Sabe angústia?
Sabe aquele aperto que te dá no peito durante muito tempo? Tu tenta esquecer, fazer de conta que não está lá, mas ele sempre volta? É teu dever fazer aquilo, mas às vezes falta força. Falta vontade.
E aí, de uma hora pra outra, uma pequena atitude, um pedido de ajuda, alguma coisa mínima te dá um clique, tu te acorda, encara o problema e a coisa se resolve, sempre da maneira mais simples.
Ockham que o diga.
Mesmo que demore (ou pareça demorar) uma eternidade, ele se resolve.
Sempre no final. Nunca antes, nem depois.
E o que resta são duas páginas completamente escritas, com a prova que eu precisava fazer.
Um dia escrevo pra botar aqui.
Não hoje.
Hoje eu quero ir pra casa e descansar. Foi um longo dia.
Hoje enviei os documentos para o pedido de bolsa para a Capes/Fulbright. Vocês não têm idéia da burocracia que é para apenas me candidatar a uma bolsa. É uma série de documentos que parece não ter fim. Mas pensando bem, até que a parte dos documentos não foi tão ruim de fazer. O pior foi o TELP.
O TELP (Test of English Language Proficiency) é realizado toda semana no Cultural ali da Riachuelo. Qualquer pessoa que se dispuser a pagar R$ 90,00 pode realizar o teste, que é composto de três partes.
A primeira (e pior de todas) é o listening. Não que o listening, em suas três etapas, seja difícil; são 50 questões e até que é fácil. O problema é que o aparelho de som que o Cultural usou para ministrar o teste é ruim. Além disso, a acústica da sala não ajudava em nada. Aliás, atrapalhava. Ocorria uma certa reverberação no local onde eu estava sentado. Isso somado à má qualidade do CD-player prejudicava um pouco a compreensão das frases.
Mas tergiverso. Eu dizia que o teste é composto de três etapas. Na primeira, uma pessoa dizia uma frase e devíamos procurar, entra as quatro alternativas disponíveis no caderno de respostas, qual delas melhor se encaixava com o que havia sido dito. Barbada. Na segunda parte, ouvíamos um diálogo e devíamos responder uma pergunta a respeito dele. Razoavelmente fácil. O meu problema foi com a terceira parte. Como eu tinha achado as duas primeiras partes razoáveis, fiquei viajando enquanto a senhora que ministrava o teste explicava como seria esta nova etapa. Quando esta última parte realmente começou, eu percebi que era um diálogo, só que mais longo. Só que meu leve TDAH fez eu parar de prestar atenção no longo diálogo. Sem motivo algum, eu comecei a olhar umas plaquinhas coloridas com frases básicas em inglês que estavam acima do quadro branco da sala onde estávamos. Não deu outra. Como eram cinco questões a respeito deste diálogo e eu não havia prestado atenção nem em 20% dele, eu só consegui responder duas questões com certeza. Tive que chutar as outras três.
A seguir são 40 questões sobre gramática, não muito difíceis.
Por fim, 60 questões sobre interpretação de texto, no nível do vestibular de uma universidade federal. Nada escabroso.
Só sei que acabei passando. Portanto, me tornei apto a enviar a documentação para o pedido de bolsa, que espero que seja aprovado. Minha primeira opção de destino é a University of North Carolina em Chapel Hill, que fica, bem, na Carolina do Norte, na cidade de Chapel Hill (sorry Tina, mas a UCLA não me interessa no momento). O Departamento de Estatística deles é fortíssimo. Além disso, lá há um professor chamado Vladas Pipiras que é ótimo e cujas linhas de pesquisas atendem muito bem aos meus interesses acadêmicos.

Mas como sou pessimista por natureza, sei que esta bolsa não vai dar em nada. Ela é concorridíssima e a chance de eu consegui-la é praticamente nula.
E não, eu não quero comentários no estilo “Cara, tu vai conseguir. Pensa positivo”. Como o tio Ben disse no primeiro Homem-Aranha, “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.
E por ora, estou tão cheio de responsabilidades que não posso me dar ao luxo de ter mais uma.
10:00 3308-3258
- DECORDI, bom dia.
- Bom dia. Por favor, eu gostaria de pedir um histórico oficial.
- Para isto o senhor terá que ligar para o Departamento de Registros e Documentos.
- E qual é o telefone?
- 3308-3031.
- Obrigado.
- Disponha.
10:01 3308-3031
Ocupado
10:53 3308-3031
Ocupado
11:50 3308-3031
Chama e ninguém atende
14:03 3308-3031
Chama e ninguém atende
14:40 3308-3031
Chama e ninguém atende
15:50 3308-3031
Ocupado
15:55 3308-3031
- Alô?
- É do Departamento de Registros?
- É.
- Por favor, eu gostaria de pedir um histórico escolar.
- O senhor deve ir até o DECORDI fazer uma solicitação mediante pagamento de taxa. O documento fica pronto em dois dias úteis.
(eu preciso dele para terça)
- Mas eu liguei para o DECORDI e me disseram para ligar para vocês.
- O senhor deve ir até o DECORDI fazer uma solicitação mediante pagamento de taxa. O documento fica pronto em dois dias úteis.
- E qual o horário de funcionamento do DECORDI?
- Das 8:00 às 12:00 e das 13:00 às 17:00.
- Obrigado.
15:56
Junta as coisas, sai correndo, fala com a Orientadora, volta para pegar o que esqueceu, pega o ônibus, atravessa a cidade e chega às 16:50.
Às 16:55 já tinha a taxa paga e a requisição preenchida.
Foi por pouco. Se não desse, pegaria o histórico só na quarta e aí já seria tarde demais.
Maldito serviço público.
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