd.
Mas é realmente um absurdo o quanto a gente paga aqui. Eu, por exemplo, sou apaixonada por gadgets e não posso ter quase nenhum porque eles tem preços de arrepiar até o último fio de cabelo DO CARECA!! rsrsrs…
=1
e aí marcus, ainda te lembras de mim? Andei um bocado ocupado no último ano porque estive a trabalhar num post. era só para te avisar quando estivesse pronto, mas hey!, ao fim e ao cabo não tenho nada para fazer agora. 5 minutos de pausa. A razão pela qual nunca mais disse nada foi porque prometi que não iria a mais blogs enquanto não acabasse o meu post… claro que não estive só a fazer um post, mas depois vês.
Anyways, sorry for the lack of updates. Descobri los hermanos há duas semanas. Eu sei, eu sei, muito tarde já… mas se tu conseguiste descobrir animal collective tudo é possível, não achas? abraço meu rapaz!
Lembro sim, J. Aliás, é possível que eu dê uma passada por Portugal no final deste ano. Não está nada certo, mas pode ser que ocorra.
se ocorrer, vens sair à noite comigo!
Sem dúvida!
Sua visão das coisas é muito simplista. O preço de um produto não se trata de pegar o preço nos EUA multiplicar pela conversão cambial e pronto. Aqui não é os EUA. Vc nao pode comparar o preço praticado em um país com o consumo e poder de compra tão diferentes.
Seu argumento que o produto foi importado também não vale pois ele veio do reino unido, outro pais de primeiro mundo com relações com os EUA totalmente diferentes.
O Produto ao ser importado e vendido pelo Submarino tem que arcar com todos os custos de mão de obra, armazenamento, impostos, e claro, o lucro.
E quanto ao imposto de importação, é um mal necessário para dar competitividade à indústria nacional. Se tudo fosse tao barato, com preço adequado à realidade americana, não haveria necessidade de produzir nada aqui. E se vc dizer que o PS3 não é produzido aqui e não há sentido no imposto eu digo que há. O fato do PS3 ter um preço alto aqui é uma fator motivante para a sony vir ao Brasil e produzí-lo aqui, ou ao menos montá-lo evitando que o Brasil se torne um freguês da industria americana ou japonesa.
O mais importante é que ninguem está proibindo vc de comprar esses produtos. Pague o valor, ou não, vc escolhe. Mas vc de modo algum vai morrer se nao comprar seus blu-rays.
É uma palhaçada a forma que os impostos são coletados neste país, uma falta de vergonha os salários altissímos dos administradores e a forma que o país é administrado, os lideres politicos deveriam fazer juz ao que ganham e levantar um pouco a moral desse país, imagina só paguei R$1400 numa placa de video, é brincadeira ou não é.
Amigo Leonardo,
me explique porque comparar o poder de compra dos salários mínimos de cada país é algo simplista. Aponte o trecho do texto onde fiz a tal conversão cambial que tu afirma, pois não lembro de ter escrito e não encontrei-o em uma segunda leitura.
O fato de comprar na Amazon UK foi para mostrar que para mim, como morador dos EUA, tanto faz onde compro meus blu-rays, pois não corro o risco de pagar impostos, ao contrário do Brasil. O último parágrafo fala exatamente disto: para quê tributar blu-rays que entram no Brasil se não há indústria nacional de blu-rays a ser protegida de competição?
Não me venha com isto de evitar “que o Brasil se torne um freguês da industria americana ou japonesa”. Faz 15 anos que Playstations são produzidos no mundo. Faz 15 anos que a Sony não está nem aí pra situação do mercado brasileiro. Se os aparelhos e os jogos fossem importados por um preço mais em conta, certamente venderiam mais por aí.
Por fim, no quarto parágrafo, eu advirto que este exemplo é extremo, porém pontual. Não é uma pesquisa a respeito da atual situação dos mercados brasileiro e internacional de filmes em alta definição.
O que afinal de deixou tão revoltado com meu texto?
Isso é que dá quando se tem bolsa escola,família e etc.
Mas será que você não deu sorte de não pagar imposto?
Porque aqui no canadá eu pagaria + ou – uns 30%
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Até Mais!
Alex
Nao estou revoltado, mas é que essa conversa metendo o pau na taxa de importação já é velha. Mas é sempre aquela questao, se algo me afeta é ruim, e nao consegue visualizar o “big picture”.
