Em 1996 eu não tinha internet.
Em 1996, quase ninguém no Brasil tinha PC, que dirá internet. E mesmo que eu tivesse, a velocidade nominal dos modems era inferior a 33k e não existiam softwares P2P. Apesar disso (e apesar da MTV), eu sabia (um pouco) do que ocorria no mundo pop. Sabia menos do que posso sei hoje, mas sabia algo.
Eu sabia, por exemplo, que na Inglaterra havia o britpop. Não conhecia Stone Roses e Pulp, é verdade, mas conhecia Blur e Oasis. Conhecia a banda dos ex-estudantes de arte de Colchester e a banda dos irmãos marginais de Manchester. E sempre gostei mais do Oasis.
Em 1996 o Oasis era bem famoso. Para mim eles serão aúltima grande banda de rock. Creio que não é possível, nestes tempos de diluição de ídolos, aparecer outra banda do tamnho de um Oasis, Nirvana ou Smiths, que dirá um novo Beatles ou Rolling Stones. Mas voltemos ao Oasis. Eles haviam lançado Definitely Maybe, o primeiro grande disco de rock lançado após a ressaca do fim grunge (leia-se suicídio de Kurt Cobain) em 1994. O primeiro single foi Supersonic (I need to be myself), uma bela forma de iniciar uma carreira (sem trocadilhos, como veremos a seguir). Em 1995 saiu (What’s The Story?) Morning Glory, o disco deles que estourou, que rendeu música em trilha sonora de novela e que rivalizava com as Spice Girls no topo das paradas inglesas.
Durante esta época, eu tinha vontade de asistir um show do Oasis, fosse in loco, fosse em VHS. Mas além da vinda deles ao Brasil ser fora de cogitação, não havia nem como eu baixar os álbuns pela internet que eu não tinha (e que, a bem da verdade, não tinha as ferramentas de compartilhamento de hoje em dia) e eu não tinha como comprar os caríssimos bootlegs. Então restava esperar pelas migalhas da MTV ou o antigo Piratas no Rádio da Rádio Ipanema, que transmitia gravações clandestinas de shows de rock toda segunda-feira.
Mas eu nunca consegui assistir ou ouvir um show do Oasis nesta época.
Em 1997, afundado no álcool e na cocaína, o grupo lançou Be Here Now, um disco que hoje é renegado pelo Noel. Eu não acho um disco tão ruim assim, em vista de Standing on The Shoulder of Giants, de 1999, e Heathen Chemistry, de 2002.
Com quatro discos no currículo e mais uma coletânea de lados B, o grupo lançou em 2000 Familiar to Millions, um disco ao vivo em Wembley, gravado na presença de 75000 pessoas. É um bom disco, mas ainda assim não tem o punch que eu esperava de um álbum do Oasis, ainda mais levando em conta que eles tocavam em seu próprio país.
Aí veio 2001 e o Rock in Rio 3. Aliás, 2001 é tão passado que naquela época o Rock in Rio não tinha o subtítulo “Em Lisboa”, pois era realizado (adivinhem!) no Rio. Mas veio 2001 e com ele o Rock in rio 3. Assisti pela TV (ou gravei) os shows do Foo Fighters, Queens of the Stone Age, Deftones e, claro, Oasis. Mas assim como em Familliar to Millions, é um show meio parado, coisa só pra fã mesmo.
Por isso a minha alegria em encontrar para baixar o antológico show em Knebworth, realizado em 10 e 11 de agosto de 1996, para 250000 pessoas. É o Oasis na melhor forma, pré-egotrip de Be Here Now. Tem grandes sucessos, lados B e até cover dos Beatles. Vale por cada segundo e por cada acorde. Em três dias já ouvi três vezes. Só seria melhor do que é se eu tivesse estado lá ou se eu tivesse ouvido durante minha época áurea de fã.
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