O trecho que considero mais genial no artigo Sobre a classe média, escrito pelo Artur Xexéo para O Globo e que descobri pelo blog do Rafael Galvão, é este:
Como qualquer brasileiro, me orgulho muito da nova classe média e dos oito milhões de conterrâneos que chegaram à sociedade de consumo nos últimos tempos.
Consumo para todos! Mas, veja bem, para todos, o que inclui a velha classe média. É democrático o fato de voos comerciais poderem ser pagos em 17 vezes. Mais gente viajando, mais gente fazendo turismo, nem me incomodo com os aeroportos superlotados. Mas, vem cá, dá para variar o cardápio? Ou vou ser obrigado a comer barrinha de cereal para o resto da vida? Alguém já perguntou se a velha classe média gosta de barrinha de cereal? Eu não gosto. Dá pra sair um sanduíche de queijo com suco de laranja?
O movimento da maldita inclusão digital, que começou no Orkut, se disseminou pelos blogs, perfis no twitter e chegou ao FEICE, finalmente atinge a velha mídia. E atinge as redações de jornal com aquela força que sempre teve: argumentos vazios e sem sentido, carregados de velhos hábitos e preconceitos.
(ou só eu notei a vibe “Não que eu seja racista, mas negro é tudo ladrão” do trecho acima?)
Eu só acho que a velha classe média, aquela que voava com a Varig, comia lagosta durante o voo, tinha poltronas mega-espaçosas e usava Ray-Ban aviador enquanto dirigia seus conversíveis pelas ruas bem cuidadas pelos governos militares, não tem muito do que reclamar. Afinal, a aviação no Brasil é regida pelas leis do mercado. Se o mercado não tem demanda suficiente para que as companhias aéreas ofereçam serviços de primeira classe, só posso concluir que gente como o Artur Xexéo tem menos influência na economia nacional do que – deus nos livre, Nossa Senhora de Boris Casoy! – garis.
A não ser, claro, que argumentem que esta parada com a aviação comercial no Brasil não passa de ditadura das minorias, querendo implantar seus desejos sobre a castigada classe média pagadora de impostos e que realmente sustenta e leva o país nas costas.
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Marcus,
concordo muito com o que falaste. Mas agora nos vôos da gol e webjet, por módicos 17 reais você compra refrigerante/suco+ sanduíche, ocorrendo o surgimento da oferta que falaste.
Pior é quando a ” velha classe média” fala dos carros. Uma vez que a frota se ampliou de forma despropircional ao planejamento urbano, os mais antigos acham que estão sendo reduzidos do direito de circular de forma rápida pela cidade já que existem muitos carros fazendo isso e atrasando o trânsito…
Só vc mesmo pra falar tudo que eu pensava. Quase vomitei domingo passado quando li essa coluna. Nunca leio o Xexéo, que acho intragável, mas quando li o título me interessei. Mas de certa forma já sabia qual seria o tom. Só não acreditei nessa atitude reacionária absurda. Sua comparação com a inclusão digital é interessante…