Não é cabível, e impraticável, estipular uma taxa de importação para cada produto, baseado onde ele é fabricado e nas potencialidades de ele vir para o Brasil. Em muitos produtos, muitos mesmo, é a taxa de importação que mantém sua competitividade no mercado nacional.
E sinceramente, não entendo seu argumento de que importar barato fomenta o comércio. Isso de modo algum ocorre uma vez que a pessoa que não compra o PS3 por estar caro vai comprar outra coisa, não vai queimar o dinheiro, e tendo grande chance de esta “coisa” ser nacional aí sim voce “fomenta” de verdade uma cadeia produtiva e não um comércio de revenda que agrega pouco/quase nenhum valor.
Não quero ser deselegante e não estou revoltado, apenas quero que alguem que escreva materias em blogs nao simplifique as coisas, para justificar que está errado o que os muitos profissionais gabaritados escolheram ser o melhor para o país.
Ah, o protecionismo existe em todos os países, e curiosamente um grande representante disto é, vejamos, os EUA!
Se a conversa de meter pau na taxa de importação é velha, é porque ainda não foi feito nada para deixá-la melhor. Não me estendi neste assunto porque os dois textos que linkei (e que aparentemente tu não leu) falam indiretamente sobre isso e não gosto de chover no molhado.
Em nenhum momento, caso tu não tenha percebido, eu defendi o término das taxas de importação no país. No final do texto, até dei um exemplo que considero pertinente: importar carros baratos (Punto, por exemplo) com impostos baixos é idiotice, pois fabricamos muitos carros neste segmento. Mas porque taxar em 50% um carro americano como um Cadillac, que não tem concorrentes produzidos aqui? (e olha eu chovendo no molhado).
Sobre a fomentação do comércio local, explico agora. Suponha que a pessoa compre um PS3 no exterior ou contrabandeado, pois aqui é muito caro. Isto não gera impostos para o país nem aumenta a competitividade aqui. Dos meus amigos com PS3, apenas um compra jogos no Brasil. Todos os outros compram no eBay, PlayAsia ou demais sites no exterior. Aposto que se os jogos fossem menos taxados, comprariam por aqui, ajudando o comércio local. Não é justo algo que custa US$60 aqui nos EUA custar R$300 no Brasil. Não é justo e não faz sentido ter uma diferença tão gritante. Também não comprariam jogos piratas, pois (ainda) não existe pirataria para o videogame da Sony.
E se não comprar o PS3 e comprar outra coisa, vai comprar o quê? Eu quero um videogame pra jogar. Não faz sentido eu pensar “Puxa, queria tanto um videogame, mas está tão caro. Acho que comprarei um saco de batatas pra compensar.”
Sobre teu penúltimo parágrafo, recomendo novamente que leia os textos que linkei e meu segundo parágrafo. As pessoas que acham que escolheram a atual política de importação, achando que isto é melhor para o país, são pouco afetadas por esta mesma política, ou porque tem dinheiro suficiente para ir ao exterior e comprar os produtos pelo preço que eles realmente valem.
Os EUA são protecionistas? Claro que são! A Europa é? Óbvio. O Brasil tem quer também? Em alguns casos sim. Com o Punto que já citei. Com importação de trigo. Com roupas importadas da China. Mas não com blu-rays e produtos que não são (e provavelmente nunca serão) fabricados aqui.
Contra fatos não há argumentos. Para uma difrença de R$ 1100,00 para US$ 65,00 não existe justificativa plausível. Isso não é defesa do mercado interno, isso é roubo, falta de vergonha na cara, putaria!
Felizmente viajo aos EUA umas 3 vezes ao ano e, consequentemente, posso comprar lá o que interessa.
Indo contra o argumento de “levar as indústrias estrangeiras a produzir no Brasil” apresentado pelo Leonardo dou o seguinte exemplo:
Gosto muito de cozinhar e, sem falsa modéstia, cozinho direitinho. Minha cosinha é bem equipada e, pela qualidade, resultados e estética, utilizo panelas francesas (fabricadas na França) da marca Le Creuset. Uma panela pequena destas, no Brasil custa R$1600,00, compro a mesma nos EUA por algo em torno de US$ 180,00. É o mesmo item, importado do mesmo país e vendido com uma diferença de aproximadamente 5 vezes.
Os americanos não se importam se a panela é fabricada na França e se fosse fabricada nos EUA ganhariam mais. Apenas as vendem num valor aceitável e tem lucro com isto.
