Parece que a Globo é a única emissora do país, além da MTV, a utilizar blogs como forma de divulgação de seus produtos. Ontem eu estava assistindo Duas Caras - dissertarei sobre isto em breve - e o comercial abaixo passou na TV:


Leitores do feed, visitem o post para assistir ao vídeo

Achei bastante curioso o filminho, com trechos de uma filmagem amadora de um casamento, com cara de Super 8 feito em 1980. De áudio, apenas uma música do Milton Nascimento e o locutor dizendo: “Queridos Amigos: estréia em fevereiro”. No final, aparece o endereço de um website.

Queridos Amigos

Lógico que visitei para saber do que se tratava. Queridos Amigos é a nova minissérie da Globo, que deve estrear só em fevereiro, mas que já me deixou curioso. O cuidado que tiveram com o vídeo (cuidado este que, infelizmente, é impossível de ser notado via internet), o fato de não se explicar nada, a cara de amadorismo me fisgaram e estou com muito vontade de assistir esta minisse´rie.

Sim, sei que caí como um patinho golpe deles, sei que toda empresa que quer se mostrar moderna e antenada se rende a estas facilidades de marketing da web 2.0, mas não resisti. Quando vi aquele logotipo com cara de Vale a Pena Ver de Novo, anotei o endereço do site para poder visitar hoje.

E diferente dos hotsites de novela, este é um blog, com artigos por ordem de data e tudo o mais. Não permite comentários, é fato, lembra muito aqueles que os diretores americanos fazem para os seus filmes.

Não é nada, não é nada, mas já é um começo. Achei uma ótima idéia, que pode ser bem aproveitada, desde que a produção e a assessoria de imprensa trabalhem juntas. Fotos de bastidores, vídeos de divulgação e entrevistas com atores e equipe técnica podem ser bons caminhos a serem seguidos.

Mas como nem tudo é perfeito, faltou algo primordial para o público-alvo deles (que eu suponho que seja composto por pessoas curiosas que têm discernimento para correr atrás de algo que os interessa e não o telespectador médio da Globo): um endereço de feed que funcione, pois aquele disponível no blog está quebrado.

Tirando isso, acho uma boa iniciativa da Globo. Imagina se a Record copia se inspira e faz algo assim para Caminhos do Coração?

Eu morreria de felicidade.

Desperate Housewives

8.Jan.2008 @ 12:28 pm
Arquivado em TV

Eu sou preconceituoso. Não tenho apenas os preconceitos normais que toda pessoa tem, como aqueles contra gays, negros, anões e gordos. Eu também tenho preconceito contra obras audiovisuais, como filmes, músicas e seriados de TV.

Qualquer um com dois dedos de QI é capaz de notar que cada seriado é pensado em um público específico. Lost (seriado sobre o qual já falei) é um seriado pensado em atrair fãs de ficção científica e teorias da conspiração. 24 Horas visa atingir o homem que gosta de ação, com muitos tiros e perseguições. Desperate Housewives é um seriado de mulherzinha.

Por achar isto, nunca me interessei pela série. Achava que seria melosa, chata e arrastada, daquele tipo de programa que mulheres gostam, com poucos tiros e muito romance água-com-açúcar.

Mas na realidade, Desperate Housewives tem mais assassinatos do que eu esperava e os romances não são tão melosos e perfeitos como eu supunha.

As Desperate Housewives: Gabrielle Solis, Edie Brit, Lynette Scavo, Susan Mayer e Bree van de Kamp
As Desperate Housewives: Gabrielle Solis, Edie Brit, Lynette Scavo, Susan Mayer e Bree van de Kamp

As donas-de-casa desesperadas são cinco: Gabrielle Solis, Edie Brit, Lynette Scavo, Susan Mayer e Bree van de Kamp. Todas moram na mesma rua, Wisteria Lane, localizada em Fairview, uma cidade fictícia localizada nos Estados Unidos.

A grande sacada em Desperate Housewives é a forma como são tratadas as relações entre as pessoas. Os romances não são perfeitos. Os casamentos não são perfeitos. Os filhos, os vizinhos, os empregos, nada é perfeito.

Falando assim, parece algo feito especialmente para mulheres assistirem e homens fugirem. Mas não é bem assim. Em momento algum o seriado toma uma postura feminista, mostrando as mulheres como a única esperança da sociedade e os homens como os grandes canalhas (apesar de isto acontecer às vezes). Os episódios sempre tentam apresentar uma visão isenta dos fatos.

O maior mote da série é apresentar os núcleos familiares como eles verdadeiramente são. As famílias dos outros são sempre mais felizes que as nossas, até que as olhemos de perto. Todos têm podres a esconder. Uma grande dívida, uma traição, filhos que não se comportam direito ou até mesmo um assassinato. De perto, ninguém é normal.

A série é narrada por uma personagem já morta. No primeiro episódio, ficamos conhecendo Mary Alice Young, típica dona-de-casa americana. Ela limpa a casa, faz as compras, cuida do marido e do filho. Até que um belo dia recebe uma carta anônima e explode a cabeça com um tiro.

