Duas Caras e Juvenal Antena

18.Jan.2008 @ 11:23 am
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Eu acredito é na rapaziada.

Então eu tenho assistido Duas Caras, atual novela das nove. Como fazia já algum tempo que eu não assistia novela alguma, pude desenvolver um certo tipo de “visão de fora”: afastado destas produções, consigo agora analisá-las mais friamente.

Em Duas Caras há o Juvenal Antena, interpretado pelo Antônio Gagundes. Ele é tipo um Pedro, o amigo do Bino, mas com bigode. Ah, ele também manda em algo um pouco maior que um caminhão: uma favela comunidade (pois favela é politicamente incorreto) chamada Portelinha.

Juvenal Antena
É uma cilada, Bino!

Ele é praticamente o super-herói do lugar. Além de ele ser o líder da Portelinha, cuidando das principais decisões administrativas do local, ele também se mete na vida dos moradores, mandando prender e soltar, e pega geral por lá.

Agora ele tá numas de catar a Flávia Alessandra. Em condições normais de temperatura e pressão, eu diria que a Flávia Alessandra ser pega pelo Antônio Fagundes seria um desperdício. Mas ela é casada com o Otaviano Costa; portanto, de certa forma é até um tipo de evolução.

Mas o Juvenal Antena nem é a pior coisa da novela. Este título cabe à interpretação de Marília Gabriela como Guigui. Sério: eu acho que ela aprendeu a atuar com o Gianechinni quando ele fazia Laços de Família, lá em 1990 e sei lá quando. Acompanhem as imagens abaixo para entender o que eu digo:

Guigui
Marília, faz cara de desdém…

Guigui
…agora de felicidade…

Guigui
…de tristeza…

Guigui
…de soberba…

Guigui
…de raiva…

Guigui
…e de alívio. Corta!

Não sei se é a falta de talento ou o excesso de botox, mas a Marília Gabriela tem sempre a mesma cara. E o pior: ela não me convence como pobre. Toda hora que ela está em casa eu penso que o mordomo vai entrar perguntando se já pode servir o caviar.

E eu não sei porque novela tem que ser tão comprida. Acostumado que estou com filmes e séries americanas, que excetuando Lost têm as tramas resolvidas rapidamente, acho u mporre esperar um capítulo inteiro para acontecer uma (e somente uma) ação importante para trama. Por que os parentes do viadinho cozinheiro, dos capangas do Evilásio, das faveladas deslumbradas e muitos outros personagens têm histórias paralelas que nada acrescentam à trama principal? E a Donatella Versace Suzana Vieira, que está fazendo par romântico com o José Wilker pela 126.534a vez?

Suzana Vieira, em um raro momento em que não está apanhando do marido
Suzana Vieira, em um raro momento em que não está apanhando do marido

Isso só pode ser cabide de emprego, pois não há outra explicação. Uma novela tem o que? 180, 200 capítulos? Fica em exibição 8 meses, mais ou menos? Friends ficou dez anos em exibição e teve 236 episódios, que se tiverem a duração somada, têm menos tempo que uma novela. E houve muito mais tramas, subtramas e menos personagens irritantes.

Menos a Janice. Ela era bem chata.

Parece que a Globo é a única emissora do país, além da MTV, a utilizar blogs como forma de divulgação de seus produtos. Ontem eu estava assistindo Duas Caras - dissertarei sobre isto em breve - e o comercial abaixo passou na TV:


Leitores do feed, visitem o post para assistir ao vídeo

Achei bastante curioso o filminho, com trechos de uma filmagem amadora de um casamento, com cara de Super 8 feito em 1980. De áudio, apenas uma música do Milton Nascimento e o locutor dizendo: “Queridos Amigos: estréia em fevereiro”. No final, aparece o endereço de um website.

Queridos Amigos

Lógico que visitei para saber do que se tratava. Queridos Amigos é a nova minissérie da Globo, que deve estrear só em fevereiro, mas que já me deixou curioso. O cuidado que tiveram com o vídeo (cuidado este que, infelizmente, é impossível de ser notado via internet), o fato de não se explicar nada, a cara de amadorismo me fisgaram e estou com muito vontade de assistir esta minisse´rie.

Sim, sei que caí como um patinho golpe deles, sei que toda empresa que quer se mostrar moderna e antenada se rende a estas facilidades de marketing da web 2.0, mas não resisti. Quando vi aquele logotipo com cara de Vale a Pena Ver de Novo, anotei o endereço do site para poder visitar hoje.

