Depois que escrevi o último post, lembrei de algo que aconteceu comigo em 2000. Eu participava de um seminário de sete semanas promovido pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre sobre Jorge Luis Borges. Perfeito pra desopilar dos estudos e do trabalho da semana.
Nesta época eu já estava de saco cheio do curso de Engenharia. Ia para as aulas para, basicamente, responder a chamada. Chegava atrasado, saía antes do intervalo, voltava pra aula depois dele acabar e recolhia meu material e saía antes da aula terminar. Neste meio tempo, ficava pelo DCE, já que os estudantes de Comunicação e Ciências Sociais eram mais interessantes que os de Exatas.
Numa destas minhas idas, acabei conhecendo duas garotas muito legais. Chamavam-se Karine e Kelly. A Kelly era fã de Dragon Ball Z, que na época era exibido na Band. Como eu trabalhava, não podia acompanhar o desenho, mas tinha assistido alguns episódios no Cartoon Network. E não tinha gostado. E como naquela época eu já era do contra, tinha grandes discussões com ela sobre o desenho, argumentando que a fase anterior do desenho, com o Goku ainda criança, era muito melhor.
Mas por algum destes golpes de sorte que às vezes eu tenho, fiquei amigo da guria. Ela era backing vocal em uma banda de Soul Music, a Jimi James Band (or something like). Mas não era dela que eu fiquei a fim. Era da Karine. Achava ela linda. Ela tinha uns 5cm menos que eu de altura, era magra, loira, cabelos encaracolados, passando um pouco da altura dos ombros. Ela só um defeito: o namorado.
Como eu era um cara sem noção, não dei em cima dela. Quer dizer, não muito. Além disso, minha baixa estima, naquela época, estava lá no alto, por causa de uma outra guria que não estava a fim de mim. Então me insinuava um pouco, mas minha babaquice não me deixava desenvolver nada mais. Até que o namorado dela me fez um favor e terminou o namoro.
Ela ficou arrasada, pobrezinha. Parecia com o Ringo Starr no dia em que os Beatles acabaram e ele não sabia o que ia fazer da vida, já que era o único Beatle sem talento. Aí vão idas entre nós quatro para tomar capuccino (ah é, eu não contei: havia um amigo meu junto, o Daniel; este era a fim da Kelly) no bar do direito, quentão no bar do DCE ou cerveja no Pontinho. Até que aconteceu uma grande coisa: um show da Jimi James Band (or something like) em São Leopoldo. Claro que nós três iríamos pretigiar o show da Kelly. E eu aproveitaria para tentar dar umas bitocas na Karine.
Aí chegou a sexta-feira, Daniel e eu fomos até o local do show e combinamos de não beber muito e nem voltar muito tarde para casa, pois na manhã seguinte tínhamos mais um dos encontros do seminário sobre Borges para assistir.
- Bah véio, é hoje que eu pego a Karine. Ela tá carente, sem namorado, vai beber várias. É hoje que eu cato ela.
- E eu pego a Kelly.
- Tipo, se ninguém catar ninguém, nós somos muito viados.
- Podicrê.
E aí chegamos no bar (pra quem conhece, é o extinto 356 - puta que pariu, até me senti velho agora). A banda ainda fazia a passagem de som, e nós três (Karine, Daniel, eu) ficamos conversando e bebendo. Eu estava bastante empolgado no dia, pois além das boas chances sexuais que a noite me prometia, eu estava com um óculos novo. E eu sempre fico alegre de óculos novos. Aliás, é fácil deixar um nerd consumista como eu alegre. Um tênis novo, um livro que eu gosto, um CD raro, um DVD de um filme que eu pago pau ou presentes lusitanos que fazem escala em Campinas são maneiras fáceis de me agradar.

Pílulas de sabedoria.
Mas continuando, estávamos só nós três, e eu, pra variar, meio caladão. Tipo o Bob Caladão (Silent Bob pros newbies), mas sem as frasese geniais, o que era péssimo. A Kelly veio, monopolizou as atenções durante um tempo, tirou a Karine de perto da gente, eu fui cobrado por ser um banana que não toma atitude, a Kelly trouxe a Karine de volta, monopolizou as atenções de novo e foi se apresentar. E nós, claro, fomos ver o show. Eu vi a Karine caminhando na minha frente. Olhei pra bunda dela e pensei “durante o show eu pego”.
