Ufologia é o canal

16.Mi.2008 @ 8:29 am
Arquivado em Cotidiano, Faculdade

Então ouvi o Nerdcast da semana passada chamado OVNI: Objeto Voador Nerd Identificado(1) e fiquei com vontade de falar sobre ETs. Não que eu nunca tivesse tido esta vontade, até porque já disse por aqui quais são os 54 sinais que indicam se tu já foi abduzido, mas ao ouvir este Nerdcast me empolguei.

Eu acredito que exista vida fora da Terra. Acho muito difícil que em bilhões de estrelas com planetas orbitando às suas voltas não existam pelo menos alguns habitados, alguns até (mas não necessariamente) com vida inteligente.

O que não acredito é que algum destes povos tenha estabelecido contato conosco.

Mas tem malucos que acreditam, e inclusive ganham dinheiro com isso. Erich von Däniken, um escritor suíço, é um destes caras. Na década de 70 ele lançou um livro chamado Eram os Deuses Astronautas?, no qual ele apresenta sua teoria. Segundo suas pesquisas, os deuses que as civilizações primitivas adoravam eram na verdade extraterrestres que vieram para a Terra ensinar os habitantes primitivos a evoluírem.

Os desenhos na planície de Nazca são indicações para os discos voadores
Os desenhos na planície de Nazca são indicações para os discos voadores

No livro, Däniken procura diversas “provas” sobre as tais visitas extraterrestres. Além dos rastros de Nazca, as pirâmides do Egito, as esculturas da Ilha da Páscoa, alguns relatos da Bíblia e gravuras maias são evidências claras da presença de alienígenas entre nós, desde tempos muito remotos.

Claramente, esta gravura maia representa um astronauta ET
Claramente, esta gravura maia representa um astronauta ET

Segundo o autor, o que levou nossos antepassados a encararem os ETs como deuses foi um efeito semelhante a algo realizado, sem querer, por americanos durante a Segunda Guerra Mundial.

Os Tanna, habitantes de uma remota ilha na Melanésia, há mais de 60 anos esperam que deuses joguem alimentos dos céus para eles. Isto se deve aos pacotes com suprimentos que os aborígenes interceptaram após aviões americanos lançarem ao solo da ilha para abastecer suas próprias tropas.

Povo de Tanna

Gravura de Tanna

Eu acho que tudo isso é mentira, mas adoro. Recomendo a leitura de Eram os Deuses Astronautas? para todos.

Caso não queiram ler o livro, pelo menos assistam ao documentário no Google Video. O link que coloquei leva para o filme completo, narrado em português, com opção de download para iPod e PSP.

(1)Este programa está dividido em duas partes e a segunda já está disponível

Gol e AACD com passagens a R$10

5.Set.2007 @ 9:42 pm
Arquivado em Cotidiano, Faculdade

Tem vezes em que não é bom deixar tudo para a última hora. Vou contar uma história e espero que vocês aprendam a moral dela.

Dia 17 de agosto recebi um email dizendo que deveria estar em Brasília entre os dias 18 e 21 de setembro para uma entrevista. Só que eu queria otimizar minha estadia por lá: não queria ficar tempo a mais, para não gastar dinheiro desnecessariamente com hospedagem, e nem queria ficar tempo de menos, para não ter o risco de perder minha passagem e ter que comprar mais uma.

Então esperei três semanas para comprar as tais passagens. E, como vocês sabem, as passagens de avião tendem a acabar e a ficar mais caras com a proximidade da data do embarque. Mas eu não podia comprar antes. Eu precisava da confirmação do dia da minha entrevista. E o tempo foi passando, foi passando…

Aí hoje à tarde recebi um email da Gol avisando que a promoção das passagens de avião a R$1 havia voltado. Bem, voltado mais ou menos. Agora a passagem de volta custa R$10, mas 100% deste valor será doado para a AACD. Assim, as minhas passagens, que juntas custariam quase R$800, saíram por pouco mais de R$400. Quase 50% de economia.

