O futuro já foi imaginado de diversas maneiras pelo cinema. Na maioria das vezes, vemos um cenário pós-apocalíptico, no qual a humanidade acabou afundando a própria sociedade. Por exemplo, o futuro retratado em Os Doze Macacos é assim.
Apesar de não ser um lugar ensolarado como o mundo dos teletubbies, a Los Angeles de 2019 mostrada em Blade Runner não é tão detonada assim. Ela é escura, úmida e suja, mas ainda habitável. Como se juntasse passado e futuro, parece com um filme dos anos 40 materializado em um ambiente chuvoso de carros voadores.

O plot é simples: seis replicantes (não sabe o que é um replicante? Então clicaqui) fazem uma rebelião no espaço e voltam para a Terra. Rick Deckard, vivido por Harrison Ford, é um caçador de replicantes e é chamado para eliminá-los antes que algo aconteça.
Mas como muitos filmes outros que se tornam clássicos, Blade Runner pode ser interpretado de muitas formas. A mais fácil, como já deu para notar, é vê-lo como uma distopia noir futurista, de ambientação e roteiro excepcionais.
A segunda, como uma metáfora para a busca de Deus.
Advirto os leitores que, a partir daqui, o texto encontra-se cheio de spoilers.
Os replicantes do filme não são nada mais do que uma representação dos humanos. A busca que Roy Batty (Rutger Hauer), Pris (Daryl Hanna), Leon (Brion James) e Zhora (Joanna Cassidy) empreendem após virem para a Terra nada mais é do que a busca que todos nós, em maior ou menos grau, também já fizemos. Sendo seres criados com um tempo de vida finito (o modelos deles, Nexus 6, dura apenas quatro anos), todos queriam, de alguma forma, prolongar a sua existência.
Ao encontrarem o Criador e este avisar que nada podia fazer, mataram-no.
O que não deixa de ser uma referência a Nietzsche, posto que ele matou Deus, quando viu que Ele não nos servia mais.

Pris
Mas o fato de Roy e os demais serem seres artificiais não os deixava totalmente inumanos. Na cena final de Roy, em que ele salva Deckard da morte, ele dá uma prova incontestável da sua humanidade. Pois se ele queria viver alguns anos a mais, porque tirar este direito de outro ser vivo?
E quando compara sua vida com lágrimas na chuva, ele (e nós) finalmente percebe(mos) que ele sempre foi humano.
E quanto à Deckerd? Ele era humano ou replicante? Eu tenho a minha opinião e como suportá-la. E vocês? Comentem aí.
Cotação: ★★★★★
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5 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Acabei de descobrir o que fazer hoje à noite, tenho um DVD da versão do diretor em algum lugar, resta procurar.
By the way, Blade Runner é também o legítimo caso de apogeu e ruína de um diretor. Ridley Scott nunca mais fez nada à altura.
Bem, o q dizer? Minha tese de doutorado foi sobre Philip K. Dick e Blade Runner e posso afirmar q esse filme literalmente mudou a minha vida. É o primeiro filme que merece ser chamado de ‘pós-moderno’ e são tantas as referências (a começar das criadas pelo próprio Dick, como ter o detetive chamado Deckard, inspirado por Descartes) que pra explicá-lo só escrevendo outra tese. Essa sua série de filmes está cada vez melhor. Adorei todos até agora.
o difícil tem sido encontrar para locação filmes como esse. e por filmes como esse, me refiro a filmes antigos. tenho vontade de assistí-los, mas não me agrada a idéia de comprá-los…
anyway, tbm estou gostando da série de filmes… estou até incrementando alguns na minha wishlist.
há que dizer isto senão é uma grande injustiça- a banda sonora é genial – genial com todas as letras da palavra. tão boa como o filme. os vangelis souberam capturar na perfeição o espírito do filme. toda a gente devia experimentar ouvir a banda sonora: não só cd original como a edição de luxo dos 25 anos, com mais dois cds de raridades, lados b, músicas que ficaram de fora, etc. cada um desses tão bom quanto o cd original.
ouçam a banda sonora do blade runner!!
e sim o filme é bom. enfim, bom não chega. é Arte, com maiúscula. tive a sorte (ou o azar) de ter esperado para o ver até ter saído a final cut (fresquinha do ano passado). pelo que se diz, é mesmo a melhor versão até agora do filme. fico contente por ter sido essa a minha primeira experiência.