E diferente dos hotsites de novela, este é um blog, com artigos por ordem de data e tudo o mais. Não permite comentários, é fato, lembra muito aqueles que os diretores americanos fazem para os seus filmes.

Não é nada, não é nada, mas já é um começo. Achei uma ótima idéia, que pode ser bem aproveitada, desde que a produção e a assessoria de imprensa trabalhem juntas. Fotos de bastidores, vídeos de divulgação e entrevistas com atores e equipe técnica podem ser bons caminhos a serem seguidos.

Mas como nem tudo é perfeito, faltou algo primordial para o público-alvo deles (que eu suponho que seja composto por pessoas curiosas que têm discernimento para correr atrás de algo que os interessa e não o telespectador médio da Globo): um endereço de feed que funcione, pois aquele disponível no blog está quebrado.

Tirando isso, acho uma boa iniciativa da Globo. Imagina se a Record copia se inspira e faz algo assim para Caminhos do Coração?

Eu morreria de felicidade.

Desperate Housewives

8.Jan.2008 @ 12:28 pm
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Eu sou preconceituoso. Não tenho apenas os preconceitos normais que toda pessoa tem, como aqueles contra gays, negros, anões e gordos. Eu também tenho preconceito contra obras audiovisuais, como filmes, músicas e seriados de TV.

Qualquer um com dois dedos de QI é capaz de notar que cada seriado é pensado em um público específico. Lost (seriado sobre o qual já falei) é um seriado pensado em atrair fãs de ficção científica e teorias da conspiração. 24 Horas visa atingir o homem que gosta de ação, com muitos tiros e perseguições. Desperate Housewives é um seriado de mulherzinha.

Por achar isto, nunca me interessei pela série. Achava que seria melosa, chata e arrastada, daquele tipo de programa que mulheres gostam, com poucos tiros e muito romance água-com-açúcar.

Mas na realidade, Desperate Housewives tem mais assassinatos do que eu esperava e os romances não são tão melosos e perfeitos como eu supunha.

As Desperate Housewives: Gabrielle Solis, Edie Brit, Lynette Scavo, Susan Mayer e Bree van de Kamp
As Desperate Housewives: Gabrielle Solis, Edie Brit, Lynette Scavo, Susan Mayer e Bree van de Kamp

As donas-de-casa desesperadas são cinco: Gabrielle Solis, Edie Brit, Lynette Scavo, Susan Mayer e Bree van de Kamp. Todas moram na mesma rua, Wisteria Lane, localizada em Fairview, uma cidade fictícia localizada nos Estados Unidos.

A grande sacada em Desperate Housewives é a forma como são tratadas as relações entre as pessoas. Os romances não são perfeitos. Os casamentos não são perfeitos. Os filhos, os vizinhos, os empregos, nada é perfeito.

Falando assim, parece algo feito especialmente para mulheres assistirem e homens fugirem. Mas não é bem assim. Em momento algum o seriado toma uma postura feminista, mostrando as mulheres como a única esperança da sociedade e os homens como os grandes canalhas (apesar de isto acontecer às vezes). Os episódios sempre tentam apresentar uma visão isenta dos fatos.

O maior mote da série é apresentar os núcleos familiares como eles verdadeiramente são. As famílias dos outros são sempre mais felizes que as nossas, até que as olhemos de perto. Todos têm podres a esconder. Uma grande dívida, uma traição, filhos que não se comportam direito ou até mesmo um assassinato. De perto, ninguém é normal.

A série é narrada por uma personagem já morta. No primeiro episódio, ficamos conhecendo Mary Alice Young, típica dona-de-casa americana. Ela limpa a casa, faz as compras, cuida do marido e do filho. Até que um belo dia recebe uma carta anônima e explode a cabeça com um tiro.

A partir dai, a vidas das suas ex-vizinhas é narrada a partir do ponto de vista de Mary Alice, que sabe dos segredos de todas as outras e passa a comentar as atitudes de cada uma.

As situações ocorridas em Wisteria Lane beiram o absurdo, mas sempre com um pé na realidade. Todos temos vizinhos estranhos (né Julia?), mas as situações em Desperate Housewives sempre vão um pouco além da normalidade.

Mas enfim, o que é normal?

Por isso digo, Desperate Housewives é um seriado sobre mulheres, mas não apenas para mulheres. Os homens que ainda não o assistiram devem dar uma chance ao melhor drama com toques de comédia atualmente em exibição.

Não é por assistir uma seriado protagonizado por mulheres que alguém vai ficar mais ou menos macho.