Final de abril de 1994. O movimento grunge estava acabando. O corpo de Kurt Cobain tinha sido encontrado encontrado alguns dias antes. O rap começava a ganhar força na costa leste americana. Parecia que o rock iria entrar no ostracismo de novo, como havia ocorrido no fim dos anos 80. Apesar desse clima nada animador para a música era lançado na Inglaterra um dos cinco maiores álbuns da década: Parklife, do Blur. Um disco pop, rock, alegre, debochado e muito bom.
O Blur realmente acertou a mão neste álbum. Boas letras, belas melodias, flertes com o som eletrônico. Moderno, mas com um pé nas boas influências dos anos 80 (alguém pensou em Let’s Dance?). Um disco que era um contraponto às mudanças da época. Um disco que começou uma famosa briga com o Oasis pelo título de banda mais famosa da Inglaterra. O Blur perdeu na época, mas quem hoje em dia fala dos novos lançamentos do Oasis? Parklife deu a tônica do Blur para a década seguinte. Renovação a cada álbum. Alguns erros (13 e Think Tank), mas muitos acertos (The Great Scape e Blur). Mas mesmo nos erros existe a tentativa de sair da mesmice, de criar algo novo. E pra que fazer música se não for para flertar com diferentes sonoridades e novas idéias? Os Beatles que o digam.
Outro grande mérito de Parklife foi ter colocada a Europa no mapa da música pop de novo. Apesar de boas bandas bretãs dos anos 80 (The Smiths, The Jesus and Mary Chain, The Cure, entre outras), quando pensamos nessa década sempre lembramos dos americanos e seu poodle rock. Mas os anos 90 foram diferentes. O rock inglês dominou a cena na metade da década com qualidade e boas idéias. As bandas vindas de lá sempre traziam novas idéias mescladas com forte inflência do passado. E assim criaram as mais belas canções da época.
E a maior parte deste fenômeno se deve ao sucesso comercial do disco dos ex-estudantes de Artes. Assim como 9 de fevereiro de 1964, 25 de abril de 1994 também merece um lugar na história da música.

