Eu tenho uma teoria sobre o fim do Los Hermanos. O grande culpado por ela foi o Marcelo Camelo. A falta de talento dele implodiu a banda, fazendo com que cada membro quisesse seguir numa direção diferente.
Neste post vou explicar porque acho isso.
Mas primeiro, uma recapitulação.
Los Hermanos é a banda que lançou Sentimental, a melhor música brasileira desde Panis et Circensis. Mas também é a banda que conseguiu descer ir rápido da genialidade musical para a completa desgraça auditiva.
O primeiro disco dos Loser Manos, de 1999, é uma das coisas mais mal vendidas por um departamento de marketing de uma empresa em toda a história. A propaganda dele só perde, talvez, para Corpo Fechado, o segundo filme do Shyamalan. As músicas mais tocadas deste disco são Ana Julia e Primavera. Duas babas, que não refletem a veia quase hardcore que há no restante do álbum. Se tu não sabe do que estou falando, ouça Lágrimas Sofridas, a música colocada ali embaixo, para sentir o drama.
Venderam horrores com o disco, mas não conseguiram formar muitos fãs.
Em 2001, depois de se desentenderem com a gravadora, lançaram o segundo álbum sem divulgação nenhuma. O que foi péssimo, porque esta obra, que é o melhor que a banda fez em sua história, passou despercebida pelo grande público. A mistura entre rock e MPB apresentada aqui é a mais bem realizada que já ouvi. Depois de Sentimental, Fingi Na Horar Rir é a grande música daqui, além de ter um excelente videoclipe.
É no Bloco.. que começa a se tornar mais clara a distinção entre as composições de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, fato que só se acentuou nos discos seguintes. Além disso, começa a surgir um novo tipo de imbecil habitando a Terra. O fã de Los Hermanos consegue ser a segunda pior espécie de fã a pisar no planeta, perdendo apenas para os fãs de Legião Urbana.
Aí veio o Ventura e Los Hermanos estouraram de novo. Se no primeiro disco eles tiveram maciça aprovação popular, neste eles tiveram aprovação dos universitários. É difícil explicar o que era estar num show da banda cheio de idiotas fazendo mímica e cantando junto. Mas eu posso mostrar como é pelo vídeo de O Vencedor ao vivo, logo abaixo:
Assistir a um show da banda era algo insuportável. Aquela massa de imbecis em transe, com ose vissem um profeta em cima do palco, era impossível de aturar.
E como toda grande banda que faz muito sucesso, eles decidiram sacanear os fãs no álbum seguinte, mudando completamente a banda para, assim, perder alguns fãs. O Nirvana havia feito isto do Nevermind para o In Utero. O Radiohead, do Ok Computer para o Kid A. Até a Legião havia feito o mesmo entre As Quatro Estações e V. Aí os Loser Manos resolveram imitar e saiu o 4.
4 é sonolento. 4 é horroroso. 4 é chato, simplesmente. É uma guinada toral e absoluta para a MPB. Para a parte CHATA da MPB. Enquanto o pessoal do projeto +2 consegue ser retrô e futurista em seus discos, Los Hermanos conseguiram ser chatos. O Vento é a única música que se salva daqui.
Vai dizer que não é um vídeo feito com relaxo? Enquanto Fingi na Horar Rir é tosco, mas um tosco produzido, este é um tosco de má vontade, que transmite descaso. O pior era, na época, os fãs no Orkut dizendo que adoraram o clipe e quem não gostou era porque não tinha entendido a mensagem que a banda queria passar.
Eu me nego a achar boa uma banda que produz um vídeo assim e um disco como o 4. Se eu quisesse ouvir MPB, compraria o disco do Ney Matogrosso, não dos Los Hermanos.
Aí em 2007 a banda acabou entrou em recesso por tempo indeterminado. Durante estes meses que passaram, os integrantes sa banda se dedicaram a projetos paralelos. O primeiro a ser oficialmente lançado foi Sou, do Marcelo Camelo.

