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Chimpanzés, Máquinas de Escrever e Shakespeare: Uma Aplicação do Lema de Borel-Cantelli

Lema de Borel-Cantelli: Sejam A1, A2, …, An eventos em (Ω, F, P) com pn=P(An) para todo n≥1. Temos

i) Se

então

ii) Se

e os An são independentes, então

Demonstração: aqui.

Ok, e o quico, vocês me perguntam. Aí está a sacada do lema. Imaginem um macaco. Ou melhor, um chimpanzé, como o do título. É razoável supor que, sentado à frente de uma máquina de escrever, ele consiga, apesar da chance ser muito pequena, datilografar as obras completas de Shakespeare. Vejam bem: a minha edição de Macbeth começa da seguinte forma:

Cena I – No pântano

[Trovões e relâmpagos.
Entram as bruxas.]

Primeira bruxa – Quando nos encontraremos as três, uma próxima vez? Ao som dos trovões, à luz dos relâmpagos, em meio à chuvarada?

Havemos de concordar que há uma chance do chimpanzé digitar o primeiro C corretamente. Logicamente, existe uma chance de ele escrever Ce corretamente. Analisando letra por letra, há uma chance (pequena, é verdade), dele escrever Cena I – No pântano. Mas também é verdade que há uma chance muito maior de ele escrever coisas como èmanf aLJR kjkjq3-0, que nada significam.

Mas ainda assim, Cena I – No pântano é algo possível de ser escrito por um macaco. Ou seja, há uma probabilidade maior do que zero de que isso ocorra.

Agora consideremos que cada An é uma tentativa do chimpanzé de escrever as obras completas. Ele terá sucesso se conseguir escrevê-las; terá fracasso em caso contrário. Assumindo independência entre os ensaios e que as probabilidades de sucesso são sempre as mesmas, definimos An como sucesso no n-ésimo ensaio. Assim,

Portanto, pela parte ii) do Lema de Borel-Cantelli, concluímos que, com probabilidade 1, o chimpanzé conseguirá escrever as obras completas de William Shakespeare um número infinito de vezes.

Fonte: Magalhães, M.N. Probabilidade e Variáveis Aleatórias. São Paulo: IME-USP, 2004.

12 comentários.

11 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.

  1. Carla, 10/5/07
    1

    Engraçado que até hoje nenhum macaco fez isso.

    :P

  2. mari, 10/5/07
    2

    Quando meus programas têm bugs, e não sei mais o que fazer, eu utilizo essa abordagem : P

  3. marcus, 10/5/07
    3

    Os chimpanzés ainda não tiveram um tempo suficientemente grande para poder completarem sua obra.

  4. Carla, 10/5/07
    4

    Maldita CDD, que não me permite classificar obras completas de shakespeare digitadas por macacos!

    No próximo semestre aprenderei CDU, espero que ela contemple essa fantástica possibilidade.

  5. Gabriela, 10/5/07
    5

    Eu realmente entendi uma fórmula matemática, ou isso é efeito do texto que acompanha o código? :P
    Os chimpanzés estão perdendo tempo.

  6. tina oiticica, 11/5/07
    6

    Marcus:

    Foi duro ler teu post porque hoje foi um mau dia. Entretanto, com a paciência que me é proverbial compreendi tudo. NIcolas está cada vez mais esnobe. Não vê que ele é o chipanzé teclando Shakespeare eo Bardo sou eu.

  7. éver, 11/5/07
    7

    Senhor “poder completarem”, o SMURF andou te conseguindo alguns cogumelos, é isso ?

    Um Chipanzé governa os EEUUAA, por que haveriam de não poder escrever “Cena I – No Pântano” ?

  8. marcus, 11/5/07
    8

    Puta merda. Vocês não perdoam uma, né?

  9. Carla, 11/5/07
    9

    eu ia criticar o “poder completarem”, mas já sou suficientemente taxada de chata por essas correções.

    obrigada, ÉVER.

  10. J., 11/5/07
    10

    …EM MEIO À CHUVARADA??

    o chimpanzé era capaz de uma tradução melhor. se calhar devias dar-lhe o teclado a ele.

  11. Carla, 11/5/07
    11

    resta saber se é erro de tradução ou digitação.

    como o marcus só colocou a fonte do lema e não do trecho citado, temos um problema.

    depois dizem que metodologia e normalização não servem pra nada…

Um trackback

  1. [...] Apesar de parecer semelhante, este problema não tem relação nenhuma com o fato de chimpanzés conseguirem escrever as obras completas de Shakespeare. [...]

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    A Grande Abóbora, o blog do Marcus.

    Uma explosão de sabor.

    Saiba mais sobre mim lendo meu about.

    Ou não.