Começou a parada e tal. Bem animado. A guria quase morrendo de tanto dançar do meu lado. “Ela tá muito animada. Logo depois do show eu tomo a iniciativa”.
Aí o show acabou e eu fui falar com a Karine. Quando eu ia abrir a boca ela disse:
- Vamos no bar comprar uma cerveja?
- Vamos.
- Espera a gente aqui, Dani?
- Espero. Eu quero falar com a Kelly [ aí ele fez aquela cara de dois pontos-hífen-fecha parênteses (ou se preferirem, :-) ]
E aí nos fomos até o bar.
E o tonto aqui não fez nada.
Aí depois de uns minutos em que eu fiquei ao lado dela (e pra não dizer que foi um silêncio constrangedor, eu pelo menos respondia pra ela com monossílabos. Eu era um semivirgem na época; dêem-me um desconto) os outros dois chegaram. Pegaram outra cerveja e nos chamaram pra pista. A Karine pegou outra e fomos os quatro dançar.
O DJ deve ter tocado umas três ou quatro músicas. Depois disso, ele colocou aquela Kiss, do Prince. Aquela que tem aquele trecho
You don’t have to be rich to be my girl
You don’t have to be cool to rule my world
Ain’t no particular sign I’m more compatible with
I just want your extra time and your
KISS
E na hora do KISS ela me beijou. Assim mesmo. Veio pra cima de mim e me beijou. Um selinho, mas era um beijo. Eu, obviamente, fiz aquilo que seria esperado de mim naquela época: nada. Ou melhor, esperei. Esperei o segundo refrão para ver se no outro KISS ela me daria outro beijo, só pra confirmar. É ÓBVIO que ela não me deu outro beijo. É óbvio. É óbvio, pois eu era uma anta.
Aí eu fiquei frustrado (e provavelmente ela também) e a noite perdeu a graça. Eu bebi mais um pouco, as pessoas começaram a ir embora e decidimos sair também. Nem meu óculos novo conseguia me deixar feliz.
As gurias não voltaram conosco, claro. Além de elas não morarem na mesma cidade que nós, também não tínhamos carro e eu tinha feito uma cagada gigante. Só restou nos despedirmos e ir embora.
O Daniel, que aparentemente estava mais bêbado que eu, começou a cambalear de volta pra casa. Só que pro lado errado. Vendo isso eu disse:
- Hey ho, let’s go!
Ao que ele respondeu:
- Shoot’em in the back now
E aí continuamos:
- What they want
I dont know
Theyre all reved up
And ready to go
E aí fomos cantando Ramones pela Independência. Até que eu enjooei de Ramones e comecei a cantarolar La Canción de los Buenos Borrachos, uma música do Fito Paez em parceria com Joaquin Sabina, feita em homenagem e com a participação de seus amigos alcóolatras.
E nesta ida para casa, em meio a canções populares e trançadas de pernas. Até que um Opala parou ao nosso lado e baixou o vidro.
- Marcus, tu tá vendo ali? É o Antonio Banderas.
Tipo, eu achei que seria um absurdo o Antonio Banderas parar ao lado de dois bêbados em pleno centro de São Lepoldo, num Opala de vidro fumê e oferecer carona. E ainda por cima, ele era loiro.
- Daniel, acho que não é o Banderas não (notem que eu não tinha certeza absoluta). Tu conhece esse cara?
Ele se aproximou do cara que falava umas coisas incompreensíveis, pelo menos pra mim. Por um instante achei que era castelhano.
- E aí Germano? Beleza?
- Ô, e aí cara? Tão indo pra casa?
- Tamo.
- Quer uma carona?
- Claro.
E aí fomos nós. Pegamos carona com o Germano no seu Opala de vidro fumê e voltamos pra minha casa. 4:45 a.m.
E o seminário? Não fomos naquele sábado. Álcool demais e sono de menos nos impediram. Mas ainda assim fomos nas duas semanas seguintes e ganhamos o certificado de participação.


J.
“obviamente, fiz aquilo que seria esperado de mim naquela época: nada. Ou melhor, esperei. Esperei o segundo refrão para ver se no outro KISS ela me daria outro beijo, só pra confirmar.”
foi nesta frase que eu, de tanto rir, ia caindo da cadeira.
Comentado em 23.Mi.2006
marcus
Testando. 1, 2, 3 testando.
