Parece que foi ontem. Em julho de 1896, no Rio de Janeiro, ocorreu a primeira exibição de cinema no Brasil. Já as primeiras filmagens em solo nacional foram rodadas entre 1897 e 1898.
Nestes mais de 100 anos, vários estilos de filmar já foram moda por aqui. 50 anos atras haviam as chanchadas da Atlântida e o Cinema Novo do Glauber. Nosso cinema viveu bons anos, tanto em qualidade como em quantidade de produções. Mas com a extinção da Embrafilme no governo Collor, o cinema brasileiro quase morreu. Tanto que 1992, último ano de Fernandinho como presidente, viu o surgimento de apenas um filme nacional nas telonas: A Grande Arte, de Walter Salles.
Três anos depois, em 1995, surge a chamada Retomada do cinema brasileiro, com promessas de incentivos estatais para apoio à produção de filmes. Apesar dos temas dos filmes destes últimos anos não serem lá muito originais (em geral, os filmes destes últimos 15 anos tratam ou do nordestino engraçadinho, ou do carioca marginalizado, ou é uma novela Global resumida em duas horas), vimos algumas boas obras, principalmente quando saem da mesmice. São desta época Cidade de Deus, Tropa de Elite, Carlota Joaquina: Princesa do Brasil, O Quatrilho e Central do Brasil.
Entretanto, quem como eu está tem em torno de 30 de idade, lembra com saudade de outra época cinematográfica. Mesmo com os bons filmes que surgiram ultimamente, eles perdem um pouco em autenticidade, coisa que as famosas pornochanchadas dos anos 70 tinham de sobra.
Frutos da repressão que a classe artística sofria na ditadura, as pornochanchadas viveram seu auge na década de 70. Filmes como O Bem Dotado – O Homem de Itu, Histórias que Nossas Babás Não Contavam e Rio Babilônia (este último, um filme dito policial) possuem muito mais carga dramática do que Se Eu Fosse Você, por exemplo.
Embora houvessem mulheres deslumbrantes nos filmes daquela época, como Aldine Müller, Vera Fischer, Nicole Puzzi e Matilde Mastrangi, devo reconhecer que prefiro os desempenhos dos atores (quando eles estavam vestidos, é claro). Quem assistiu não se esquece jamais de cenas antológicas interpretadas por José Wilker (eterno), Lima Duarte e Paulo César Pereio, principalmente nos filmes baseados em obras de Nelson Rodrigues.
Eu sou um ex-contínuo e você é um filho da puta. Seu filho da puta.
Ah, Nelson Rodrigues. Este homem, que decretou que a pior forma de solidão é a companhia de um paulista, escreveu textos revolucionários, que rivalizam em importância para o teatro do século XX com os textos de Tennessee Williams. As adaptações de suas obras para o cinema moldaram o caráter de toda uma geração que as assistiu nas incessantes reprises do Made In Brazil.
Mas se tu quiser baixar adquirir estes filmes para assistir no conforto de seu lar, esqueça. Graças ao enorme desinteresse que as distribuidoras possuem em relação ao cinema nacional, muitos destes filmes sequer foram lançados em cópias digitais, dificultando assim sua entrada no catálogo da locadora Pirate Bay. Muito provavelmente, clássicos do naipe de Efigênia Dá Tudo que Tem só poderão ser encontrados naquela última prateleira empoeirada da menor locadora do teu bairro, e ainda assim só na versão em VHS.
(me envergonho de ter nascido numa país que AINDA não disponibilizou uma caixa de DVDs com as obras de Walter Hugo Khouri e Neville d’Almeida)
Mas então, como proceder? Como (re)assistir estas pérolas da cultura nacional se elas não são possíveis de serem encontradas em DVD? Ora, é pra isso que existe o Canal Brasil.

Um canal de TV por assinatura quase 100% dedicado à exibição de material relacionado às produções do cinema nacional, sejam os filmes em si, documentários a seu respeito ou entrevistas com atores e diretores.
Como não poderia deixar de ser, o Canal Brasil está presente nas mais diversas redes sociais, como Facebook, Twitter e Orkut.
E só no Canal Brasil o amigo pode encontrar o melhor programa de culinária produzido para a TV brasileira, o internacionalmente famoso Larica Total.
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3 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Bicho de 7 Cabeças me deixa emocionado até hoje e os curtas do Jorge Furtado são show de bola (lembremo-nos de Ilha das Flores e Angelo Anda Sumido)!
Ninguém melhor do que Nelson Rodrigues para falar de sexualidade cinematográfica e teatral, né! Não sou da mesma época mas conheço o trabalho dele!
=1
Olá! Gostei muito da sua maneira de escrever. Finalmente encontrei um texto decente sobre filmes brasileiros. Concordo contigo quando diz que os filmes brasileiros novos “tratam ou do nordestino engraçadinho, ou do carioca marginalizado, ou é uma novela Global resumida em duas horas”. Engraçado que eu mesma escrevi algo bem parecido no meu blog, quando falei do filme americano “O Feitiço do Rio”.
Tem um filme gaúcho novo chamado Antes que o mundo acabe, que eu achei excelente! Confere lá no meu blog a minha crítica e se assistir ao filme, me diz o que tu achou =)
http://el-judas.blogspot.com/2010/05/antes-que-o-mundo-acabe.html
Abraços!
Vou começar a passar aqui.