Não deixo de comprar estas panelas, e é claro que as compro nos EUA. Deixo lá meu dinheiro pois me sinto roubado no Brasil.
Pois é isto, Weber, exatamente que eu queria apontar no meu texto. Os blu-rays foram só um exemplo pontual. Isso acontece em diversas áreas como esta da cozinha que tu apontou. Adiantaria produzir tais panelas no Brasil? Haveria demanda para uma fábrica destas por aqui? Se nos EUA, um país com mais habitantes e público com maior condições de consumir, elas não são produzidas, por que teriam que ser feitas aqui para abaixar seu preço? Para que penalizar tão pesadamente quem quer adquirir panelas como estas?
Não é so as tarifas alfandegárias. Trabalhei um tempo com
testes de emissões de gases para fins de importação e homologação de carros e motores importados. Por lá aprendi que no Brasil, as montadoras de veículos usam o mote de termos os impostos mais caros do mundo para aplicar aqui as margens de lucros mais altas do mundo também.
Exemplo: O novo Honda Fit que é vendido por aqui sem opcionais em torno de 60 mil reais, é vendido no México, exportado daqui, por cerca de 25 mil reais, e com ABS incluso, coisa que é opcional aqui.
As empresas tem sua culpa e muito.
É neaa em vista disso oq podemos faazer alem de reclamar. Azar nosso que nasceu nesse “belo” país.
Em parte são os impostos, em parte a ganância, mas acho que o principal fator é que brasileiro paga para ser explorado e ainda acha lindo sair da Fnac com algum produto que custa 42 vezes menos em outros países.
Sugiro que você estude um pouco de Economia e de Comércio Internacional para depois falar sobre esse assunto.
A culpa não é de quem determinou o valor do imposto de importação. É uma situação complexa e que no conjunto acaba tendo os altos impostos como uma medida necessária na situação atual.
Há incontáveis motivos para os produtos serem mais caros, tanto importados quanto os nacionais. Não bastaria reduzir o imposto de importação ou outras barreiras. Com certeza não seria produtivo discutir todos eles aqui, mas vão alguns:
1) O PIB per capita dos EUA é USD 46k. Com 9% de imposto, os EUA já arrecadam o equivalente p.cap. ao que o Brasil consegue com os altos 37% de imposto daqui. Ou seja, se o país é rico e a economia “gira” mais, os impostos são menores. Como no Brasil temos muitos pobres que não têm renda, é preciso uma porcentagem maior para que haja dinheiro para escolas, saúde etc.
2) Estudando um pouquinho de economia, você aprende que tem um peso negativo muito grande a saída de dinheiro do país. Digamos que esse valor não vai para o PIB do Brasil, mas sim do país de origem. Portanto, importar demais “empobrece” o país, com consequências futuras. A solução que você aparentemente propõe, de baixar os impostos, só fará algumas pessoas terem ferrari e wii enquanto o país se afunda mais ainda na pobreza.
3) As empresas praticam margens muito maiores aqui do que nos EUA. Os motivos não são fáceis de determinar, mas se tiver oportunidade verifique isso. Chegam a ser 5x maiores as margens no Brasil.
Lá nos EUA quase todo mundo consome, e cada ajuda o governo pagando a sua parte. Aqui no Brasil muita gente não tem como consumir, portanto quem compra videogames precisa pagar muito mais impostos para compensar os que não tem dinheiro para contribuir mas precisam de hospitais e escolas.
Acho que está claro o que quero dizer. Há motivos para os impostos serem altos. Não são motivos bons, mas estão ai. A solução só virá após anos de mudanças contínuas. E definitivamente não será simplesmente baixando impostos para satisfazer as compras de supérfluos da classe média.
p.s. 1) Se for responder e manter seu o argumento de baixar impostos para melhorar a situação, favor utilizar argumentos existentes na Economia
p.s. 2) É impossível comentar os dois artigos que você linkou no seu texto. São absurdos demais.
Li no Peso do Algodão a afirmação “O Brasil é insignificante demais”. Parei alí.
Para algumas coisas o Brasil é insignificante demais. Para uma empresa que vende produtos relacionados a badminton, o Brasil é insignificante demais.
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O custo dos filmes em blu-ray no Brasil…
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[...] e tantas outras traquitanas eletrônicas, que aqui, custam somas exorbitantes de dinheiro. Este outro post, no blog Grande Abóbora disseca os preços praticados em Blu-Rays por aqui e na terra do Tio Sam. As vezes dá vontade de [...]