Note que Sou, de cabeça para baixo, é Nós. Com uma Arnaldo-Antunezice destas na capa (e isto não é um elogio), eu não precisaria nem ouvir para saber que o álbum não presta. Mesmo assim, fui até o myspace do Marcelo Camelo, só pra confirmar se eu estava certo.
Claro que estava.
Sou é a coisa mais sonolenta a surgir na música brasileira. É pior que 4, pois neste disco, pelo menos, há O Vento, a música boa de clipe ruim postada acima.
Música, aliás, composta pelo Rodrigo Amarante. Confesso que quando fiquei sabendo que ele estava se juntando com o Devendra Banhart para compor músicas novas, achei que ele que havia levado a ex-banda para o buraco. Sim, pois quem se junta com hippies só pode fazer merda.
Mas eis que surge na história Fabrizio Moretti, e quem é amigo de um Stroke não morre pagão. Little Joy, a banda deles, é uma pequena alegria
depois de tudo isso que aconteceu. A banda é genialmente boa e easy-listening suave relaxing Jack Johnson, mas com talento. Brand New Start é, fácil, uma das 10 melhores músicas de 2008.
De tudo isso, concluo que Marcelo Camelo é o responsável pelo fim do Los Hermanos. Ele, com estas viagens de querer tocar MPB fez com que a banda se perdesse. Deixasse ela na mão do Amarante, a história teria sido outra.
Ou seja, bastaria que os outros três tivessem dado umas porradas nele quando ele viesse com estas síndromes de Chico Buarque.
E mesmo que os outros integrantes não conseguissem dar conta do narigudo sozinhos, era só chamar o Chorão pra dar uma mão, que estaria tudo dominado.
Hoje, 24 de setembro, é o Emo Day.

Segundo a Desciclopedia,
Emo, do francês emo-fif, significa biba emotiva. Há também fontes que afirmam que vem do latim emossae, ou seja, “sem genitália”. Emos são exatamente o cruzamento de homossexualismo com música punk, em perfeita harmonia. Emos existem desde os primórdios da civilização, com as primeiras marcas em cavernas terem sido encontrados milhões de anos. A única diferença é que agora, ser emo está na moda.
O movimento emo surgiu em Washington, D.C., nos Estados Unidos, no meio da década de 80. Surgido dentro do hardcore, ele foi uma resposta aos grupos mais extremos do estilo, que eram violentos e tinham um grande viés político. A maior influência citada pelos emos pioneiros é o álbum Zen Arcade, do Hüsker Dü, uma banda que de emo não tem nada.
Moss Icon, Nation of Ulysses, Dag Nasty, Soulside, Shudder to Think, Fire Party, Marginal Man e Gray Matter são os principais nomes desta primeira leva de bandas emo. Nehuma destas bandas chegou a ser conhecida de fato.
Antes da atual safra de bandas como NX Zero, Simple Plan, Fall Out Boy e My Chemical Romance, existiu The Get Up Kids. Apesar de serem rotulados como emos e terem influenciado esta enormidade de porcarias que nos rondam atualmente, eles têm um (talvez dois) pé(s) no indie.
Ou seja, bandas emo não são apenas franjas compridas, lápis nos olhos e vontade de chorar. Há pelo menos uma banda que merece ser conhecida.
Para finalizar, fica a dica do vídeo Confissões de Um Emo, hit da internet uns meses atrás.
Outro blogs que comemoraram o Emo Day 2008:
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Quando o muxtape saiu do ar (por causa da RIAA, é claro), ficamos sem um bom site para fazer mixtapes.
Claro, há o Mixwit, site do qual já falei aqui, um ótimo serviço com uma bela apresentação. O problema é que tu precisa ter as músicas da mixtape salvas em algum servidor para poder utilizá-las
Por isso achei o MixTube sensacional. Ele pega o áudio de vídeos hospedados no Youtube e faz a tua mixtape a partir destes áudios. Basta entrar com a url dos vídeos e tá tudo dominado.
Para testar, criei lá uma playlist com As 10 Melhores Músicas Gaúchas dos Últimos 10 Anos, baseada em um dos meus últimos posts. Confere minha mixtape lá.