Comentado em 23.Mi.2006
Gian
1. “argumentando que a fase anterior do desenho, com o Goku ainda criança, era muito melhor.” - Tu não entende nada de animes, muito menos de Dragon Ball, então mantenha-se em sua insignificância.
2. “…Ringo Starr… …era o único Beatle sem talento.” - Ei, essa frase é minha!
3. “Eu, obviamente, fiz aquilo que seria esperado de mim naquela época: nada. Ou melhor, esperei. Esperei o segundo refrão para ver se no outro KISS ela me daria outro beijo, só pra confirmar. É ÓBVIO que ela não me deu outro beijo. É óbvio. É óbvio, pois eu era uma anta.” - Minha vez:
- Loser.
Comentado em 23.Mi.2006
éver
Não posso falar nada. Minha incapacidade com as mulheres ultrapassa a de qualquer Loser como o Marcus. Tô pra ver alguém que tenha “bocabertiado” mais que eu.
Comentado em 23.Mi.2006
trixie
“presentes lusitanos que fazem escala em Campinas são maneiras fáceis de me agradar.”
puta que o pariu hein, não podia ser MAIS DIRETO sobre as suas expectativas em relação a um presente (entre aspas)?
“Nem meu óculos novo conseguia me deixar feliz.”
e eu tinha dúvidas se você era mesmo nerd/loser ou só wannabe, que erro.
Comentado em 23.Mi.2006
Kicca
:mrgreen:
A natureza é sábia e eu nasci mulher. Nesses assuntos não sou tímida, sou uma topeira, jamais tomei iniciativa. Até hoje eu me pergunto como casei… Se nascesse homem acho que morreria solteiro e virgem, incluindo BV (boca virgem).
Tem uma cena que eu não esqueço: a gente começou a namorar em 88, mas em 91 terminamos ficando quase 4 anos separados. Bem no início de 95 terminei um noivado e assim que soube Luiz correu lá pra casa. Eu queria voltar, mas minha mãe não deixou porque não ficaria bem eu pular de um pro outro (conhece esse papo de moça de família?) e se ele realmente gostasse de mim, esperaria os 6 meses exigidos. Ele esperou, mas de vez em quando ia lá em casa para verificar se eu continuava “disponível” (claro que sim).
Num momento conversamos sério sobre a possibilidade de voltarmos e encararmos o que viria pela frente (folhetim mexicando de primeira!). No momento mais importante, eu solto uma dessa: “O que eu quero ainda não sei, mas sei exatamente o que eu não quero.” e olhei nos olhos dele quando disse isso…
Até hoje ele não sabe como teve coragem de voltar 2 meses depois… (quando encerrou o tempo exigido por minha mãe).
Comentado em 23.Mi.2006
Kicca
PS: Ele leu este meu comentário e acabou de dizer que não lhe falou coragem para voltar quando acabaram os 6 meses; faltou-lhe vergonha na cara mesmo… :roll: (ainda bem que ele é um sem-vergonha)
Comentado em 23.Mi.2006
mari
que bom que ano passado tu ja tinha iniciativa : P
Comentado em 24.Mi.2006
Charimann
Já me aconteceram coisas similares, por isso que eu nem digo nada. Mas que foi uma aventura e tanto isso foi. :roll:
Comentado em 25.Mi.2006
Kicca
O Vídeo não está rodando do site “Oi” não?
Mas o photobucked aceita upload de vídeos… todos os vídeos eu coloco lá. Tem também o You Tube ou o Vídeo Google, mas deles eu tenho certo receio por ter muitos usuários. O You Tube é uma febre. Lá eu só mando vídeos bobinhos, um por mês, hehe.
Esse aqui por exemplo é do photobucked e tem a mesma extensão do outro que não tá indo não sei por quê…
De repente é o problema é no tamanho do arquivo, até no You Tube deu problema… O vídeo é no formato “.wmv” e tem 9,42 Mb com 1min e 30 seg de duração…
Comentado em 26.Mi.2006
Kicca
:roll:
Ok, agora é que entendi que a resposta do “renomear arquivo para” era pra moça do .zip / .doc …
Dãaaaaaaaaaaaaaaa
Sim, Tico e Teco juntos já são lerdos, com o Teco gripado e o Tico estafado… danou-se.
Comentado em 26.Mi.2006
Diego Pires Plentz
No creo que achei outra figura de São Leopoldo.
Comentado em 12.Jun.2006