A partir dai, a vidas das suas ex-vizinhas é narrada a partir do ponto de vista de Mary Alice, que sabe dos segredos de todas as outras e passa a comentar as atitudes de cada uma.

As situações ocorridas em Wisteria Lane beiram o absurdo, mas sempre com um pé na realidade. Todos temos vizinhos estranhos (né Julia?), mas as situações em Desperate Housewives sempre vão um pouco além da normalidade.

Mas enfim, o que é normal?

Por isso digo, Desperate Housewives é um seriado sobre mulheres, mas não apenas para mulheres. Os homens que ainda não o assistiram devem dar uma chance ao melhor drama com toques de comédia atualmente em exibição.

Não é por assistir uma seriado protagonizado por mulheres que alguém vai ficar mais ou menos macho.

Nunca acreditem em mim

27.Dez.2007 @ 10:10 am
Arquivado em Cotidiano, TV

Uma prova de que vocês não podem acreditar em nada do que escrevo é este post que estão lendo neste momento. Semanas atrás eu escrevi que nunca mais poria meus pés no McDonald’s de São Leopoldo.

Já voltei lá duas vezes.

Explico, pois tenho um motivo muito razoável para ter voltado.

Antes, uma pequena introdução.

Quem não passou os últimos 15 anos vagando pelo espaço sideral perdido com a família Robinson sabe que a maior sitcom de todos os tempos é Seinfeld. Não há discussão sobre isto. Nunca houve e nunca haverá algo tão bem escrito e tão bem interpretada na TV mundial.

Além disso, os mais atentos sabem que desde 1998, ano em que o seriado acabou, Seinfeld não havia feito mais nenhum trabalho importante na TV ou no cinema.

Isto durou até 2007, com o lançamento de Bee Movie.

Jerry Bee Seinfeld
Jerry Seinfeld disfarçado de Jackson Five loiro

Bee Movie é um filme que eu ainda não havia assistido e já tinha gostado. E para um pessoa fortemente influenciada pela mídia, adquirir merchandising de um filme com tantos apelos assim, como Jerry Seinfeld e abelhas, é praticamente uma obrigação.

E adivinha quem vende bonequinhos dos personagens do filme, acompanhados por cheeseburger, fritas e Coca-Cola, por módicos R$ 10,50? Bingo! O McDonald’s. Mas é óbvio que minha ida até lá não seria uma tarefa simples, ainda mais com meu histórico de péssimos atendimentos. Mas eu tinha que tentar.

E lá fui eu, com mais dois amigos.

Na filial do McDonald’s de São Leopoldo, o Drive-Thru tem três caixas. No primeiro, faz-se o pedido. No segundo, paga-se e escolhe-se o brinquedo. No terceiro, recebe-se o lanche.

Mas incrivelmente, tudo ia muito bem. Após as piadas dos meus amigos a respeito da minha masculinidade, eu já havia feito meu pedido e escolhido meu brinquedo: um Jerry Seinfeld Barry B. Benson que dança twist. Quando recebi meu lanche, veio apenas aquela embalagem bonitinha do McLanche Feliz e um copo de Coca Light. Achei que meu brinquedo estava dentro da caixinha. Ao alcançá-la ao meu carona, eu disse:

- Boi, abre esta caixinha e vê se meu brinquedo tá aí dentro.

- Olha, a não ser que esteja embaixo das fritas, aqui não tem brinquedo nenhum.

- Como assim?

- Não tem abelha nenhuma aqui dentro.

Ah! Não tive dúvidas! Eles não iam me passar para trás de novo. Como eu já estava saindo com o carro e não tinha como alcançar a janela de atendimento, estacionei o Celta na frente da fila de espera do Drive-Thru e fui reclamar dentro da loja. Entrei com a nota fiscal na mão, furei a fila e reclamei com uma mocinha que estava atendendo:

- Meu McLanche Feliz veio sem brinquedo.

- E qual brinquedo o senhor queria?

(Notem que eu era um senhor brigando por um brinquedo)

- A abelha número cinco.

- A abelha número cinco acabou.

- Como assim a abelha número cinco acabou? Não me avisaram isto quando comprei meu lanche. Quero devolver meu McLanche Feliz e quero meu dinheiro de volta.

A guria virou para trás e berrou, chamando o gerente:

- Fulano, o cliente quer devolver o McLanche porque não ganhou a abelha número cinco.

O gerente berrou em direção ao fundo da loja:

- Ainda tem a abelha número cinco aí?

Nisso, o incompetente que havia me dado o menu para escolher meu brinquedo veio correndo do fundo com meu Barry B. Benson na mão dizendo “hããã… tinha mais um”.

Assim eu saí de lá feliz com o meu novo amiguinho brinquedo que meu afilhado eu queria.

Se valeu a pena? Vejam no vídeo abaixo:


Link para o pessoal do feed

Não é o máximo? Já me diverti muito com meu Barry em meus momentos de ócio.

E o que concluí desta história? Ora, sempre que vou ao McDonald’s de São Leopoldo, eu sou como um caqui:

Conrado Caqui
Eu só me fodo nesta merda

E que abelhinhas de corda dançarinas são ótimas surpresas de lanches de empresas multinacionais.