Gol e AACD juntas na promoção de passagens a R$10 - clique para detalhes
Gol e AACD juntas na promoção de R$10 - clique para detalhes

Mas há, é claro, alguns poréns. Nem todos os destinos estão cobertos por esta promoção. Além disso, só valem passagens

  • compradas via internet, entre 22:00 e 6:00 nos dias de semana ou nos fins de semana, das 22:00 de sexta às 6:00 de segunda;
  • reservadas com cinco dias de antecedência;
  • com pelo menos dois dias de permanência no destino.

Mas, por sorte, minhas passagens satisfazem todos estes requisitos. Portanto, consegui participar da promoção. E o melhor: com o dinheiro que vai ser doado para a AACD, estou ajudando os brasileirinhos defeituosos que podem representar o Brasil nos próximos Parapan e Paraolimpíada.

Como eu disse no início, tem vezes em que não é bom deixar tudo para a última hora. Esta não foi uma destas vezes.

Gramado - Parte I - O Congresso

20.Ago.2007 @ 9:54 pm
Arquivado em Cotidiano, Faculdade

Participei da 12ª Escola de Séries Temporais (ESTE) com um pôster intitulado Processos de Longa Dependência com Parâmetro Fracionário Variando no Tempo.

Bonito, né?

Enfim, por causa do congresso fiquei sem atualizar o blog. Mas valeu a pena. Nos últimos 36 meses, participei de 6 congressos. Posso dizer, sem medo de errar, que este foi o mais proveitoso. Foi onde fiz mais contatos, onde expus mais meu trabalho, onde aproveitei melhor os mini cursos. Mas tem coisas que são iguais em todos os congressos.

Gramado: -7ºC
Frio pegando geral na Serra. Em Gramado, -7 ºC.

Todo congresso tem um hype gastronômico no coffe-break. Em geral, nos congressos de matemática, o coffe-break tem café e água para beber e biscoitos amanteigados para comer. 80% da comida disponível se resume a isto. Aí quando aparece algo diferente, o boca a boca espalha a notícia e, de uma hora para outra, as coisas gostosas somem. O hype da ESTE foi o pão de queijo com suco de laranja. Quem não garantisse o seu no início era capaz de ficar sem experimentar a iguaria.

Havia uma grande quantidade de estrangeiros na ESTE. Inclusive, um dos mini-cursos, chamado Nonlinear time series models: parametric models and nonparametric models, nonlinear prediction, foi ministrado em inglês. O professor chamava-se Qiwei Yao. Como que não faço a menor idéia de como pronunciar Qiwei Yao, eu me referia a ele como Qui-Gon Jinn e ficava tudo certo (pelo menos na minha cabecinha viajante).

Qui-Gon Jinn
Qiwei Yao

Com a quantidade de estrangeiros presentes no evento, era normal que a língua oficial fosse o inglês. E isso gerava uma grande integração entre os participantes, dado que cada um falava seu próprio inglês. Imaginem a aula de um chinês, com perguntas de brasileiro, indiano e lituano. Foi um samba do afros-descendente esquizofrênico.

Aliás, este lituano veio até mim durante a apresentação do meu pôster para fazer perguntas sobre meu trabalho. A conversa foi um chuchu. Nem vou comentar; apenas direi que mas ocorreram muitos desenhos, gesticulações e “hãs?” de ambos os lados.

Mas não pensem que eu vou para estes congressos só para falar sobre matemática. Gente, eu sou uma pessoa normal. Ou quase. Vou ilustrar isto com uma historinha. Estava eu parado em frente ao meu pôster, com cara de paisagem, esperando aparecer alguém para conversar. Ao meu lado estava um professor da Unicamp que conheço há tempos, conversando com outro aluno da UFRGS. Ao esticar meu ouvido para me inteirar do assunto deles, notei que falavam de wavelets e espaços de Sobolev. Relaxei meu ouvido e voltei a me concentrar na minha imitação de samambaia.

Eis que no final da Sessão Pôster eu fui dar uma volta. No que me aproximava do grupo de alunos que conhecia, este professor se aproximou também e acabamos ficando nós dois de costas para este grupo, conversando. Sobre matemática? Estatística? Espaços de Sobolev? Não! Falamos sobre picanha, contra-filé, baby beef, abater bois com 24 meses. Só coisa produtiva.

E assim se passou mais um congresso. Claro que há mais coisas a se dizer, coisas sobre a cidade, mas farei isto somente no próximo post.