Um restaurante onde a refeição pode ser comida duas vezes. E eu não falo de um procedimento igual ao dos ruminantes, onde o alimento é engolido, pré-digerido, regurgitado e engolido novamente.
O primeiro restaurante fica no bairro Roppongi, em Tokio. Um grupo seleto de maníacos sexuais milionários excêntricos freqüenta um restaurante onde os animais que serão servidos nas refeições encontram-se vivos até a chegada do cliente.
Até aí tudo bem. Quem não gosta de carne fresca? A parte estranha é que assim que o cidadão chega, ele escolhe o animal que quer comer, que pode ser uma galinha, um porco ou uma cabra(1) e faz sexo com ele. A seguir, o bicho é morto, cozido e servido para o jantar.

Leitão estuprado a pururuca
Os preços não são lá muito convidativos. Um galinha consumida neste restaurante custa entre 200 mil e 500 mil yens (aproximadamente R$3.235,00 a R$8.088,00). Um porco custa a partir de 800 mil yens (algo em torno de R$12.940,00). Apenas para que possa se candidatar a fazer parte desta confraria, é necessária uma renda anual de 20 milhões de yens (R$323.505,00).
Descobri esta loucura no Garfada, que descobriu no InventorSpot. Mais informações no Mainichi Daily News.
Lendo um pouco mais o blog, encontrei outra bizarrice japonesa. Lembram aqueles sushis eróticos, onde os participantes comem o sushi servido em cima do corpo de uma mulher nua?

Sushi erótico
No restaurante, o jantar é servido no formato de um corpo feminino. Nu, é claro. O corpo fica ali, deitado, e as pessoas vão se servindo dele, como se fosse um frango assado.

