Sinceramente, acho negros e índios devem ser afastados dos brancos. Nós, a maioria pensante e atuante da sociedade, devemos ficar separados destas raças sem heróis de verdade, sem uma única figura de destaque realmente importante em toda a história. Esportes não contam.
Índios e negros não têm direito à igualdade, porque são realmente diferentes. Originalmente são politeístas; e onde já se viu acreditar em mais de um Deus ao mesmo tempo?
Índios e negros vivem em regiões tropicais. A preguiça presente em pessoas (se é que tais seres podem ser chamados assim) nascidas nesta faixa do globo terrestre é impossível de ser anulada. Além disso, são lentos e intelectualmente desfavorecidos.
Índios e negros não são confiáveis. Os rituais que praticam, com todos aqueles transes e danças, somente atraem demônios. Dançar e cantar durante cerimônias religiosas só servem para atrair maus espíritos.
Índios e negros, quando tentam (eu disse tentam) se aproximar da religião católica, acabam sempre desvirtuando-a, ao não entenderem os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo. A música gospel é uma verdadeira afronta a Deus, nosso criador. Ele deveria sre louvado apenas em latim.
Índios e negros devem ser exterminados, para dar lugar, na terra, àquele que realmente a merece por direito: o homem branco.
Obviamente, o texto acima é uma piada. Substitua a motivação da cor da pele pela religião, brancos por xiitas e negros e índios por sunitas para entender porque o Iraque está em guerra desde 2003.
Ou desde a morte de Maomé, para ser mais rigoroso historicamente.
Ou ainda, negros, índios e brancos podem ser substituídos por católicos e protestantes, cristãos e muçulmanos, palestinos e judeus. No fundo, a razão é dos conflitos é sempre a mesma: intolerância religiosa.
Religião e amor à pátria são as maiores causas de guerras e matanças da história. Isto é um fato incontestável.
A Santa Inquisição, a mutilação dos clitóris das mulheres na África, os atentados de 11 de setembro, o ataque com gás sarin no metrô de Tóquio e a destruição dos budas gigantes no Afeganistão, dentre vários outros eventos vexatórios da humanidade, foram cometidos em nome de alguma religião.
Eu não lembro de algum ato deste tipo ter sido realizado por um grupo ateu.
Aliás, eu iria além. Aposto que se fizermos um censo nas prisões, encontraremos poucos ateus. Creio que a proporção de pessoas que acreditam em Deus dentro das prisões seja maior do que na sociedade não-prisional.
Mas não acredito que seja Deus (ou a falta dele) que causa (ou evita) crimes. O que acontece, em geral, é que ateus são humanistas. Nós (ou pelo menos eu) nos preocupamos com o ser humano. Celebramos a vida e o ser humano na Terra, sem esperar recompensas divinas. Vivemos a vida como se não houvesse nada após ela (pois, de fato, não há). Fazemos o melhor que podemos para que a vida seja bem aproveitada aqui, sem esperar as recompensas prometidas pelo Big Brother do céu.
Nós nunca mataríamos uma pessoa porque ela acredita em bobagens como Deus ou pátria.
Acho interessantíssimo que busquemos harmonia e paz sem a necessidade de cultos rituais antigos.
O texto a seguir foi escrito pela Ana, do Olhômetro, inaugurando a série de posts de autores convidados aqui no blog. Caso tu queira ter um post teu publicado aqui, manda uma proposta pelo meu formulário de contato e eu verei o que posso fazer.
O mais provável é que eu sequer te responda.
Manja aquele filme chamado Constantine, que foi inspirada em uma HQ chama Hellblazer? Eu não li a HQ, mas sei que no final do filme [spoiler] John descobre que Deus e o diabo estão apostando pela alma dele [/spoiler]. É algo bem cruel de se pensar de um Deus todo-misericordioso, não é?
Parece uma grande heresia. Mas a Bíblia contém uma situação que mostra claramente Deus e o capeta apostando a condenação (ou não) de uma pobre alma ao fogo eterno.
Num tempo muito, muito antigo, existia esse cara chamado Jó, que era super-temente ao Senhor e tinha uma vida super-próspera. Num dia desses, eis que se aproxima o capeta e sussurra: ‘ei, Deus. Esse cara cara aí só gosta de você porque ela tem um puta vidão. Fode com ele pra’cê ver.’
E Deus achou que era bom. Digo, boa. A idéia. E deixou que o diabo acabasse com a vida de Jó. O capeta fez o que sabe fazer: matou mulher e filhos, tirou abrigo, comida, lhe deu úlceras terríveis – essas coisa caótica. Mas Jó era um servo fiel. E nunca blasfemou contra o Senhor, mesmo nas adversidades.
Então Deus viu que era bom. Que o Jó era bom, digo. Ou o diabo se encheu e percebeu que essa ele tinha perdido. Então Deus devolveu as paradas para ele – com algumas adaptações necessárias devido as condições, tipo, a mulher e os filhos não dava para ressuscitar, que isso já era demais. Mas ele lhe deu outra mulher e outros filhos. Trouxe o toda a riqueza de volta e inclusive deu longa vida a Jó, que viveu mais 140 anos - Livro de Jó.
