Como não abrir uma conta no Bradesco (parte 2)

Acabei não contando o que sucedeu-se com minha pessoa depois que retornei ao Bradesco para terminar de realizar meu cadastro bancário. Os fatos narrados naquele post ocorreram numa sexta-feira. Na segunda, juntei os documentos que eu precisava para abrir a conta e rumei para o banco. Acabei não abrindo ela no Bradesco por dois motivos:

  1. Precisava dos três últimos contra-cheques e minha renda vem deste blog (RISOS) e das aulas que dou nos EUA, ou seja,
  2. Tinha muito pobre dentro do banco

E sei que agora vou soar ainda mais pedante e presunçoso: não tenho nada contra os pobres, desde que eles não frequentem o mesmo lugar que eu.

Peraí que explico.

Chega um momento na tua vida que tu começa a ganhar um pouco mais de dinheiro e, por exemplo, lojas de departamento não te satisfazem mais. Restaurantes a quilo ou rodízio não te agradam mais como outrora. Os atendentes das livrarias tem conhecimento literário inferior ao teu, pelo menos na tua área de interesse.

Assim sendo, tu passa a exigir que os atendentes das lojas fiquem o tempo todo a teu lado, te sugerindo roupas e respondendo tuas perguntas sobre elas. Tu quer um garçom que saiba servir a mesa com mais delicadeza e que seja mais atencioso contigo. A tua maneira preferida de ser abordado em livrarias é, justamente, não ser abordado.

Uma coisa que aprendi na vida é que chegar com humildade nos lugares é pedir pra ser mal atendido. Não digo chegar como o Alexandre Frota chegaria num baile funk, mas um pouco de auto-confiança e decisão sempre abre mais portas do que fecha.

E pobre tem mania de ou chegar se desculpando ou chegar rodando a baiana em qualquer lugar que vai. Não existe um meio-termo firme, porém educado para as pessoas desprovidas de uma renda um pouco mais digna. Claro que minha análise pode estar errada (não está), mas é assim que enxergo o mundo.

Aí quando vi aquela fila enorme no Bradesco, não tive dúvidas: fui pro Itaú. Lá chegando, tirei a ficha (também detesto lugares que distribuem fichas para atendimento) e olhei meu número: 88. Recém estavam chamando o 76. Aí usei meu charme com a estagiária do banco (contei que moro no exterio, que queria uma conta corrente só pra investir na bolsa, que ia abrir minha conta com um depósito vultoso etc) e ela prontamente me colocou no primeiro lugar da fila, falando diretamente com um gerente.

Cheguei dando a real pra ele: que eu viajaria de volta pra cá em três dias, que queria a conta só pra investir na bolsa, que não tinha como comprovar renda e tal. E, apesar disso tudo, fui tratado todo meu-amor, pois o cara também tinha feito intercâmbio nos Estados Unidos, investe na Bovespa e tal. Aliás, foi curioso eu dizer que não me interessava em usar o home broker do Itaú porque achava muito caro e o gerente respondeu que ele também acha isso.

9 comentários.

9 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. cavalca, 2/9/10
    1

    Tô falando que vc devia ter aberto conta na Caixa, lá não tem pobre. (risos).

    Mas se bobear, tem menos que no Bradesco.

  2. marcus, 2/9/10
    2

    Eu precisava abrir no Bradesco ou no Itaú porque minha corretora trabalha com estes bancos. Com conta em algum destes dois bancos, eu não pago taxas de DOCs e TEDs.

  3. cavalca, 3/9/10
    3

    Vale mais a pena trabalhar com corretora? Pensei que vc ia deixar em algum fundo de ações. (a maioria do pessoal prefere home broker, eu acho que é um stress desnecessário, além das taxas só valerem a pena se vc jogar com muita grana).

  4. marcus, 3/9/10
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    Eu me perguntei a mesma coisa e cheguei à conclusão que vale a pena trabalhar com uma corretora desde que tu já tenha uma certa soma em dinheiro e que tu acompanhe, pelo menos um pouco, o mercado.

    Eu usei os fundos do Banco do Brasil de janeiro de 2009 a agosto de 2010. Foi uma boa experiência para eu perceber se seria tolerável, pra mim, perder dinheiro. E foi. Perdi um pouco, mas ganhei mais e não me abalei com isso.

    As dias principais vantagens que vejo em operar com uma corretora são agilidade (o BB me pedia até cinco dias úteis pra vender ou comprar ações) e não precisar pagar uma taxa mensal pra manter meu dinheiro aplicado.

  5. Manoel, 3/9/10
    5

    “A tua maneira preferida de ser abordado em livrarias é, justamente, não ser abordado.” isso é o que deveriam, mas não ensinam nesses livros sobre “como ser um vendedor de sucesso chato pra caralho”

  6. João, 9/9/10
    6

    E tô eu aqui aprendendo mais sobre o mundo dos investimentos.
    E como ex-funcionário da Caixa posso te garantir que nenhum lugar tem mais gente financeiramente desfavorecida do que lá. Ou eu era muito azarado e estavam de sacanagem com a minha agência.

  7. cavalca, 10/9/10
    7

    Mas na Caixa tem o setor mais povão (PIS/FGTS e Caixas) e tem os segmentos. Hoje por exemplo, tava muito calma o atendimento no meu segmento (e olha que eu trabalho com ‘os pobres’).

  8. Mr Mouse, 13/9/10
    8

    Bradesco sempre foi banco de pobres. Pq o sr nao optou em ir a uma agência Itaú Personnalité?

  9. Mr Mouse, 13/9/10
    9

    Um adendo: Pobre não é, necessariamente, aquele que tem carencia monetaria, mas sim, quem não tem cultura e intelecto para se comportar de maneira decente em locais publicos.

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