Todos confraternizando, bebendo o defunto

Diferentemente do chester, japonesas têm pouco peito e pouca coxa

Miúdos, alguém?
Atentem para o seguinte detalhe. O “sangue”, que na realidade é molho vermelho, e os órgãos internos aparecem muito nitidamente nas fotos. Mas notem que a região genital está embaralhada. Isto ocorre porque mostrar a réplica de um corpo feminino sendo devorado é algo razoável, mas exibir os pentelhos deste corpo é um absurdo.
O povo japonês é doente.
(1)Não necessariamente o animal é uma fêmea. O cliente pode escolher, por exemplo, um galo em vez de uma galinha ou um bode no lugar de uma cabra. Não há preconceito algum no local.
Já falei sobre o congresso, sobre as refeições e sobre meu passeio em Gramado. Agora vou narrar como foi o jantar no qual comi o melhor fondue da minha vida.
O local que escolhemos para jantar foi o Restaurante Colosseo. Como estávamos a pé, precisávamos escolher um lugar próximo à nossa pousada. Além disso, tal escolha não podia gerar uma conta exorbitante. Decidimos pelo Colosseo, pois ele fica na Avenida das Hortênsias, a uma quadra e meia da Pousada Tia Leonor, nossa hospedaria. E de acordo com os preços praticados, nossa conta não sairia muito cara.
Antes de irmos ao restaurante, decidimos fazer algo que ainda não tínhamos feito em dois anos de namoro: beber vinho durante uma refeição. Nem Mariane, nem eu somos grandes fãs de bebidas alcoólicas. Mas achamos que desta vez valeria a pena experimentar algo diferente. Com isto na cabeça, enfim nos dirigimos ao tal Colosseo.
Um senhor muito simpático foi nosso maître. Nos recebeu muito bem e levou-nos a uma mesa próxima à janela, que era onde queríamos sentar. Aliás, vale um comentário sobre a rua naquela noite. Havia tanta neblina que, se eu fosse uma pessoa mais impressionável do que já sou, acharia que estávamos em plena Silent Hill.
Voltando ao maître. Assim que nos acomodamos, ele nos alcançou o cardápio, algo que se tornou desnecessário, posto que já entramos lá com a idéia fixa na seqüência de fondue. Em seguida, nos mostrou a carta de vinhos.
Como eu já disse, não sou um grande fã de bebidas alcoólica. Eu tenho tanto conhecimento de vinhos como tenho conhecimento da variação do PIB de Botswana nos últimos 15 anos. Provavelmente ele notou isto quando eu pedi uma sugestão de harmonização. Ele nos ofereceu o vinho mais barato do cardápio (que nem era tão barato assim: R$26,00), pois provavelmente percebeu que a única diferença que talvez notássemos entre este vinho e um de R$200,00 não ocorreria no paladar e sim no bolso.
Logo em seguida veio o garçom com a garrafa. Era um Jolimont 2005, tinto suave. Novamente, quero frisar que nunca havia pedido vinho em um restaurante. Logo, quando o garçom perguntou quem iria degustá-lo, fiquei um sem reação?
- Como assim, não é tipo Coca-Cola, que é só abrir a garrafa, servir e começar a beber?
É óbvio que não falei isso. Vendo a taça ali na minha frente e o garçom esperando uma reação, não tive tempo de pensar. Peguei-a, girei, senti o aroma (que era igual a qualquer outro vinho) e bebi um gole. Como consegui engolir, achei que era bom e mandei servir. Depois, conforme fui me inebriando, comecei a achar que este havia sido o melhor vinho que já bebi em toda a minha vida. A sensação dura até hoje.
Como couvert, nos trouxeram pães, manteiga, queijo, frios, ovos de codorna e azeitonas. Nada demais. Simplesmente não comprometia.
Mas logo em seguida veio o que esperávamos com ansiedade: o fondue. Para iniciar, queijo. Ele era acompanhado de pão adormecido, brócolis e batatinhas inglesas do tamanho de tomates-cereja cozidas com casca. batata com casca? Ééééé… Foi novidade para mim, mas é muito gostoso. Como cada batata entrava inteira na boca, ela parece explodir ao ser mordida. É uma sensação fantástica, pois a harmonização dela com o queijo derretido é perfeita.
Em seguida vieram as carnes. Picanha, filé e peito de frango. Vocês não têm noção de como a carne fica gostosa ao ser preparada mal passada sobre a pedra. E os molhos que acompanhavam! Pode parecer bizarro (para mim pareceu no início), mas cebola caramelada combina muito bem com filé mignon.
No final, fondue de chocolate. Maçã, pera, melão, banana e os obrigatórios uva e morango, dentre outras frutas. Também era muito bom, mas com o estômago já quase cheio e depois das ótimas surpresas geradas pelas batatas e pelos molhos que acompanharam as carnes, ao chocolate restou apenas ser correto.
Com certeza, um dos melhores restaurantes em que fui neste ano. Inclusive, após este jantar, fiquei com muita vontade de fazer meu próprio fondue em casa, já que parece tão fácil. Só me faltam os utensílios apropriados.
Ahm e talvez aprender algo sobre vinhos não seja uma idéia má.
Comer bem em gramado não é difícil. Difícil é comer bem e barato por lá em menos de 1h e 30min, a duração do nosso intervalo para o almoço. Levando em conta que não dispúnhamos de duas coisas importantes para comer bem em uma cidade (dinheiro e conhecimento dos restaurantes), até que nos saímos bem. Exceto em uma noite.
Era quinta-feira. Todos já haviam apresentado seus trabalhos no congresso (que foi uma experiência excelente conforme narrei aqui) e decidimos sair para comer entre cinco. Chovia muito, tínhamos apenas dois guarda-chuvas e nenhum deles era meu. Assim, deixamos para procurar um local para comer nas redondezas do hotel de onde havíamos saído. Em primeiro lugar tentamos uma creperia. Fechada. Depois tentamos o restaurante no qual havíamos almoçado, pois lá havia rodízio de pizzas à noite. Fechado. Tentamos alguns lugares na rua coberta. A maioria estava fechada.
Eis que encontramos uma pizzaria a la carte, meio escondida, e que parecia promissora. Foi Top of Mind 2007 na cidade. Decidimos comer por lá mesmo.
Aliás, o cardápio da pizzaria merece um parágrafo. Lá dizia:
- Pizza Pequena (4 fatias)
- Pizza Média (6 fatias)
- Pizza Grande (8 fatias)
Sou só eu ou este cardápio dá a entender que todas as pizzas têm o mesmo tamanho e apenas são cortadas de maneira diferente?
Enfim, entramos no restaurante e pedimos uma pizza grande com dois sabores dividida em 10 pedaços (éramos em cinco, lembra?). Calabresa e Quatro Queijos. A pizza chegou realmente dividida em 10 pedaços, mas com um detalhe: como o pizzaiolo esqueceu de dividi-la corretamente, ela chegou ao garçom dividida em oito pedaços iguais. O garçom, sem pestanejar, dividiu dois destes pedaços pela metade. Assim, ficamos com seis pedaços de um tamanho e quatro de outro.
A noite começou bem.
Como uma pizza grande não dá para cinco pessoas, pedimos outra. Eu queria calabresa, os outros queriam qualquer sabor que não fosse este. Escolheram rápido uma das metades: era À Delícia, em homenagem à pizzaria, que se chamava Delícia. Era uma mistura insana de calabresa, milho, ervilha, palmito, queijo, pimentão, aspargos, frango, catupiry, feijão, abacate, tomilho, doritos e óleo de fígado de bacalhau. Talvez minha memória tenha me traído, mas creio que eram estes ingredientes, mais ou menos.
Eu só queria pizza de calabresa. Ou bacon.
- Marcus, que tal palmito?
- Não. Quero calabresa ou bacon.
- Cinco queijos?
- Não. Calabresa ou bacon.
- Marguerita?
- Não. Calabresa ou bacon.
- Romana?
- Não. Calabresa ou bacon.
- Mussarela?
- Não. Calabresa ou bacon.
- Salamito?
- Salamito? Assim com salame italiano e queijo?
- Isso!
- Não. Calabresa ou bacon.
Depois de uns dez minutos de discussão, decidimos que o outro sabor poderia ser bacon. O garçom veio e anotou o pedido. Instantes depois volta ele e diz que não tem mais bacon.
Probleminhas pontuais à parte, o jantar foi bastante agradável. Comi bem, apesar de, neste restaurante, insistirem em colocar o queijo por cima da pizza, o que deixava o acepipe com cara de torta salgada.
No próximo post, o passeio deveras (em homenagem à Bia) agradável que fiz pela cidade na sexta-feira.


