O post a seguir contém doses cavalares de nostalgia, principalmente para quem foi criança no início dos anos 90.

O mercado de vídeo-games no Brasil, no final da década de 80, era bem simples. Havia a Tec Toy/Sega, a Nintendo e os clones do Atari. Mas era claro que, com chegada do Master System e dos genéricos do Nintendo 8 bits, o mercado não tardaria a mudar e, com certeza, o Atari 2600 cairia na preferência das crianças.
E, de fato, a mudança não tardou.
De pouco em pouco, o parque instalado foi sendo atualizado. Havia, por exemplo Duck Hunt pro Phantom System e Rambo 3 pro Master System. Imagina: eram jogos nos quais tu podia usar uma PISTOLA pra jogar! Além disso, o império que a Tec Toy criou no país, com o Master System e Mega Drive, indicava que a Atari demoraria um pouco pra recuperar sua posição de direito no mundo dos jogos eletrônicos domésticos.
Demoraria um pouco pra recuperar, na frase acima, é um eufemismo para nunca recuperaria. Eu pensava assim porque, antes de surgirem nintendistas e sonystas, eu era um atarista.
Mas eu era nostálgico naquela época e, tendo ganho meu Atari com apenas 4 anos, realmente acreditava que a Atari voltasse a seu lugar de direito, na liderança do mercado.
Acima, uma demonstração do gameplay da versão do fliper de Hard Drivin’. o jogo de corrida mais perfeito de todos os tempos. Era da Atari, certamente.
Em 1991, uma versão do NES (da CCE, é claro) habitava minha casa. Tudo ia bem comigo e com ela, com Marios e Tartarugas Ninjas, até que Terminator 2 estreou nos cinemas.

Esta cena, em particular, chamou minha atenção já na primeira vez que assisti o filme. Notem que John Connor utiliza um Atari Portfolio para hackear o caixa eletrônico e, assim, sacar dinheiro.
Um hacker usando um Atari, numa época em que eu desconhecia a existência da palavra hacker.
Isto só poderia ser um sinal da revolução que viria.
Apesar do que a Ação Games dizia, eu tinha certeza que com este avançado palmtop de 128kb de RAM e processador Intel 8088 de 4,9152MHz, juntamente com os gráficos PERFEITOS de Hard Drivin’, eram o que a Atari precisava pra voltar ao auge, mesmo depois de desperdiçar milhões de dólares ao enterrar cartuchos do jogo ET no deserto.
Já meus amigos, influenciados pela mídia má, feia e boba (e pelo sucesso da Tec Toy, é claro), achavam que a Sega dominaria o mercado pra sempre.
No fim, o tempo provou que todos estávamos errados. Mas, até hoje, me surpreendo pela análise consciente que fiz naquela época.
Que tal compartilhar este texto com seus amigos? É só clicar nos botões abaixo e divulgar!