Ou seja – Deus é um cara que discute com o diabo a respeito de mesquinharias, paga para ver destruindo a vida de um homem e ainda faz isso tudo sem nenhuma motivação aparente, já que é onisciente e sabia antes de começar que Jó seria fiel até o fim.
Faz o até Deus de Constantine parecer camarada. Se esses são os valores morais do nosso Deus, então a gente tá fudido.
*Eu escrevo Deus em letra maiúscula porque é assim que identifico esse Deus louco, cruel, do velho testamento, em que eu definitivamente não acredito. E aqui o D não é maiúsculo por causa da grandeza do cara, e sim pela megalomania.
Os dez mandamentos são uma grande mentira. No post anterior, comentei que nossa moral não vem da religião. Se ela não vem da religião, muito menos vem dos dez mandamentos. E agora vou exemplificar isto.
Tomemos por exemplo o mandamento Não Matarás. Muito bonito, ele dá a entender que toda a vida é sagrada e que não devemos retirá-la de nenhum ser humano.
O que quase ninguém sabe é que tal mandamento proíbe o assassinato de judeus. Judeus não podem matar judeus. Filisteus, como Golias, estão liberados para o abate. Cananeus também. Aliás, todos os provenientes das outras cinco tribos também podem ser mortos sem remorso algum pelos judeus. Tome, por exemplo, a passagem encontrada em Números 31, 15-18:
E Moisés disse-lhes: Deixastes viver todas as mulheres?
Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, deram ocasião aos filhos de Israel de transgredir contra o SENHOR no caso de Peor; por isso houve aquela praga entre a congregação do SENHOR.
Agora, pois, matai todo o homem entre as crianças, e matai toda a mulher que conheceu algum homem, deitando-se com ele.
Porém, todas as meninas que não conheceram algum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós.
Em resumo: matem tudo e a todos, exceto as mulheres virgens. Delas nós vamos nos aproveitar.
George Carlin, comediante americano falecido há alguns meses, também não acreditava nos dez mandamentos. Em uma de suas mais famosas esquetes, ele diz o que realmente pensa destas leis. O vídeo está abaixo, infelizmente sem legendas.
Para quem não pegou o áudio, a tradução de uma das melhores partes:
A religião convenceu mesmo as pessoas de que existe um homem invisível - que mora no céu - que observa tudo o que você faz, a cada minuto de cada dia. E o homem invisível tem uma lista especial com dez coisas que ele não quer que você faça. E, se você fizer alguma destas dez coisas, ele tem um lugar especial, cheio de fogo e fumaça, e de tortura e angústia, para onde vai mandá-lo, para que você sofra e queime e sufoque e grite e chore para todo o sempre, até o fim dos tempos… Mas Ele ama você!
Faz sentido, não? Outro fato interessante é que nem Jesus honrava pai e mãe:
Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.
Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.
Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;
Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.
Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.
Trecho retirado de Mateus 10, 32-38.
Destaque especial para a parte
Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;
Mensagem um pouco raivosa para um hippie fracassado, não?
A Bíblia, como sempre, nos presenteando com suas mentiras…
Ou melhor, com suas histórias que devem ser interpretadas.
Mas se eu devo escolher o QUE interpretar e COMO interpretar, qual a diferença entre jogar tudo isto fora, não acreditando em nada, e simplesmente criar minhas próprias regras?
A meu ver, nã existe nenhuma diferença. Aliás, é exatamente isto o que teólogos e padres fazem. Dizem no QUE devemos acreditar e COMO acreditar.
“Mas eles têm mais experiência”, alguém pode dizer.
Sim, eles podem até ter. Mas a partir do momento em que se usa uma obra como justificativa para si mesma, as coisas não fazem sentido. Ou tu acredita na Bíblia como um todo ou não acredita em nada. Escolher o que se deve acreditar é muito conveniente. Assim, até o Mein Kampf vira um livro de cabeceira. É como naquelas clássicas provas para a existência de Deus, das quais traduzo algumas:
- Argumento transcendental
- (a) Se a razão existe, então Deus existe
(b) A razão existe
(c) Logo, Deus existe - Argumento cosmológico
- (a) Se eu digo que algo deve ter uma causa, este algo tem uma causa
(b) Eu digo que o universo deve ter uma causa
(c) Então, o universo tem uma causa
(d) Logo, Deus existe -
- (a) Eu defino Deus como X
(b) Como eu posso conceber X, X deve existir
(c) Logo, Deus existe -
- (a) Eu posso conceber um Deus perfeito
(b) Uma das qualidades da perfeição é a existência
(c) Logo, Deus existe
Religiosos, assim como as provas acima, adoram argumentos circulares. Não se pode usar a conclusã como premissa para provar um argumento.
Mas talvez isto seja muito difícil de entender. Afinal, um povo que lê o mesmo livro há 2000 anos, sem uma única atualização, não deve ter lá muita intimidade com a lógica.
Update: vídeo do George Carlin legendado. Dica do théo.

